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ANTES QUE OS DEMÔNIOS ASSUMAM (2)
José Carlos Jacintho de Campos - 15/6/2009

Notícias recentes dão conta que uma angustiada britânica, após ter utilizado quase todos os tipos conhecidos de tratamento para se livrar da obesidade que tanto a incomodava, fez uma experiência hipnoterapeuta com a aparência de ser algo inusitado, mas sabemos que não é, pois desde a Grécia antiga Hipócrates, tido como o pai da medicina, já utilizava essa terapia, assim como ocorre de forma semelhante em vários cultos “evangélicos” que promovem grandes catarses coletivas, que de fato são verdadeiras lavagens ou induções cerebrais.

 

Disse aquela mulher: Tentei todos os tipos de dieta e nada adiantou, agora emagreço mais de um quilo por semana porque “acredito” que tenho um anel redutor em torno do meu estômago. Passei por cinco sessões de hipnoterapia durante as quais fui “convencida” que meu estômago foi reduzido ao tamanho de uma bola de golfe e, desde então, consigo comer apenas pequenas porções de comida. Durante as sessões, os hipnoterapeutas espalharam pela sala aromas “semelhantes” aos dos cheiros de um hospital e, em um dado momento, pude sentir um aperto em meu estômago como se um anel estivesse sendo instalado no órgão para reduzir seu tamanho. O incrível é que posso lembrar cada parte do procedimento, desde o momento em que fui levada de maca para a sala, o barulho do bisturi do cirurgião, e até o cheiro da anestesia. Atentemos para as três expressões por ela usadas: acredito, convencida e semelhantes!

 

Em passado remoto os ocultistas já eram muito procurados pelos efeitos mágicos que exerciam sobre seus consulentes. Eles os conduziam a “acreditarem” que através dos pensamentos positivos eles se livrariam daquilo que lhes trazia tantos transtornos. Chamavam isso de a “força do pensamento” e coisas do gênero “semelhantes” a isso. Evidentemente não deixavam de dar ao tratamento uma aura de misticismo, pois seus pacientes deveriam ficar psicologicamente “convencidos” de que os resultados já tinham sido alcançados, afinal eles pagavam para isso e seria importante que se tornassem clientes cativos e viessem a outras sessões trazendo consigo, é claro, seus conhecidos e parentela que se tornariam novos clientes face à pseudorreações alcançadas.

 

Hoje sabemos que de fato ocorria uma mera influência psicológica por indução desses místicos, algo semelhante ao efeito do “placebo” farmacológico usado em alguns tratamentos que nada mais é que um falso remédio, sem nenhum componente farmacológico, mas com o aspecto idêntico ao de um remédio cujo agente estivesse ativo. Portanto, qualquer resultado de “cura” através do placebo é meramente de natureza psicológica, de fato o paciente é levado a “acreditar”, como nas mistificações de outrora, que aquele comprimido o levará à cura tão ardentemente desejada, assim como ocorreu com essa mulher que se submeteu ao tratamento hipnótico para eliminar o grande mal que lhe afligia, a sua obesidade.

 

Resta saber quando essa mulher irá parar de emagrecer? Há um sério risco de que ela possa desenvolver uma fobia por comida a longo prazo devido aos efeitos que a hipnose provocou em sua mente e por certo terá que passar por novas sessões a fim de apagar da sua memória a “sugerência” a que foi submetida.

 

Desnecessário lembrar-se dos grandes riscos de sequelas mentais que as pessoas correm ao se submeterem a essas sessões de hipnose e coisas semelhantes, como acontecem em certos “encontros secretos” promovidos por entidades “evangélicas”, e até mesmo “igrejas cristãs”, onde pessoas sem nenhuma experiência brincam com algo extremamente perigoso, pois um dos fenômenos mais comuns incitado pelo transe hipnótico é a hiperminésia que significa a intensificação da memória que leva à lembrança de fatos passados. Isso acontece espontaneamente quando é possível constatar que a regressão em idade é algo possível e facilmente alcançado, que oportuniza reviver emoções da infância. A hiperminésia tem gerado grandes equívocos, muitos entendem esse fenômeno, apoiados em crenças religiosas, como regressão às vidas passadas. Um cristão acreditar nessa enorme besteira é inconcebível, pois não existem vidas passadas, um cristão autêntico crê na ressurreição, jamais, sob nenhuma hipótese, na reencarnação.

 

A esta altura o prezado leitor deve estar a pensar: o que tem a ver esse longo comentário sobre a hipnose com os demônios? Vamos a eles, tendo em mente aquelas três expressões usadas pela hipnotizada britânica: ela “acreditou” e foi “convencida” por causa da “semelhança”.

 

O que observamos em nossos dias no segmento tido como evangélico? Vemos o surgimento de um grande equívoco, a crescente “crendice” de pessoas que foram “convencidas” que aquilo que ouvem é algo igual ou muito “semelhante” ao verdadeiro Evangelho, que agora lhes está sendo apresentado com nova roupagem, logo aquilo que lhes está sendo pregado estaria vindo da parte de Deus, mas na verdade vem de pregadores que estão a dar grande ênfase aos demônios, que no dizer de Paulo não passam de “falsos apóstolos, obreiros fraudulentos, transformando-se em apóstolos de Cristo. E não é de se admirar, porque o próprio Satanás se transforma em anjo de luz. Não é muito, pois, que os seus próprios ministros se transformem em ministros de justiça, e o fim deles será conforme as suas obras” (2Coríntios 11:13-15).

 

Esses tais estão a promover uma lavagem cerebral em seus ouvintes levando-os a acreditar em toda sorte de correntes, novenas e jejuns, além de flores, lenços, óleo, água, sabonete, perfume, medalhinhas, pulseiras, pentes, panos, e coisas sem fim, que dizem ter o poder de afastar os demônios que estariam a influenciar suas vidas ou habitando em seus corpos, ou seja, tudo e todos estariam sob o domínio dos demônios, e isso é absolutamente falso.

 

Quais são os maiores inimigos que um cristão autêntico tem neste mundo? Por certo a sua resposta imediata seria: “o mundo”, porque ele nos odeia (1 João 3:13); “a carne”, que luta contra o Espírito que está em nós (Gálatas 5:16-17); “o pecado”, que tenazmente nos assedia (Hebreus 12:1); e o diabo, que anda ao derredor procurando a quem possa tragar (1 Pedro 5:8-9). Todavia, as pessoas se esquecem que o mais pernicioso inimigo é o joio e são raros aqueles que o citam.

 

Em seu terceiro discurso principal em Mateus 13, o Senhor Jesus, ao discorrer sobre o Reino de Deus, em sete parábolas, evoca, por comparação, a figura do “joio”, que pela dificuldade que trouxe aos Seus discípulos Ele precisou lhes dar uma explicação à parte (vs. 36-43). Por que e para que o Senhor usou o joio como coisa comparada? O que vem a ser o joio? Ele é uma gramínea nociva cujas sementes têm um alto teor de veneno que causam desde uma simples sonolência e, dependendo da quantidade ingerida, até a morte. O seu grande risco é que o joio é muito semelhante ao trigo e somente aqueles que conhecem o trigal poderão identificá-lo e isso por ocasião da ceifa. Os antigos rabinos o chamavam de “bastardo”.

 

Nesse seu discurso, o Senhor Jesus compara o reino dos céus ao homem que semeia a boa semente no seu campo, todavia, ao dormir, vem o inimigo e semeia o joio no meio do trigal e ambos crescem juntos, porém um para o bem, porque foi semeado pelo próprio Senhor, e o outro para o mal, por serem filhos do maligno apesar da grande semelhança que há entre um e outro.

 

Nessa interpretação aos Seus discípulos o Senhor Jesus diz que o campo é o mundo, não a igreja, a boa semente são os cristãos autênticos que formam a igreja verdadeira, ou seja, por aqueles que foram plantados pelo próprio Senhor, por sua vez o diabo planta os seus nesse mesmo mundo, mas o faz com tremenda semelhança com o fruto da semente verdadeira e leva as pessoas a uma enorme confusão e isso justifica o surgimento de tão variadas seitas cristãs.

 

O grande problema é que as pessoas confundem a Igreja de Deus com as paredes de um templo, casa de oração etc., todavia a Igreja verdadeira são as pessoas convertidas e habitadas pelo Espírito Santo, não os tijolos de um edifício qualquer. Partindo-se dessa premissa, em qualquer ajuntamento de pessoas debaixo de um mesmo teto, poderá haver “trigos e joios” e por isso o Senhor determina para que não se lance mão sobre os possíveis joios, pois de fato poderá estar atingindo um cristão verdadeiro.

 

Por certo isso explica a exacerbação da demoniomania dos dias atuais nas igrejas das mais variadas denominações, inclusive em algumas “dos irmãos”, pois ninguém está livre da presença do joio, e as pessoas se deixam iludir por desconhecerem as Escrituras. Em Mateus 7 o Senhor Jesus deixa uma grave advertência às pessoas que professam conhecê-Lo, mas nunca se converteram a Ele. No dia do julgamento esses falsos mestres comparecerão perante o Senhor (Apocalipse 20:11-15) e eles argumentarão dizendo que profetizaram, expeliram demônios, fizeram muitos milagres em nome de Jesus, porém o Senhor lhes dirá explicitamente “nunca vos conheci” (v. 23). O joio e aqueles que são por ele convencidos estão atrás das bênçãos do Senhor, mas não do Senhor das bênçãos.

 

Diz-nos o saudoso irmão William MacDonald em seus comentários sobre o Evangelho de Mateus: “Desses versículos aprendemos que nem todos os milagres são de origem divina e que nem todos que fazem milagres são autorizados divinamente. Um milagre simplesmente demonstra que um poder sobrenatural está operando e esse poder poderá ser divino ou satânico. Satanás pode autorizar seus obreiros a expulsar demônios “temporariamente” para criar a ilusão de que o milagre é divino. Nesse caso ele não estará dividindo o seu reino contra si mesmo, mas articulando uma invasão de demônios muito pior no futuro”.

 

Portanto, antes que os demônios assumam por completo aquilo que seria a Igreja de Deus, mas não é, todo cuidado é pouco. Há que se colocar um basta em copiar as ideias de outros trabalhos por terem a aparência de serem bem intencionados, bem como há que se ter a devida cautela com aquilo que se está lendo ou assistindo, pois poderemos estar assimilando falsos ensinos como que vindos do Senhor. Não se permita a uma lavagem cerebral que de espiritual não tem absolutamente nada, não se deixe convencer pelas crendices apesar da semelhança que possa existir. Ouçamos a Paulo: “Tu, porém, permanece naquilo que aprendeste... sabendo de quem o aprendeste” (1 Timóteo 3:14). Permita Deus que assim seja!

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