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NADA DE NOVO, APENAS MODISMOS (II)
José Carlos Jacintho de Campos - 30/7/2019

Pois então, prezado leitor, os modismos religiosos associados ao ajuntamento cristão se acentuam em nossos dias. Na realidade são “remendos” ideológicos que não dizem respeito aos propósitos de Deus para a Sua Igreja. Não passam de ideias humanas que confrontam a verdade revelada na Palavra de Deus e afastam o cristão da sua verdadeira missão.

 

Não é preciso nenhum projeto ideológico gerado neste mundo para se executar a maior de todas as missões que é a de revelar a maravilhosa graça de Deus à humanidade d’Ele afastada: “Crê no Senhor Jesus e serás salvo” (Atos 16:31). Simples assim! Não foi necessário nenhum estratagema humano para Paulo e Silas pregarem ao carcereiro da prisão onde se encontravam. Essa curta e poderosa mensagem lhes veio do Céu, caro leitor. Direto do Trono da Graça onde está o Deus Criador Todo-Poderoso!

 

O verdadeiro vigário de Cristo, o Espírito Santo, é Quem faz essa obra! é Ele Quem guia, convence, converte e conduz o perdido à Salvação, dando-lhe discernimento das coisas que são e as que virão (João 16:13). Portanto, nesse caso, não é demasiado repetir: “Crê no Senhor Jesus e serás salvo” (Atos 16:31).

 

Usam-se hoje nas preleções religiosas palavras que se tornam modismos. Trazem a ideia de uma maior credibilidade aos projetos que estão sendo propostos. Porventura sabem o real significado e origem das expressões que são ditas? Há que se ter cuidado com aquilo que está por detrás dos modismos, pois acabam se tornando penduricalhos doutrinários que contradizem aquilo que está revelado nas Escrituras. Geralmente essas invencionices trazem grande lucro àqueles que as inventam.

 

Todavia, reconheço que há os que agem de boa-fé, mas erram por não serem cuidadosos diante das novidades que se apresentam com uma nova roupagem, mas de fato rota de tão antiga. Isto nos remete a Josué que, talvez por momentânea ingenuidade, deixou-se enganar pela artimanha dos gibeonitas que se tornaram um peso que Israel teve que suportar pelo erro cometido de não terem pedido conselho ao Senhor (Josué 9).

 

Um dos mais recentes modismos dos nossos dias, já infiltrado nas igrejas, é a tal da “resiliência”, que na verdade passou a ter um forte cunho político-social, cujo intuito é atender as necessidades da população mais carente pela ineficiência do poder público em socorrê-la. Nada de errado nessa ajuda, mas é sabido que o envolvimento da Igreja com esses movimentos promove um afastamento daquilo que importa: a regeneração do pecador. A infiltração da política partidária (a pior delas, a de esquerda) é só uma questão de tempo. é roupa velha com remendo novo!

 

Na verdade é coisa pra lá de antiga que surgiu com a roupagem do “evangelho social” pregado por certa igreja histórica que há muito tempo se afastou da sã doutrina e perdeu a sua identidade conforme dito pelas próprias bispas que a governam. Isto nos remete às Escrituras: “Tenho, porém, contra ti, que abandonaste o teu primeiro amor. Lembra-te, pois, de onde caíste, arrepende-te e volta à prática das primeiras obras” (Apocalipse 2:4-5).

 

Respeito os que pensam de forma diferente da minha, mas espero que não se deixem enganar. Afinal, em sua origem essa expressão significa o quê?

 

A palavra “resiliência” deriva do verbo latino “resilio” (re+salio) que significa: saltar para trás, voltar saltando; retirar-se sobre si mesmo, encolher, reduzir-se, recuar, desdizer-se, ou simplesmente algo como “voltar ao normal”. Seu conceito teria sido criado em 1807 pelo cientista inglês Thomas Young que fazia estudos sobre a “elasticidade” dos materiais.

 

Vê-se, então, que o surgimento dessa expressão, na Física, tem como significado a capacidade elástica de alguns materiais retornarem à sua forma original após terem sido submetidos a uma intensa deformação elástica. A mola metálica é um exemplo disso, que mesmo esticada ao máximo da sua resistência ela retorna a sua posição original.

 

Entretanto, nos dias atuais “resiliência” passou a ser um conceito psicológico praticado pelos terapeutas da psicanálise, tida como de "autoajuda". Ela é definida como a capacidade do consulente suplantar as adversidades ou resistir às pressões que lhes são impostas através do estresse de um mundo conturbado, a fim de se evitar um surto psicológico. Todavia, o número de suicidas continua alarmante apesar de não divulgados por motivos óbvios.

 

Ela é vendida como algo que desperta no paciente, principalmente os depressivos, a vontade de vencer, de alcançar o sucesso, de superar um contexto de forte tensão ambiental. Ou seja, a “resiliência” se apresenta como o "segredo revelado" que propicia às pessoas forças para enfrentar as adversidades. Do ponto de vista da Medicina, convém ressaltar que psicanálise é uma pseudociência. A depressão é uma perigosa enfermidade e deve ser tratada de forma adequada através de medicamentos. Somente os psiquiatras estão autorizados a fazê-lo.

 

Li recentemente um artigo sobre “resiliência”, publicado no site de uma igreja histórica, atualmente “renovada”, que faz a símile de “resiliência” a um “rio que alcança os seus objetivos porque aprendeu a contornar os obstáculos”. Mas ninguém sabe ao certo as origens desse dito. Uns dizem que foi revelado por um filósofo chinês, outros dizem que é de autoria de um “espírito” (André Luiz) que incorporava o médium Chico Xavier. “Acaso a favor dos vivos consultar-se-á os mortos”? (Isaías 8:19). Claro que não! Por definição, não se deve misturar, unir, o sacro ao profano, não convém. Não será nenhuma surpresa o surgimento, se é que já não existe, da "igreja da resiliência" tendo em vista que a cristandade gosta de rótulos.

 

Para finalizar, caro leitor, trago à sua memória Atos 17:16-34 que descreve a estada de Paulo em Antenas à espera de Silas e Timóteo que estavam em Bereia. Enquanto os aguardava seu espírito se revoltava com a idolatria dominante naquela cidade e, por conta disso, pregava por onde passava, nisto surgem os “resilientes” da época: “Alguns dos filósofos epicureus e estoicos contendiam com ele, havendo quem perguntasse: Que quer dizer esse tagarela? E outros: Parece pregador de estranhos deuses, pois pregava a Jesus e a ressurreição” (v. 18), e o levaram ao Areópago para ouvi-lo. Estes são os mesmos de hoje! Pensadores céticos, cuja filosofia é pela autossuficiência, ou autocontrole, que propiciaria uma completa ausência de perturbações ou inquietações da mente.


Uma famosa escritora alemã, considerada naquele país a “papisa” nesse assunto, cujo livro se tornou um best-seller, transcreve o programa Seligman contendo os “dez mandamentos” publicados pela American Psychological, que conteriam o segredo da força psíquica existente na prática da resiliência. De fato, um manual de autoajuda a fim de se alcançar uma duvidosa autossuficiência. E se não funcionar? A autora sugere um escape do tipo: Se isso não der certo apele para a “fé” através de qualquer tipo de religiosidade:

 

“Invista em sua espiritualidade! ... As pessoas conseguem atravessar melhor as fases difíceis da vida quando acreditam em algum poder superior. E não importa se eles acreditam em Deus, em Alá, em Javé, em Buda ou nos muitos deuses hindus. Também não precisam participar de nenhuma das grandes religiões. Algumas pessoas acreditam que a natureza é a força que as protege; outras encontram sua felicidade em comunidades esotéricas...” (Christina Berndt).

 

A escritora não qualifica a fé, qualquer coisa serve, até superstições. O que importa para ela é o sucesso do “caminho” que propõe. Não importa para ela o “destino”. Desconhece que existe um único caminho que nos leva à presença do Deus Todo-Poderoso, Criador de todas as coisas. Diz Jesus: “Eu sou o caminho” (João 14:6). Quem não percorrer esse caminho, o verdadeiro, ao final da estrada da sua vida haverá um espelho, que, como um retrovisor de veículos, tão somente irá refletir o longo caminho de uma existência que foi percorrida em vão. “Não conheceram o caminho da paz” (Romanos 3:17).

 

O que está sendo proposto é um mundo irreal. A realidade está na Palavra do Senhor Jesus: "no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo" (João 16:33). Esses tais creem que a vida se resume àquela que aqui vivem. Desconhecem que as aflições do tempo presente não se comparam à glória do porvir a ser revelada em todo aquele que crê no Senhor Jesus (Romanos 8:18). Crê nisto, prezado leitor? Permita Deus que assim seja!

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