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O OBSCURO MUNDO DOS PRESSÁGIOS (3)
José Carlos Jacintho de Campos - 17/10/2010

Foi no outono de 2010. Um ruído não costumeiro que vinha do lado de fora me fez chegar à janela para ver o que acontecia. O vento enfurecido fazia envergar os ramos das árvores e levava consigo uma quantidade imensa de folhas ressequidas que ao atritarem com o asfalto da avenida provocavam um estalo que há muito tempo não se ouvia naquela localidade.

 

Naquela noite os elementos da natureza estavam em fúria incontida. De súbito, um som surdo e abafado chamou-me a atenção. Era o bater das ondas bravias do mar na sua arrebentação. Suas cristas amarelecidas revelavam que o mar estava devolvendo as sujidades nele lançadas. A negritude do céu noturno deu lugar à cor cinzenta das sombrias nuvens que pairavam sobre o mar e seguiam ameaçadoramente rumo ao continente.

 

Fiquei a pensar nos estragos que aquela grande tempestade causaria, pois poderia provocar deslizamentos nas encostas arrastando consigo vítimas que não se precaveram contra essa possibilidade. Naquele momento senti uma sensação de conforto pela segurança que representava o local em que me encontrava.

 

Diante daquele quadro assustador, veio-me espontaneamente à mente uma intrigante pergunta: O que Adão sentiu quando foi posto para fora do Éden, ao ter que enfrentar um ambiente extremamente hostil e doravante inseguro para ele e seus descendentes nesta terra que Deus amaldiçoou (Gênesis 3:17-18)?

 

Bem, pensei comigo, ele não teve que enfrentar tempestades como esta, porque a primeira chuva veio a ocorrer muitos séculos à sua frente, por ocasião do dilúvio, pois até então havia apenas uma neblina que regava a superfície da terra (Gênesis 2:6). Entretanto, independente das intempéries, a vida que ele e a sua descendência levavam era extremamente dificultosa (Gênesis 5:28-29). Já houve quem dissesse que o drama da vida humana é como uma peça teatral que é encenada repetidas vezes sem que o homem se dê conta dessa terrível realidade.

 

Em Eclesiastes 3:9-15, diz o Pregador que o Criador pôs a eternidade na mente da sua criatura sem que ela se apercebesse do que isso representaria em sua plenitude. As pessoas têm vagas intuições a respeito da eternidade, mas sentem que ela é uma realidade por entenderem que algo dura para sempre mesmo que não possam compreender plenamente esse conceito.

 

Não existe nenhuma hipótese, fora das revelações contidas nas Escrituras Sagradas, do ser humano resolver o grande enigma da criação ou do universo infinito, apesar do grande avanço científico existente em nossos dias. Uma coisa é absolutamente certa: o homem jamais conhecerá o seu tempo determinado por Deus (Eclesiastes 3:14). Daí o surgimento de um sem-número de presságios ao longo da história da humanidade que a tem afastado do seu Criador.

 

Por definição, todas as profecias humanas estão fadadas ao erro, pois de fato são meras adivinhações que por vezes até podem acontecer, mas jamais por terem acertado, apenas confirma-se o conceito da lei da probabilidade de que se alguma coisa tem a possibilidade de ocorrer ela acontecerá independentemente da vontade humana.

 

Esses vaticínios se tornam necessários ao ser humano por ser uma forma de escape à sua natural expectação de que a vida é finita, ou então que haverá o dia em que este mundo chegará ao fim. Para aqueles que são Seus, Deus proibiu terminantemente que dessem ouvidos aos prognosticadores a fim de evitar que o Seu povo fosse enredado pelos muitos engodos existentes (Deuteronômio 18:9-14).

 

Sempre haverá aquele que afirmará que isso são coisas de pessoas incultas que vivem na ignorância das suas crendices. Quem assevera tal coisa comete autoengano, de fato está falseando o seu natural sentimento, pois ele próprio, nas profundezas do seu imo, sente a insegurança natural pelo porvir. A primeira coisa que Adão sentiu ao desobedecer a Deus foi o medo (Gênesis 3:10) e, por conseguinte, passou para todos os homens.

 

A verdade absoluta é que a incerteza do amanhã sobressalta a todos os seres humanos seja qual for o seu nível de inteligência. Isso nos remete a Isaac Newton (1642–1727), um dos cientistas britânicos mais célebres pelo seu notável saber, que desenvolveu, dentre outras coisas, a lei da gravitação universal, sendo considerado como o maior matemático-físico até hoje existente, superando o genial Einstein que tinha uma extraordinária intuição da Física, mas não era tão forte na Matemática como Newton.

 

Tanto Newton como Einstein, mesmo sendo grandes gênios da Física, acreditavam na existência de um Ser Supremo, Todo-Poderoso, Criador de todas as coisas, com a diferença que Newton cria em um Deus pessoal e o mesmo não ocorria com Einstein. Newton afirma isso com as suas próprias palavras: “A maravilhosa disposição e harmonia do universo só pode ter tido origem segundo o plano de um Ser que tudo sabe e tudo pode. Isso fica sendo a minha última e mais elevada descoberta”. Há que se lamentar que, apesar da sua religiosidade cristã, ele era ariano, um seguidor da doutrina de Arius que no quarto século afirmava que Jesus Cristo não era Deus, e por isso Newton considerava a adoração a Cristo uma idolatria. Oxalá que antes de partir desta para a outra vida ele tenha reformulado a autenticidade da sua fé.

 

Embora consagrado como físico e matemático, Newton também se dedicava à astronomia, alquimia, filosofia natural e principalmente à teologia, sendo considerado um profundo conhecedor das Escrituras Sagradas. Ele acreditava no primado das Escrituras, mas questionava sua divina inspiração em alguns escritos; ele cria naquilo que se referia a Moisés, mas se contrapunha acerca de outros testemunhos antigos, pois achava que teria havido alterações em textos bíblicos, em particular nos textos trinitários, aos que se referem à Trindade.

 

Em um de seus manuscritos, datado de 1704, ele descreve a sua tentativa de extrair informações científicas a partir da Bíblia. A Biblioteca Nacional de Israel divulgou três manuscritos atribuídos a Isaac Newton nos quais ele calcula a data aproximada do Apocalipse, relacionando profecias com a história política e religiosa europeia daquela época. Ao analisar o livro de Daniel, Newton concluiu que o mundo deveria acabar por volta do ano de 2060: "Ele pode acabar depois desta data, mas não há razão para acabar antes". Em outra análise, o cientista interpreta as profecias bíblicas sobre o retorno dos judeus à terra prometida antes do Apocalipse: "A ruína das nações más, o fim do choro e de todos os problemas, e o retorno dos judeus ao seu próspero reino".

 

Newton acreditava que de fato o Apocalipse seria o último acontecimento na história do mundo, ou o derradeiro destino da humanidade, popularmente conhecido como o fim do mundo. Ele escreveu muitas obras que passariam a ser classificadas como estudos ocultos. Estas obras exploraram o ocultismo, a cronologia, alquimia, e escritos bíblicos propondo-lhes interpretações especialmente do Apocalipse.

 

Por certo, face ao seu intenso envolvimento com teorias místicas e esotéricas, somadas a sua brilhante mente científica, Newton dedicou-se em aprender sozinho o hebraico por acreditar na existência de um código secreto e divino existente na Bíblia. Ele tentou comprovar a existência desse código oculto através de um trabalho exaustivo, de uma rigorosa análise estatística, porém isso seria possível somente com o uso de computadores, não existentes à época, dada a complexidade desses cálculos de probabilidades.

 

Por sinal, com o atual avanço tecnológico, existe um trabalho científico fortemente debatido e contestado nas lides acadêmicas, desenvolvido por três matemáticos israelenses que se esforçam em provar cientificamente a existência de um “código oculto” de sequências de letras equidistantes no Pentateuco (coleção dos cinco primeiros livros da Bíblia que constituem a Torá hebraica). Como não podia deixar de ser, surgem em nossos dias “profetas” asseverando que estaria previsto nesse código que o fim do mundo dar-se-ia entre 2010/2012.

 

Como vemos, o obscuro mundo dos presságios atinge também as mentes mais privilegiadas, inclusive aqueles que foram profundos estudiosos das Escrituras Sagradas, todavia pecaram e continuam a pecar pelo fato de verdadeiramente não terem o conhecimento da Verdade, pois a Palavra de Deus é claríssima: não está ao alcance de nenhum ser humano ou celestial a data ou a época dos acontecimentos apocalípticos.

 

É um enorme equívoco as pessoas estabelecerem tais previsões. É errado fazer algo que Deus diz que não se deve fazer (Mateus 24:35-36; Atos 1:7). Sobremodo lamentável ver pessoas que por décadas se dedicam a estudar com profundidade o Apocalipse venham a cometer tão grave sacrilégio ao estabelecer datas ou épocas para o chamado fim do mundo, pois nesse extraordinário Livro está explícito, dentre outras coisas, que tudo já está previamente estabelecido por Deus - “a hora, o dia, o mês e o ano” - para esses acontecimentos (Apocalipse 9:15), sendo esses dados de Sua exclusiva faculdade.

 

Urge, portanto, que o povo de Deus se dedique com afinco aos estudos do Apocalipse, a fim de que não seja levado pelo engodo dos agouros existentes neste mundo, pois ele é o Livro da Revelação do Senhor Jesus Cristo e nele está garantida a bem-aventurança àqueles que guardam as palavras da profecia contida neste livro (Apocalipse 22:7).

 

Podemos não saber o que o futuro tem nas mãos, mas o importante é saber nas mãos de Quem está – Jesus Cristo, o Senhor. Conforme declarou Corrie ten Boom, uma cristã que sobreviveu aos campos de concentração nazistas: “nunca tenha medo de confiar um futuro desconhecido a um Deus conhecido”. Permita Deus que assim seja!

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