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ADIVINHAÇÃO NÃO COMBATE VÍRUS
José Carlos Jacintho de Campos - 28/4/2020

Na tradição religiosa judaica há a prática medieval da cabala, um sistema filosófico e religioso místico seguido pelos ocultistas que, segundo os adivinhos da época, permitia desvendar os segredos ocultos na Torá, livro sagrado dos judeus.

 

Há que se observar que na própria Torá tal prática era condenada à morte por Deus: "Quando, pois, algum homem ou mulher em si tiver um espírito de necromancia ou espírito de adivinhação, certamente morrerá; serão apedrejados; o seu sangue será sobre eles" (Levítico 20:27). Cumprindo com essa ordenança, o rei Josias extirpou do meio de Israel os adivinhos que eram praticantes dessa abominação. (Leia 2 Reis 23:24).

 

Todavia, caro leitor, coisa ruim é que nem praga, difícil de se livrar. Diz o dito popular: “não existe nada tão ruim que não possa ficar pior”. Essa prática continuou ao longo dos séculos e a vemos sendo cultivada no Novo Testamento conforme nos revela Lucas ao escrever o livro de Atos dos Apóstolos:

 

− “Passando Paulo e Silas por Filipos a caminho do local de oração lhes saiu ao encontro uma jovem possessa de espírito adivinhador, a qual, adivinhando, dava grande lucro aos seus senhores. Aos berros ela clamava diariamente de forma interesseira, claro, dizendo que aqueles discípulos eram servos do Deus Altíssimo que anunciavam o caminho de Deus. Indignado Paulo se dirigiu ao espírito imundo que nela encarnava para que se retirasse dela. Na mesma hora ele saiu”. (Leia o capítulo 16 de Atos).


Pois então, prezado leitor, vê-se de imediato que essa prática é coisa que um cristão autêntico não tem que se envolver, pois toda adivinhação é condenada nas Escrituras.

 

Chegamos a 2020, um ano cujo número é considerado cabalístico pelos místicos que praticam o ocultismo e até chegam a dizer que são cristãos. Se não bastasse isso, este mesmo ano é bissexto que significa que há um dia a mais no mês de fevereiro e muita lenda foi criada em torno desses anos com 366 dias. Isso ocorre a cada quatro anos. Eu nasci num ano bissexto, caro leitor. Você sabe o que significa isso? Esteja certo, absolutamente nada!

 

Mas a “profetada”, aqueles que fazem profecias falsas, não deixaria que esse ano passasse em branco. Muita besteira já foi dita ao longo deste primeiro semestre. Até no meio que me reúno, tido como conservador, eu ouvi um áudio de alguém do nosso meio a asseverar que a partir do dia 1/4 deste ano o Brasil estaria imunizado contra a praga do “corona vírus”. Acho que, por afirmações como essa, o dia (primeiro de abril) é considerado o “dia da mentira”.

 

Quando eu ouvi, pensei de plano: há uma grave responsabilidade civil nessa afirmação, pois uma pessoa pode se iludir e sair da sua quarentena, ir desprotegida às ruas e se contaminar com esse bicho chinês altamente letal que poderá levá-la a óbito. Enquanto não se descobre uma vacina que o extermine devemos ser prudentes e não desafiar a Deus.

 

O combate a esse vírus será longo e poderá levar anos. Será algo bastante demorado, pois além da vacina nem remédio há para o combate a esse mal. O momento não é de bravatas, mas de moderação, prudência e obediência, lembrando a postura do Senhor diante do desafio que teve: “Também está escrito: Não tentarás o Senhor teu Deus” (Mateus 4:7), disse Ele ao diabo ao ser tentado no deserto.

 

Se não bastasse o exacerbado “profetismo evangélico”, que gera tanta confusão no meio da cristandade, somos expostos diariamente às previsões alarmistas dos teóricos da conspiração que nos vêm pela Internet. Haja paciência! é um festival. Parece um circo de horrores. Por sua vez, a mídia tradicional dedica um enorme espaço de seus horários nobres para essas divulgações. é um açodamento midiático insuportável.

 

Como não poderia deixar de ser, em função da mortandade provocada pelo “Covid-19”, o tema “anticristo” volta ao noticiário com bastante força. Quanta besteira é dita e escrita. Mas faz parte da tecnologia da informação. Ainda assim, seria pior sem ela, pois há gente séria, bem intencionada, que procura respostas diante dessa grave pandemia que estamos a vivenciar, só vista em tempos antigos como a devastadora gripe espanhola, a peste negra, dentre outras.

 

Nestes dias, chegou-me a seguinte pergunta: “Acredito que estamos vivendo um tempo que a Bíblia chama de 'princípio das dores'. Como você interpreta esse período de pandemia?”. Respondi:

 

− Quanto ao princípio das dores, esse é um entendimento daqueles que acham que os cristãos passarão "em parte" pela tribulação, dividindo esse período escatológico de 7 anos de intensa tribulação em duas partes: "o princípio das dores" (3 anos e meio) e a "grande tribulação" (a metade restante). Acreditam que os cristãos aqui estariam no primeiro período. Sem chance!


Entendo que não há esse meio a meio interpretado equivocadamente. O contexto bíblico sobre a Escatologia revela claramente que os cristãos autênticos não estarão mais aqui desde antes da tribulação começar e, por conta disso, não terão nenhum contato com as bestas do Apocalipse. A Graça (este nosso atual período) não verá nem de longe essas figuras hediondas. Até que seja retirada, a Graça impede a manifestação dessas bestas.


Em parte, esse equívoco é conduzido pela titulação colocada nas Escrituras que cria os dois períodos: "O princípio das dores" (Mateus 24:3-14) e "A grande tribulação" (Mateus 24:15-28). Nos originais das Escrituras não existem títulos e nem numeração de capítulos e versículos. Ao longo do tempo os decodificadores criaram títulos e subtítulos. Alguns dizem que foi o Espírito Santo que os orientou a fazê-lo, se assim fosse também teríamos que aceitar as bulas papais, pois da mesma forma são consideradas como infalíveis.


Existe um princípio pétreo de interpretação das Escrituras: Para quem foi escrito determinado texto? Israel, Igreja ou aos gentios? Se errou o pano de fundo tudo mais estará distorcido. Por definição, Mateus 24 foi escrito para Israel. O contexto revela isso com clareza.

 

Lemos em Mateus 24:3 os discípulos indagá-Lo qual seria o sinal da Sua vinda e do fim dos tempos. A incredulidade dos judeus exigia que houvesse sinais para comprovação (1 Coríntios 1:22), entretanto não há nenhum sinal que anteceda a vinda do Senhor para buscar os Seus, porque ela é iminente, a qualquer momento, num piscar de olhos (1 Coríntios 15:52). Pode ser hoje! Maranata!


Revelando somente o que está escrito originalmente, em Atos 2 dá-se o início da dispensação da Graça (a atual), com a descida do Espírito Santo, conforme prometido pelo Senhor Jesus. Essa fase será encerrada somente quando o mesmo Espírito for retirado juntamente com aqueles que são efetivamente do Senhor, quer estejam mortos (pela ressurreição) ou vivos (pelo arrebatamento).


Paulo é inconteste acerca disso: 1 Coríntios 15:50-52 e 1 Tessalonicenses 4:13-18 (veja bem o que diz o verso 18: "seremos arrebatados com eles (os ressuscitados) entre nuvens, para o encontro do Senhor nos ares”). Em nenhum momento o Espírito através de Paulo diz que o Senhor colocará os pés na Terra nessa oportunidade. Nesse contexto Ele virá exclusivamente para buscar a Sua Igreja. Quando vier para pisar na Terra (Zacarias 14) será para estabelecer o Seu reino milenar e dar um fim ao governo das bestas do Apocalipse (capítulos 19 e 20).


A tribulação que virá sobre a Terra durará 7 anos, os que são do Senhor em nenhum momento por ela passarão. Os que são d'Ele não estão destinados para a ira vindoura: João 3:36; Romanos 2:5; 5:9; 1Tessalonicenses 1:10; 5:9. São muitas passagens a revelar essa condição. Somente aqueles que não são nascidos do Espírito é que lá estarão.


Quanto a esse "bicho chinês", provavelmente um produto de laboratório com fim específico, a meu ver faz parte da montagem do cenário para o popularmente chamado "fim dos tempos", mas as duas bestas somente serão reveladas na época, dia e hora estabelecidos pelo Pai e aqui já não mais estaremos. Esse vírus é coisa pequena diante da peste que ocorrerá na grande tribulação com abertura do quarto selo que revela a mortandade de 25% da população que virá sobre a humanidade. Não deixe de ler Apocalipse 6:8 e demais.


Quando falo em "cenário", isso abrange todas as áreas das atividades humanas: social, econômica e tecnológica (ciência). Após esse vírus o mundo não será o mesmo; não haverá volta à "normalidade", mas contemplaremos uma "nova realidade". Ao encerrar esta crônica, prezado leitor, chegou-me a notícia de que cientistas chineses detectaram corona vírus ativos no ar em ruas e prédios próximos a hospitais. Há também os que afirmam que a presença de antivírus gerado pelo organismo não garante que essas pessoas estejam imunizadas. Situação muito complicada. Sendo verdadeiras essas afirmações, que seja logo descoberta a vacina que evite esse contágio. Permita Deus que assim seja!

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