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A GRAÇA É PARA TODOS
José Carlos Jacintho de Campos - 29/2/2020

É habitual ouvir-se em nossos dias, onde quer que seja, a afirmação que todas as religiões são iguais, todas são boas e todas levam o ser humano a contatar um ente divino seja ele qual for. Será mesmo, caro leitor?

 

Vemos até ateus declarados a se apresentar como filósofos dos tempos modernos que se tornam oráculos daqueles que não creem na existência de um ser superior e, através desses intelectuais, buscam a “felicidade” e a resposta para as suas crises existenciais. Esses tais se tornaram arautos da “verdade” e angariam ainda mais fama. Com a venda dos seus livros de autoajuda na realidade só ajudam a si próprios pelo ganho financeiro expressivo que essa prática proporciona. Tolo é quem acredita que a filosofia tem a resposta para as aflições desta vida.

 

Nenhuma novidade nisso, não é mesmo? Isso se pratica desde a antiguidade. é a eterna mesmice pregada por Salomão de que tudo que foi é o que há de ser e o que se fez se tornará a fazer, pois nada há de novo debaixo do sol (Eclesiastes 1:9). O que muda é a forma, o jeito de se fazer (tecnologia), mas o desprezo pelo conhecimento de Deus permanece. Ao se inculcarem por sábios tornaram-se loucos, reprováveis perante o Criador por praticarem coisas inconvenientes (Romanos 1:28-32).

 

Em sua insensatez a humanidade se torna cada vez mais ensandecida por não conseguir derrotar, através da ciência, o seu pior inimigo – a morte. Ela é implacável. O máximo que os cientistas conseguem, através do avanço tecnológico e manipulação de medicamentos, é postergá-la, mas jamais derrotá-la. Não tem jeito, haverá o dia em que ela chegará a fim de pôr um fim na existência de uma vida. Quando isso acontece surge a pergunta dos mais desesperados pela perda de um ente querido e questionam a Deus que na verdade nunca creram. Se questionamento houvesse deveria ser dirigido àquilo em que depositou a sua crença: “ó ciência, onde está a tua vitória?”.

 

Por não crerem em Deus a frágil esperança que possuem na ciência é fenecida pela morte. A dúvida se agrava mediante a pergunta vinda de sua alma incrédula: “Há vida após a morte? Se houver, para onde sua alma foi?” Nessas ocasiões surge o sentimento de infortúnio, de perda, de abandono ao se contemplar a mais essa cruel desilusão: A vitória da morte. Diante dela os incrédulos chegam a ter um lampejo da realidade de que a ciência jamais poderá afirmar que Deus não existe pelo simples fato de não haver prova disso. Sem prova, a ciência se torna mera especulação. Sem dúvida, a sucumbência da vida agrava essa cruel incerteza.

 

Todavia, prezado leitor, o inverso é absolutamente verdadeiro. O único a vencer a morte é o Senhor Jesus: “Tragada foi a morte pela vitória. Onde está ó morte a tua vitória? ... Graças a Deus que nos dá a vitória por intermédio do nosso Senhor Jesus Cristo” (1 Coríntios 15:54-57). Segundo as Escrituras Ele ressuscitou e, dada a Palavra de ordem, todos que morreram crendo n’Ele haverão de ressuscitar. Se a esperança do cristão se limitasse apenas a esta vida seriam as mais infelizes das pessoas, pois “o último inimigo a ser destruído é a morte” (Romanos 15:26). Esse adversário, através do Senhor Jesus, já está derrotado.

 

Neste janeiro de 2020, como programado, passei por vários exames laboratoriais por conta das minhas enfermidades. Em um deles eu estava virado para o lado em que estava o monitor que o médico observava as imagens nele mostradas. Como é difícil eu ficar quieto, reconheço, comentei com ele acerca da imagem que ele estava a examinar e lhe disse: “Notáveis as coisas criadas por Deus, eis aí um designe perfeito que seria impossível ter surgido aleatoriamente, pelo acaso, por mera evolução, sem um artífice a elaborar tamanha perfeição”. Respondeu-me ele: “Isso é uma questão de fé, de religiosidade”. De plano repliquei: “Assim como a ciência, é necessária uma fé absurda para se acreditar que ela seja a detentora da verdade. A verdade científica de ontem é a mentira do amanhã. O próprio ateu não existiria se Deus não fosse real. O ateísmo precisa de Deus, caso contrário ele iria questionar o quê?”. Como resposta obtive o silêncio. Diálogo encerrado!

 

Não foram poucas as vezes que fui questionado acerca da minha fé cristã, principalmente por aqueles que se acham intelectuais, mas nunca leram o livro mais editado no mundo – a Bíblia. Ao menos essas quizilas, que vez por outra surgem, trazem experiência. Como já sou velho vi muitos ideais irem por terra por serem, na verdade, apenas modismos criados pelos homens segundo seus interesses ou ambições. Já houve quem dissesse que é até fácil crer no Deus Criador de todas as coisas, o difícil é crer no deus que está sendo revelado pela cristandade. é uma bagunça generalizada de ideias e interpretações que leva o incrédulo a um enorme descrédito sobre a verdadeira identidade do Deus Todo-Poderoso.

 

Mas voltemos ao início desta crônica. é falsa a afirmação que todas as religiões são iguais pelo fato de aparentemente terem o mesmo objetivo que é o de promover a felicidade das pessoas. Para isso, essas religiões ensinam a prática da caridade, da solidariedade, do amor, viver em paz com o seu semelhante, fazer o bem sem olhar a quem, coisas essas que seriam atributos da divindade. Todavia, atente bem, caro leitor, elas nunca afirmam a GRAÇA. Essa palavra – Graça – só existe nas Escrituras Sagradas (aparece 197 vezes no Novo Testamento) e, por conta disso, Paulo pregava aquilo que denominou de Evangelho da Graça (Atos 20:24).

 

Somente os cristãos que acreditam na Bíblia como a única revelação de Deus aos homens professam a fé de terem sido alcançados pela Graça, o favor imerecido da parte de Deus concedido para todo aquele que possui a esperança da Vida Eterna na Sua presença. Assevera Paulo: "Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus” (Efésios 2:8). A salvação é pela Graça. Simples assim! Mas se podem complicar, porque facilitar, não é mesmo?

 

Consta que certa vez escreveu Agostinho algo assim: “A Graça de Deus não procura homens aptos para a salvação, mas os capacita para recebê-la”. Bonito pensamento, mas será verdade que ele escreveu isso? Meu questionamento prende-se ao fato que Agostinho teria sido árduo defensor da predestinação fatalista e, como tal, não contemplaria a Graça por crer que as pessoas chegam a este mundo já com o “passaporte carimbado” com destino predeterminado para a presença de Deus, independentemente da vida que aqui levaram. Haja fé para acreditar que Deus faz acepção de pessoas. Nessa interpretação vê-se um grave erro do que seja a “eleição” mencionada nas Escrituras. Creio no Evangelho da Graça, não no da destinação preestabelecida por Deus.

 

A Graça é disponível a todos, não somente aos predestinados como afirmam alguns que geram grande confusão. Ensina Paulo ao jovem Timóteo: “Isso é bom e aceitável diante de Deus nosso Salvador, o qual deseja que todos os homens sejam salvos” (1 Timóteo 2:4). Deus não criou nenhuma religião, mas estabeleceu a forma indispensável para os homens se aproximarem d’Ele: Pela fé na Sua Graça concedida a todos os humanos. Diz Paulo: “a graça de Deus se manifestou salvadora a todos os homens... aguardando a bendita esperança e a manifestação da glória do nosso grande Deus e Salvador Cristo Jesus” (Tito 2:11 e 13).

 

Diante disso, podemos afirmar que as religiões não são todas iguais, até mesmo entre a cristandade que se afastou da Verdade, contrariando o ensino de Paulo que o desejo de Deus é para que todos os homens, além de salvos, “cheguem ao pleno conhecimento da verdade, porquanto há um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem” (1 Timóteo 2:4b). Falta-lhes a Graça, não estão debaixo da Graça. Se não conhecem a Graça de Deus, como então testemunhar daquilo que nunca experimentaram?

 

Paulo foi o maior apologeta da Graça. Das citações contidas na Bíblia quase dois terços delas estão mencionadas em suas epístolas (129 vezes). Ele se considerava o menor dos servos de Deus e não era digno de ser chamado de apóstolo por ter perseguido a Igreja de Deus antes da sua conversão, mas agora se considerava redimido mediante a Graça redentora de Deus: "Mas pela GRAçA de Deus sou o que sou; e a sua GRAçA para comigo não foi vã, antes trabalhei muito mais do que todos eles; todavia não eu, mas a GRAçA de Deus, que está comigo" (1 Coríntios 15:10). Em um só versículo por três vezes ele cita a Graça. Quando em sofrimentos, ele tinha profundas experiências da Graça de Deus. Foi-lhe ensinado pelo próprio Senhor: “A minha GRAçA te basta” (2 Coríntios 12:7-10). Que esta seja a sua experiência, estimado leitor. Que “a GRAçA do Senhor Jesus Cristo, e o amor de Deus, e a comunhão do Espírito Santo sejam convosco”. Permita Deus que assim seja!

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