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A IDEOLOGIA DA DIFERENÇA
José Carlos Jacintho de Campos - 23/10/2018

O final da tarde se aproximava. A temperatura estava agradável. Batiam em meu rosto os últimos raios solares que ofuscavam meus olhos. Era o final de um lindo pôr do sol que se entremeava por entre os edifícios vizinhos ao meu. Pus-me a contemplar a paisagem que vinha através da janela envidraçada do meu escritório. Faltavam dois dias para o início da primavera. A vista era magnífica! Parei por breve tempo aquilo que estava a fazer; aquela visão levou-me a exaltar o Arquiteto de tão majestosa obra – O Senhor Jesus.

 

Não estranhe, prezado leitor, pelo fato de eu citar, em vez do Pai, o Senhor Jesus como o Criador, pois Ele o é! Ele é Deus! Diz as Sagradas Escrituras: "Porque nele foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra, visíveis e invisíveis... Tudo foi criado por ele e para ele" (Colossenses 1:16). Ele antecede a todas as coisas. Todas as coisas subsistem por Ele.

 

Elas não foram criadas aleatoriamente por uma vontade repentina que Ele sentiu para simplesmente serem “diferentes”. Tudo que foi criado por Ele tem um propósito específico. Ele fez todas as coisas formosas no seu devido tempo (Eclesiastes 3:11). Sem Ele nada existiria. Tudo que ainda faz durará eternamente, foi do agrado do Pai que toda a plenitude n’Ele habitasse.

 

Como poderíamos, então, dizer algo que Ele não disse? Repito, Ele é Deus. De nada vale o que achamos, o que importa é o que Ele determina. Diz o apóstolo amado: “sabemos que o conhecemos se obedecemos aos seus mandamentos” (1 João 2:3). Obedecê-Lo é, também, não colocar em Sua boca aquilo que Ele jamais disse ou sequer insinuou.

 

Voltemos, portanto, à vista da janela. Naquele momento de abstração sou desperto pelo sonido do meu telefone a indicar que uma mensagem me chegara. Geralmente não as leio de plano, mas desta vez senti que deveria fazê-lo. Era um vídeo. Após assistir aos primeiros quinze minutos, lembrei-me do adágio popular de que – mesmo na primavera – “nem tudo são flores”.

 

No vídeo o autor se dedicou em mostrar que as coisas estavam erradas no nosso contexto cristão, elencando uma série de críticas das insuficiências existentes que deveriam ser corrigidas. Tinha como respaldo o seu livro que vez por outra mostrava na gravação. Na verdade, o seu objetivo principal era o de transmitir a ideia de que haveria que se ter tolerância às “diferenças” doutrinárias (de fato desvios) existentes em nosso meio, que deveriam ser suportadas em nome da união ou comunhão entre aqueles desse segmento.

 

Não foi preciso muito esforço para identificar de que se tratava de mais um remendo novo num tecido velho: A “ideologia da diferença”, coisa já bastante antiga, desde 1948, surgiu após o movimento ecumênico, sob a alcunha de “conselho mundial de igrejas” (CMI), sobre a qual já escrevi faz bastante tempo e já não me lembro a pedido de quem. Consta que hoje abrigam mais de 500 milhões de adeptos, críticos das igrejas conservadoras que continuam a adotar interpretações bíblicas ortodoxas e, com isso, se tornavam óbices à busca da unidade das igrejas tidas como cristãs.

 

São também severos críticos a Israel, defendem o boicote comercial e alegam que a ocupação israelense do outrora território palestino é ilegal apesar de que já faz 70 anos que a ONU reconheceu o direito de Israel se tornar Estado determinando sua área de ocupação. Um cristão que é favorável à extinção de Israel como Nação está com sua mente desequilibrada, pois está frontalmente contra as Escrituras; será exatamente em Israel que o Senhor Jesus voltará para estabelecer o Seu reino milenar. Na Sua vinda Seus pés estarão sobre o Monte das Oliveiras (Zacarias 14:4). Aqui no Brasil, os ecumênicos são representados pelo Conic (conselho nacional de igrejas cristãs), tendo como membros as igrejas: católica romana, episcopal anglicana, confissão luterana, presbiteriana unida, dentre outras.

 

Voltando mais especificamente à “ideologia da diferença”, raciocine comigo, prezado leitor: Doutrina se transige? Não, cumpre-se! Logo, qualquer “diferença” que provenha de particular elucidação deverá ser rejeitada seja de onde vier por se tratar de um “desvio” interpretativo. Todas as revelações contidas nas Escrituras já foram estabelecidas pelo Espírito Santo que moveu homens para falarem da parte de Deus (2 Pedro 1:20-21). O próprio Senhor Jesus deixou revelado com a maior clareza que absolutamente nada poderá ser acrescentado nem retirado do Livro Sagrado (Apocalipse 22:18-21).

 

Portanto, colocar-se em Sua boca aquilo que Ele jamais teria dito trata-se de uma heresia, como no presente caso, ao dizer-se que “Deus ama a diferença”, conforme consta na citada gravação. Fica a pergunta do Senhor, prezado leitor: “Andarão dois juntos, se não houver entre eles acordo”? (Amós 3:3).

 

A essa altura parei a mensagem, fiz um pequeno retrocesso na gravação para confirmar o que via e ouvia. Sem dúvida tratava-se do depoimento de um partidário da “ideologia da diferença”, cujo princípio é que se deve caminhar junto “apesar das diferenças”. Nos inícios de 2017 foi publicada uma crônica de minha autoria – “A mesma Inteligência” – acerca desse assunto e não serei aqui repetitivo, mas não deixem de ler Paulo exortando à conturbada igreja em Corinto – 1 Coríntios 1:10-17 –, para que não houvesse diferenças ou partidarismos entre eles, ao contrário, que buscassem o mesmo parecer e disposição mental.

 

Todavia, agora surgiu um ingrediente novo nessa gravação. Em defesa da sua argumentação a proposição apresentada pelo autor é que a “diferença” faz parte da Criação e isso estaria explicitado na primeira página da Bíblia (Gênesis 1). Foi asseverado pelo expositor: “Deus ama a diferença e foi Ele Quem a criou”. Quase caí da poltrona, prezado leitor. Sem dúvida um enorme exagero tal afirmação! Um acréscimo indevido às Escrituras. Não existe o menor indício a esse respeito. O Criador jamais mencionou tamanho disparate.

 

Para respaldar essa ideologia é dito que a prova disso estaria na variedade de espécimes criados por Deus. Não contém nas Sagradas Escrituras um texto sequer que dê asas a essa imaginação. Essa conclusão é de particular entendimento, nada a ver com o que está revelado por Deus. A pluralidade de espécimes faz parte da sabedoria de Deus para o conjunto da Sua obra. Por definição, absolutamente nada tem a ver com “diferença”.

 

Cada coisa criada tem um propósito estabelecido por Deus. Sabemos que a Criação original foi corrompida pela entrada do pecado neste mundo. O primeiro casal fez o que não devia. Todas as coisas se tornaram desfavoráveis a ambos. Passaram do paraíso à maldição: “Maldita é a terra por tua causa” (Gênesis 3:17). Com exceção do éden tudo se tornou “diferente” daquilo que Deus criou. Portanto, me parece que o inverso é verdadeiro, Ele não amou, mas deve ter detestado a “diferença”, pois ela foi fruto da péssima decisão do homem em desobedecê-Lo. A principal “diferença”, agora, é que o homem passou a morrer.

 

Lembremo-nos do texto Sagrado que nos diz: “Viu Deus que tudo quanto fizera, e eis que era muito bom” (Gênesis 1:31). Diria Ele o mesmo pela “diferença” resultante do pecado humano? Teria Ele ficado satisfeito com a lamúria de Lameque: “Este (Noé) nos consolará dos nossos trabalhos, e das fadigas de nossas mãos, esta terra que o Senhor amaldiçoou” (Gênesis 5:29)?

 

Para finalizar, cito Robert W. Cargill: De todos os milhões de espécies nos reinos vegetal e animal, cada uma é reconhecida por suas “características próprias”. “Característica” não é sinônimo de “diferença”. Ter qualidade distintiva não significa ser diferente.

 

Fico a imaginar a tarefa em “diferençar” os muitos milhões de micro-organismos em seu habitat natural, invisíveis aos olhos humanos. Nem pensar em “diferenciar” a maior estrutura espacial recém-descoberta (Hyperion), que de tão imensa é impossível ser quantificada por ser mais de “um milhão de bilhões” de vezes maior que o nosso Sol. Para que serviria algo tão gigantesco? Seria por mero capricho de Deus? Absolutamente não! As dessemelhanças contidas nas coisas criadas por Ele serão compreendidas quando estivermos na eternidade, e isto nos remete a William MacDonald ao concluir que a nossa visão de mundo ainda é como se estivéssemos olhando através de um vidro opaco: “Quão pouco sabemos a respeito de Deus”.

 

Em nome da tolerância devemos respeitar o livre-arbítrio, o direito das pessoas exporem suas ideias. Apesar de que, quando questionadas, isso não é recíproco por não aceitarem o controverso! Lembre-se de que, caro leitor, quando se tratar das coisas de Deus, não se cale para não se tornar cúmplice dos erros das ideologias que têm desviado a muitos. Seja fiel! “O Senhor te dará compreensão em todas as coisas” (2 Timóteo 2:7). Permita Deus que assim seja!

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