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ANTES QUE OS DEMÔNIOS ASSUMAM (1)
José Carlos Jacintho de Campos - 21/4/2009

Em 1823, no mundo chamado católico, crescia o número de adeptos que suplicavam ao papa a promulgação do dogma da imaculada concepção de Maria, tornando-a assim em pé de igualdade com o Senhor Jesus Cristo, Ele sim concedido sem mácula por obra do Espírito Santo.

 

Dentre os muitos desvios doutrinários que se observaram ao longo dos séculos, este seria a pá de cal que afastaria de uma vez por todas a igreja romana da Verdade contida no Evangelho, ao proclamar a divindade de Maria que doravante passaria a fazer parte de um quarteto sagrado: Deus Pai, Deus Filho, Deus Espírito Santo e Maria, a “deusa mãe”. A grande dificuldade que os devotos da “rainha do céu” encontravam era como sensibilizar o papa a esse respeito e mitigar a indignação dos Protestantes que não se calariam diante de mais esse intolerável contrassenso.

 

Naquela época, mais precisamente na pequenina cidade de Ariano de Puglia, na província de Avellino, em Nápoles, na Itália, havia um menino analfabeto, com cerca de 12 anos, que achavam que era possuído por demônios. Como nenhum remédio fazia o efeito desejável recorreram aos exorcistas da igreja católica muito em voga no século 19 e que eram bastante requisitados.

 

Nessa ocasião, por lá passavam dois célebres padres dominicanos – Gassiti e Pignataro – que se fizeram presentes ao exorcismo daquele menino e, posteriormente, disseram que aproveitaram aquela “sessão de descarrego” para impor a satanás que provasse teologicamente, através de um soneto de rima obrigatória, a concepção sem mácula de Maria, a grande mãe e rainha celeste. Sob a alegação de que até o inferno reconhecia a divindade de Maria eles procuravam derrubar as barreiras internas impostas pelos clérigos que não aceitavam a divinização de Maria e, por outro lado, insuflariam o ânimo dos ardorosos defensores do marianismo.

 

Sem dúvida havia uma astúcia maquiavélica nesses sacerdotes, por debaixo das mangas de suas batinas eles tinham a priori um argumento “ad hominem”, com o qual procurariam confundir seus adversários usando para isso a própria Escritura Sagrada: “Que temos nós contigo, ó Filho de Deus!” (Mateus 8:29), gritavam furiosos os dois endemoninhados de Gedara. Esse argumento seria irresistível! Assim como os demônios reconheceram a divindade do Senhor Jesus, da mesma forma estaria ocorrendo agora, através daquela criança ao recitar uma poesia que teria sido composta no inferno, de que Maria era “a mãe de Deus”.

 

Teria dito o poeta infernal: “Mãe verdadeira sou dum Deus que é filho e filha dele sou, sendo sua mãe. Nasceu na eternidade e é meu filho, eu no tempo nasci e sou mãe. Ele é meu criador e é meu filho, eu sou criatura e sua mãe. É prodígio divino ser meu filho, um Deus eterno que me tem por mãe. Quase comum o ser da mãe e do filho, porque do filho teve o ser a mãe e da mãe teve o ser filho. Ora, se o ser filho vem da mãe, ou se dirá que foi manchado o filho, ou sem mancha se há de dizer a mãe”. No idioma original a rima é perfeita, mas, indiscutivelmente, uma enorme farsa.

 

Não será preciso um grande esforço investigativo para se perceber que foi uma grande armação dos idólatras marianos. Como, em 1823, alguém poderia ter copiado essa poesia que teria sido dita rapidamente por um demônio através de um infante analfabeto? Sabemos que os gravadores não existiam à época, seria, portanto, aqueles padres exímios taquígrafos para copiarem de plano essa composição demoníaca? É claro que aproveitaram essa oportunidade para criar um grande circo em torno dessa poesia inventada por eles próprios para que os opositores à tese da imaculada concepção de Maria se quedassem inertes.

 

Passados trinta anos foi apresentado ao papa Pio IX esse soneto maliciosamente inventado e o velho pontífice desandou a chorar diante do que ouvia. Foi um apelo sedutor, afinal até mesmo os demônios glorificavam à “santíssima virgem”. Naquele mesmo ano, em 8/12/1854, na bula “Ineffabilis Deus”, Pio IX proclamava o dogma da imaculada conceição, que passou a ser fé constante do catolicismo romano. Como diz Oscar Quevedo, apesar de ser padre jesuíta: “custa-me acreditar que Pio IX acreditasse na origem diabólica da poesia”.

 

Como diz Salomão sobre a eterna mesmice: “Há alguma coisa de que se possa dizer: Vê, isto é novo? Não! Já foi nos séculos que foram antes nós” (Eclesiastes 1:10). Antes ele asseverara que nada há de novo debaixo sol (v. 9). Não demorou muito para que nos inícios do século seguinte (1910), um grupo de igrejas consideradas evangélicas passasse a fazer vista grossa sobre a divinização de Maria, ao inventarem, em nome da “união das igrejas cristãs”, o movimento ecumênico, que é, sem dúvida, uma excrescência insuportável à sã doutrina. Atualmente esse movimento é institucionalizado através do Conselho Mundial das Igrejas.

 

Voltando aos demônios! Não é exatamente isso que está a ocorrer em nossos dias com o segmento chamado evangélico, onde até grutas que emanam água estão sendo construídas nos prédios onde se reúnem as igrejas? Só falta colocarem a “santa” nessas grutas! É patente em nossos dias a busca desenfreada e ridícula do testemunho dos demônios em muitos cultos evangélicos e a exacerbada propagação da atuação dos demônios sobre as pessoas, inclusive sobre os “crentes”.

 

Mesmo no meio das igrejas tidas como mais conservadoras (como as dos “irmãos”), já se veem anúncios de “cultos de libertação”, trazendo em si a insinuação de que todos estão “possuídos”, inclusive seus membros, que precisam ser libertos de toda sorte de doenças, que vai da verruga à aids, desavenças, adultérios, dívidas, falta de dinheiro e outros infortúnios que estariam sendo causados pelos demônios infestados nessas pessoas.

 

Libertação do quê, pergunto eu, se não mais estamos debaixo de qualquer condenação? Se realmente cremos nas Escrituras Sagradas, somos completamente libertos ao recebermos o Senhor Jesus como o nosso absoluto Senhor e Salvador. A partir desse momento estamos livres da culpa, da pena e do domínio do pecado sobre nós (Romanos, capítulos 6 a 8). Que estória é essa, então, de que precisamos dar mais um passo – o da libertação? Diz o Senhor Jesus: “Eu sou... a verdade” (João 14:6); “conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” (João 8:32). Que Evangelho é esse que estão a pregar em nossos dias?

 

Há que se deixar manifesto, de forma claríssima, que não há nenhuma hipótese do diabo tocar ou possuir um autêntico filho de Deus. Narrativas sobre cristãos endemoninhados não passam de ignorância, má-fé, ou exploração da crendice popular. Diz-nos as Escrituras: “resisti ao diabo, e ele fugirá de vós” (Tiago 4:7). “O diabo, vosso adversário, anda em derredor, como leão que ruge procurando alguém para devorar; resisti-lhe firmes na fé” (1 Pedro 5:8-9). "Sabemos que todo aquele que é nascido de Deus não peca; mas o que de Deus é gerado conserva-se a si mesmo, e o maligno não lhe toca" (1João 5:18).

 

Vê-se, portanto, que o diabo tenta, espreita no entorno, mas não habita naquele que é de Cristo! Como num mesmo espírito poderá coabitar o Espírito de Deus e os demônios? Não será preciso muito esforço mental para compreender essa realidade que onde houver luz é impossível que haja trevas. Por definição, trevas são a ausência de luz. Até uma criança sabe disso ao ligar um interruptor de luz antes de entrar em um quarto escuro.

 

Muito se tem escrito a respeito, mas as mentes parecem estar cauterizadas apesar dos alertas que estão sendo dados. As igrejas das mais variadas denominações estão a se desmoronar espiritualmente. Como tal teologia pôde penetrar no seio das igrejas, onde os demônios passaram a ser o principal personagem e o Senhor Jesus Cristo mero coadjuvante? Hoje o Senhor é procurado e mencionado para providenciar o tal “livramento” ou então tornar ricos os mais gananciosos através do espalhafatoso ensino da teoria da prosperidade, onde só não abundam em bens materiais aqueles que estiverem em pecado ou com o demônio no corpo.

 

Já houve quem dissesse que a atual geração é a do “micro-ondas”, onde tudo tem que ser feito muito rapidinho, pois não há tempo a se perder. Infelizmente assim está ocorrendo com essas igrejas, onde se aceita qualquer um que traga uma nova ideia, um novo jeito, um novo ensino, uma nova metodologia de evangelismo ou discipulado. Ninguém para pra pensar de onde está vindo aquilo ou quem está por detrás. Coloca-se aquele “pacote espiritual” goela abaixo dos membros da igreja como se aquilo fosse o alimento mais completo que existe, pois foi trazido por um “especialista”, pretendendo que esses tais reanimem a vida da igreja.

 

Lembremo-nos do antigo profeta ao descrever a lamentável condição do povo de Deus, bem à semelhança dos dias atuais, que mesmo em profunda transgressão procuravam diariamente Deus, revelavam até um certo prazer em saber quais eram os caminhos do Senhor, como um povo que estivesse a praticar justiça, mas de fato estava distante dessa verdade, pois aquele povo cuidava dos seus próprios interesses (Isaías 58:1-3).

 

É lamentável que nossos ouvidos não estejam atentos ao dizer de Paulo aos cristãos em Corinto que com a maior brandura toleravam aqueles que pregavam a “um outro Jesus” que ele Paulo não tinha anunciado; aceitavam um “outro espírito”, diferente daquele que eles tinham recebido e abraçavam um “outro evangelho” diferente daquele em que haviam sido ensinados (2 Coríntios 11:4).

 

É muito provável que o tempo em que as “bestas apocalípticas” irão se manifestar não esteja tão distante de nossos dias, mas não será por causa disso que iremos permitir que seus demônios assumam antes do tempo aquela que deveria ser a Igreja de Deus. Para isso, ouçamos atentamente o que nos diz Paulo: “Assim, pois, irmãos, permanecei firmes e guardai as tradições que vos foram ensinadas, seja por palavra, seja por epístola nossa” (2 Tessalonicenses 2:15). Permita Deus que assim seja!

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