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ANTES QUE OS DEMÔNIOS ASSUMAM (3)
José Carlos Jacintho de Campos - 8/10/2009

Em meu caminhar matinal, ao longo de tantos anos, muitas pessoas se tornam conhecidas de vista e algumas chamam mais a atenção do que outras por aparentarem estar falando sozinhas. é claro que atualmente, com o avanço tecnológico, muitas delas parecem falar ao vento, mas de fato estão a portar o fone de ouvido do seu telefone móvel, todavia não me refiro propriamente a essas, mas àquelas que “estão a falar com os seus botões”, como diriam os antigos, ou seja, sem telefones portáteis ou companhias ao seu lado.

 

Dentre essas pessoas um homem me fazia observá-lo mais atentamente, o seu semblante deixava transparecer que sofria de algum transtorno mental e via-se que não se tratava de um desequilibrado solto nas ruas, pois a forma de se portar e as roupas que usava davam conta de ser uma pessoa que tinha uma boa assistência médica e familiar.

 

Eu jamais seria indelicado de pará-lo para lhe perguntar o motivo daquilo, mas a minha curiosidade me levou a pesquisar sobre as causas que levam as pessoas a esse padrão mental, tendo em vista que a insinuação que seria dada por aqueles que veem demônios em tudo me parecia por demais simplista e sabemos que a qualquer tempo a mente pode adoecer independentemente de uma atuação diabólica.

 

Em minhas leituras deparei-me com o relato de Gabriel. “Ele terminara seus estudos e começou a trabalhar. Até então a sua vida seguia um curso natural. Ele passava por um período de transição entre o ambiente escolar e o do trabalho, com mais responsabilidades e uma rotina mais rígida. Foi a partir dessas mudanças que ele começou a sentir certas dificuldades que antes não percebia e com isso o seu comportamento no trabalho e em casa começou a mudar gradualmente que o levou a se isolar das pessoas”. Como ele não fazia uso de drogas, as evidências do seu novo comportamento revelavam que ocorria nele um episódio psicótico que em seguida foi identificado como esquizofrenia, uma doença mental grave, porém controlável através de medicamentos.

 

Entre os delírios que surgem com essa doença há o da “alucinação auditiva” que leva o doente mental a percepções estranhas ao ouvir vozes, boas e más, ninguém as escuta, somente ele. A dificuldade do portador de esquizofrenia está em entender que essas vozes estão sendo geradas em sua mente enferma e não no ambiente em que vive. Essas vozes não são externas, mas produzidas dentro da própria cabeça do doente mental. Certamente esse é o caso daquele homem que cruza comigo em suas caminhadas diárias e desanda a conversar sem perceber que está a caminhar sozinho não conseguindo distinguir a diferença entre a ilusão e a razão.

 

Foi em algumas dessas caminhadas que fiquei a pensar na quantidade de “vozes” tidas como espirituais que as pessoas estão a ouvir diariamente através das rádios, dos programas televisivos e nas igrejas dos mais variados credos que, por se identificarem como cristãs, estão a gerar uma brutal confusão mental naqueles que as ouvem, tornando-os “esquizofrênicos espirituais”, tendo em vista o controverso existente entre tantas “vozes evangelicais”.

 

Nunca se falou e escreveu tanto sobre Jesus Cristo como neste terceiro milênio da Sua era, somente na Internet o número ultrapassa a centenas de milhões de inserções nos mais variados idiomas. Mas o que há de verdadeiro nessas “vozes”? Assim como para o esquizofrênico é difícil entender a diferença entre a ilusão e a razão, num paradigma podemos concluir que o mesmo está acontecendo com a parte espiritual das pessoas, pois, pelos testemunhos que ouço, hoje está quase impossível identificar a diferença entre a fé verdadeira e o ilusório criado pelos pregadores e escritores tidos como evangélicos em nossos dias.

 

Vivemos dias de um “evangelicalismo” desregrado. Ninguém sabe definir o que vem a ser isso. Para os que desconhecem as Escrituras a confusão é generalizada. É sobremodo lamentável a perda da autenticidade cristã que está fazendo um terrível mal levando as pessoas à “esquizofrenia espiritual” por não conseguirem diferençar o falso do verdadeiro, a verdade da mentira. Já houve quem dissesse que a perda de identidade das igrejas denominadas como evangélicas é irreversível, a seguir só virá o pior, com exceção de algumas poucas igrejas que lutam para manter a sua integralidade.

 

Porém, como diz Salomão, nada há de novo debaixo do sol. Essa perda de identidade cristã é tão antiga como a reforma protestante, pois não demorou muito para que surgissem interpretações estranhas que causariam graves equívocos séculos à frente, conforme ocorrido com a predestinação que atualmente se tornou fatalista, ou seja, se alguém estiver predestinado para a Salvação não tem com que se preocupar, pois, de alguma forma, chegará a ela por ter sido “carimbado” por Deus antes de virem a este mundo. Por sua vez, os que não foram “carimbados” fatalmente irão para a perdição eterna.

 

Por outro lado, como contraponto, surgiram os defensores do livre-arbítrio procurando demonstrar as incoerências dessa eleição onde, a priori, Deus estaria a selecionar aqueles que iriam ou não para o inferno. De fato, Deus concedeu ao homem o direito de decidir, de fazer a sua escolha, e sabemos que desde o princípio o homem errou a tomar a pior decisão que poderia existir, a de desobedecer a Deus.

 

Os que defendem a tese do “carimbo divino” ferrenhamente apregoam esse princípio que seria o mesmo que dizer: “deixa a vida te levar, atende aos desejos do teu coração, mesmo porque “tá escrito” que a carne para nada presta, e como tu és um eleito de Deus foste predestinado desde o princípio e chegará o tempo em que serás arrebanhado para o aprisco do Senhor”. Misericórdia! O pior é que não são poucos os que assim pensam, iludidos que estão pelos seus líderes religiosos.

 

Como vemos, desde os inícios da Reforma já existiam duas “vozes”, que em nossos dias se multiplicaram de forma alucinante. Que “evangelho” tem se pregado atualmente? Sem dúvida há uma enorme inversão de valores! Hoje as pessoas são induzidas a se livrarem dos demônios que estariam a lhes assediar a fim de que tenham sucesso e prosperidade material, tanto financeira como na saúde. De certa forma as pessoas são induzidas psicoticamente a buscar primeiro as demais coisas, e o reino de Deus e a Sua justiça lhes seriam acrescentados posteriormente. Sabemos que o inverso é absolutamente verdadeiro (Mateus 6:33). Esses tais estão à busca das bênçãos do Senhor, mas não do Senhor das bênçãos.

 

Como ficam esses que assim pensam? Lamentavelmente condenados à perdição pelo engano de se preocuparem em resolver suas dificuldades temporais em vez das espirituais. Permita Deus que essas pessoas possam, a tempo, buscar a única verdade que lhes importa neste mundo aterrador que é a Redenção de Deus através da obra efetuada pelo Seu amado Filho, o Senhor Jesus Cristo.

 

Hoje em dia, quando contemplamos o segmento chamado de evangélico, vemos que há dois tipos de cristão: aqueles que têm uma perspectiva eterna e aqueles que estão preocupados com o presente. Um está absorvido com o que é permanente, o outro com o que é passageiro. Um ajunta tesouros no céu, o outro os quer acumular aqui na terra. Um está disposto a enfrentar as aflições do tempo presente por causa da “glória a ser revelada” (Romanos 8:18), ao passo que o outro acredita que a felicidade é ser próspero e famoso.

 

Isto nos remete a Abraão que tinha uma notável perspectiva do porvir. Esta perspectiva o capacitou, ao contrário de Ló, a desistir de um pedaço de terra bem-irrigado perto do Jordão (Gênesis 13), porque ele tinha completa convicção que Deus lhe havia preparado algo muito melhor. Muitos incautos têm sido levados, por mestres inescrupulosos, a não entenderem esta realidade e preferem desfrutar o aqui e agora em vez da possessão infinitamente melhor e permanente que está reservada a todo aquele que verdadeiramente teme a Deus e a Ele pertence (Hebreus 10:34).

 

E quanto a esses que persistem no erro e estão a enganar um número tão grande de pessoas? Na verdade eles agem como se “psicopatas espirituais” fossem. Quando se fala em psicopatas de pronto vem à nossa mente um indivíduo com cara de mau e truculento, esse é o grande equívoco. Por definição, psicopata é um grande sedutor, possuidor de uma enorme capacidade de convencimento e com extrema frieza usa as pessoas com a única intenção de alcançar os seus sórdidos objetivos, pois nele não há sentimentos.

 

Tristemente vemos o crescimento dessa postura, onde muitos estão se tornando líderes de grandes ajuntamentos com palavras doces, de autoajuda e com falsas promessas de prosperidade. De fato eles não estão preocupados com a situação espiritual das pessoas que os seguem cegamente. O que vale para esses “psicopatas espirituais” é o dinheiro que arrecadam que lhes traz enorme conforto e poder, atendendo ao exacerbado egotismo que possuem através do uso de titulação de “alta” graduação honorífica como apóstolo, bispo primaz, pastor presidente, dentre outros. Não estão distantes os dias em que irão se identificar como “Vice-Cristo”, ou algo próximo a isso.

 

De fato, são guias cegos e, como nos diz o Senhor Jesus, “se um cego guiar outro cego, ambos cairão no barranco” (Mateus 15:14). Contrariamente a isso devemos ter em constante lembrança os ensinos daqueles que nos falam acerca da absoluta verdade contida na Palavra de Deus (Hebreus 13:7), a fim de se evitar que os demônios assumam antes do tempo aquilo que deveria ser a igreja do Senhor.

 

Esse tempo se aproxima celeremente quando será revelado o homem do pecado que se apresentará como Deus (2 Tessalonicenses 2:1-17). O ministério da iniquidade já está em franca operação e há somente Um que detém o filho da perdição: o Espírito Santo – que habita em todo aquele que verdadeiramente crê no Senhor Jesus Cristo – que será retirado deste mundo com a chegada do Senhor para buscar aqueles que amam a Sua vinda. A estes está guardada a coroa da justiça (2 Timóteo 4:8). Portanto, regozijemo-nos sempre no Senhor e nos apeguemos, somente, nas revelações contidas na Palavra de Deus. Permita Deus que assim seja!

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