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SUPERSTIÇÃO
José Carlos Jacintho de Campos - 30/10/2019

Pois então, prezado leitor, quantas vezes você já ouviu o dito de que o supersticioso nunca passa por debaixo de escada, pois atrairia um indesejável azar para si se assim o fizesse?

 

é provável que tenham inventado esse mau-agouro para assustar as pessoas dada a possibilidade de um trabalhador estar no topo da escada e, sem querer, derrubar algo que poderia virar uma tragédia para quem estivesse passando por baixo dela naquele exato momento – por exemplo: uma pesada marreta que poderia levar alguém ao óbito, ou um simples pingo de tinta que poderia estragar irremediavelmente a roupa do descuidado que não estivesse atento. Mas ainda assim, pelo sim, pelo não, há pessoas que não correm o risco por acreditarem nessa crendice sob a alegação do “não custa nada”.

 

Quando criança, em convívio com os amigos de infância, por medo fui levado a “acreditar” em várias superstições, mais especificamente as que traziam azar ou perigo, como a quebra de um espelho que atrairia sete anos de azar e atraso de vida a quem o quebrasse. A prudência me impôs maior cuidado ao chutar uma bola que aleatoriamente poderia quebrar um espelho caro. Claro que nada de mal aconteceria a não ser o custo de reposição que não deixaria de ser um “azar”, pois conforme a sua origem poderia ser muito caro.

 

O que me causa muita estranheza é como há pessoas que parecem possuir um bom nível de discernimento entre o certo e o errado, e ainda assim adotam as superstições no dia a dia de suas vidas. Aquela que se mantém em voga, apesar de bastante antiga, é bater por três vezes em alguma coisa que contenha madeira para evitar que algo indesejado aconteça. Aí você pergunta ao praticante se ele sabe a origem dessa superstição e ele revela não ter a menor ideia, faz esse gesto por mera imitação na base do “e se for verdade?”.

 

De fato, exercitam essa crendice por absoluta ignorância. Interessante notar que essa hipótese não ocorre quando se trata de crer na existência do Deus Criador, para muitos o Todo-Poderoso não passa de uma lenda ou mito criado pelos religiosos. Por sua vez, estes inventam doutrinas de particular entendimento que vêm ao encontro dos seus desejos escusos do lucro, ou desejo de poder a fim de exercerem liderança sobre alguns crédulos submissos.

 

Voltemos ao “toc-toc” na madeira. Consta que essa é uma antiga superstição, de origem celta, cujo povo acreditava em “espíritos” protetores que habitavam em árvores e, por isso, batiam três vezes nelas para atrair a atenção desses seres a fim de invocar a sua proteção. Com o passar do tempo essa superstição foi adaptada às novas crendices e permanece como costume em nossos dias.

 

Hoje é aceitável que se bata em objetos que nem de madeira são produzidos, ou seja, a crença passou a ser nas três batidas, não mais no material que a compõe. Não passa de mera crendice de pessoas que permanecem rebeldes e distantes de Deus. Pois então, prezado leitor, se você deixar de crer em Deus, passará a crer em qualquer coisa.

 

Se fôssemos analisar o imenso rol de superstições e azares que são exercidos, alguns até de forma involuntária, por certo os comentários acerca dessas coisas não caberiam em um só livro. A triste realidade é que a humanidade em sua imensa maioria é supersticiosa e o maior absurdo é observar que até mesmo a cristandade pratica esses disparates. Muitos o fazem sem o saber.

 

Mas por que o ser humano se tornou assim? A resposta a isso nos remete aos inícios da Criação. O homem se afastou do seu Criador crendo que se tornaria semelhante a Ele. Apesar de humano, passaria a ser alguém a quem se prestaria adoração, um ente idolátrico com o mesmo sentimento que apossou o Diabo que se achou acima de Deus: “subirei acima das mais altas nuvens, e serei semelhante ao Altíssimo” (Isaías 14:14). Fico a imaginar o semblante do primeiro homem ao contemplar a sua enorme estupidez em querer se tornar Deus. Lacônica, chocante, foi a expressão que ele usou quando teve que encarar a Deus: “Temi...”.

 

Imaginemos, pois, o momento em que ele colocou seu nariz porta afora do éden e viu o que o aguardava. A partir daquele instante não mais seria somente um autólatra, sua geração seria contaminada pela superstição em virtude das suas incertezas levadas pelo “temi”, pelo pavor que assombrou o mais íntimo do seu ser.

 

Segundo Lameque, a Terra se tornou um lugar desgraçado para se viver: Diz ele ao colocar o nome de Noé em seu filho: “Este nos consolará dos nossos trabalhos, e das fadigas de nossas mãos, nesta terra que o Senhor amaldiçoou”. A humanidade à época se desgraçou de tal forma que pesou no coração de Deus o Seu notável feito ao criar o homem. A sentença de Deus foi da mesma forma pesada: “Farei desaparecer da face da terra o homem que criei... Porém Noé achou graça diante do Senhor”. Noé e sua parentela foram poupados do dilúvio por ser ele justo e íntegro (Gênesis 5:28 a 6:22).

 

Daí pra frente as Sagradas Escrituras relatam, desde a Antiguidade, os caminhos da idolatria e da superstição que levaram o ser humano a cada vez mais se afastar do Deus Vivo ao criar uma enormidade de religiões completamente distantes da Verdade revelada por Deus. Algumas dessas extremamente cruéis por sacrificarem virgens e crianças em nome de uma entidade por eles divinizada.

 

O “cristianismo”, que na verdade pouco há de Cristo apesar de tão mencionado em nossos dias, é ainda considerado a maior religião do mundo com 2,3 bilhões de seguidores numa população mundial que ultrapassa a 7 bilhões de almas, seguido pelo islamismo com 1,8 bilhão e o hinduísmo com 1,1 bilhão (dados compilados pela CIA em 2012). Interessante notar que o número daqueles que se declaram “sem religião” está a subir atingindo 12% da população mundial.

 

Sabemos que a religião tida como cristã é formada por três agrupamentos principais: o catolicismo romano (subordinado ao papa), a ortodoxa oriental (que surgiu em 1054 com o grande cisma ocorrido na igreja católica) e o protestantismo (que surgiu durante a Reforma do século XVI). Por sua vez, o protestantismo é dividido em milhares de denominações que com suas superstições (isso mesmo, os evangélicos se tornaram sobremodo supersticiosos com o surgimento do neopentecostalismo) estão a desfigurar a autenticidade do Evangelho.

 

Os católicos que outrora eram, dentre a cristandade, o maior grupo que se apegava às superstições, hoje ridicularizam os “crentes” ao afirmar que preferem a virgem Maria e os santos como intercessores do que o “suor de pseudoapóstolos” contido nas toalhinhas ungidas, malcheirosas, usadas para enxugar os suores do rosto, ou a saliva dos lábios dos pregadores, que são vendidas a preço caro e são compradas pela crença que são milagrosas.

 

A ganância é tamanha que os pregadores das superstições fazem negociata com vários "objetos ungidos" como xampu sagrado, óleo santo, água do Rio Jordão, sabão não sei de onde, e por aí vai. O rol é vasto! Há até toalhinha que passada na porta do banco credor o débito do “crente” aparece quitado. Desculpe-me, mas é sobremodo ridícula essa afirmação!

 

Outra coisa que causa perplexidade, como é possível importar tanta água do Rio Jordão, de Israel? Os mananciais foram trazidos legalmente? A que custo? As autoridades judaicas autorizaram essa exportação? Se fosse verdade, talvez o rio já teria secado. Estão a fazer do Evangelho um balcão de comércio propagado por pregadores de reputação duvidosa. Na verdade, está a se cumprir o que o Senhor Jesus afirmou ao final do sermão do monte: "Nem todo que me diz Senhor, Senhor, entrará no reino dos céus...". Leia Mateus 7:15-27.

 

Os apóstolos Paulo e Pedro também deixaram seus alertas a respeito: Diz Paulo: “Haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina; ao contrário, cercar-se-ão de mestres, segundo as suas próprias cobiças, como que sentindo coceira nos ouvidos e se recusarão a dar ouvidos à verdade, entregando-se às fábulas” (2 Timóteo 4:3-4. Leia também 3:1-17). Segundo Pedro: “Movidos por avareza, farão negócio de vós, com palavras fictícias” (2 Pedro 2:3).

 

Caro leitor, tendo em lembrança as admoestações de Paulo, fuja também desses pregadores de superstições. Permaneça naquilo que aprendeu sabendo de quem você aprendeu, pregue a Palavra, faça o trabalho de evangelista, cumpra cabalmente com o seu ministério. Permita Deus que assim seja!

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