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NÃO É SÓ UMA QUESTÃO DE NÚMEROS
José Carlos Jacintho de Campos - 30/4/2018

Há quase um quarto de século, em 1994, em meu artigo “Para onde irão?”, publicado na revista IDE em abril daquele ano, eu indagava qual seria o destino das 5,5 bilhões de almas existentes no mundo àquela época. Dados estatísticos davam conta que a cada ano morriam 50 milhões de pessoas e 140 milhões nasciam, havendo, portanto, a previsão de um acréscimo anual de 90 milhões de pessoas na escala mundial de habitantes.

 

Confirma-se, hoje, que aqueles dados foram bastante consistentes, pois passados quase 25 anos atualmente temos no mundo cerca de 7,6 bilhões de seres humanos. Entretanto, permanece a pergunta: Para onde foram mais de 1,2 bilhão de pessoas que morreram daquela data até agora? Cabe, ainda, uma segunda pergunta: Teríamos hoje, proporcionalmente, mais cristãos do que há 25 anos?

 

Ambas as perguntas são pertinentes, caro leitor. Escrituralmente é asseverado que a humanidade está debaixo de uma condenação motivada pela sua desobediência a Deus que a criou; que só existe uma única forma de se redimir perante o Criador: Pela fé exclusiva na obra redentora do Senhor Jesus. Como a fé vem pelo ouvir a Palavra de Cristo e todos aqueles que invocarem o Seu nome não mais estarão debaixo da condenação (Romanos 10), como desenvolverão essa fé se não houver quem pregue? Ainda mais, conforme dito por Paulo nesse mesmo capítulo aos Romanos, “mas nem todos deram ouvidos ao Evangelho”. O que nos indicam os dados estatísticos a esse respeito?

 

No século 20, mais precisamente em 1900, estimava-se que havia no mundo cerca de 1,6 bilhão de habitantes dos quais 550 milhões seriam cristãos de “todos os tipos”, equivalentes a 34,5% da humanidade. Portanto, um pouco mais de um terço se rotulava como cristão.

 

Nos inícios do nosso atual século, em 2000, há 18 anos, previa-se que éramos um contingente humano de mais de 6,1 bilhões e contávamos com quase 2 bilhões de cristãos de “todos os gêneros”, ou seja, em 100 anos teria havido um acréscimo de mais de três vezes o número dos chamados “crentes” existentes em 1900.

 

Caramba! Que maravilhoso crescimento muitos hão de exclamar! Mas não é bem assim, a Estatística em muitas das vezes é cruel, pois aquilo que parece ser de fato não é se estivermos comparando coisas desiguais entre si. Na verdade, em um século, reduzimos percentualmente de 34,5% para 32,2% o número de cristãos.

 

Isso traz severas implicações, pois sabemos que dos 2,5 bilhões que atualmente se dizem cristãos uma imensa parte deles são meros rótulos, apenas pontos estatísticos, pois jamais confessaram a Jesus como Senhor de suas vidas e, no seu íntimo, carregam a severa dúvida se verdadeiramente Ele ressuscitou dentre os mortos; que ascendeu aos céus; que retornará para arrebatar os Seus; e voltará para estabelecer o Seu reino milenar após uma sucessão de acontecimentos dramáticos e inimagináveis à compreensão de muitos. Não podemos nos afastar da realidade, os percentuais demográficos não confirmam o tão exaltado crescimento do cristianismo que fazem em nossos dias.

 

Realmente algo cresceu intensamente: os muçulmanos! Em 1900 eram cerca de 200 milhões de fiéis ao islamismo e hoje são, assustadoramente, um agrupamento religioso de 1,8 bilhão de pessoas. Um crescimento desse tamanho de uma religião que cultiva uma ira mortal contra os judeus e cristãos não pode ser ignorado.

 

Fazendo-se uma leitura mais atenta das Escrituras não é difícil concluir que eles farão parte do grande exército que marchará em perseguição ao povo de Deus no período da grande tribulação que virá sobre os habitantes da Terra, liderados pela primeira besta do Apocalipse que costumeiramente é chamada de anticristo. Todavia, a Igreja de Deus não mais estará aqui, pois será arrebatada antes desse acontecimento.

 

Outro dado relevante é o dos não religiosos, ateus e agnósticos, que de 6,5 milhões em 1900, chegaram a 1,5 bilhão em 2015. Por certo muitíssimos deles ouviram acerca de Deus e de Seu Filho, o Senhor Jesus Cristo, mas preferiram se manter em sua distorcida visão filosófica e, como profetizado, não deram ouvidos ao Evangelho (Romanos 10:15), nem crédito a mensagem do antigo profeta (Isaías 53:1).

 

É, portanto, caro leitor, motivo de apreensão os ufanismos que há em nosso entorno, principalmente aqui em nosso país, muitíssimos desses apegados à ambição pecuniária. Cada segmento tido como cristão alardeia que sua denominação é a que mais cresce em número de membros, de “templos”, de conversões, de batismos, de milagres e curas etc., deixando a entender que Deus estaria a abençoá-los mais do que as demais igrejas, apresentando até números para darem respaldo as suas afirmações.

 

Você sabe o que isso significa em termos estatísticos, prezado leitor? Nada! Os mais atentos que sabem avaliar esses resultados observam que há tão somente uma mudança para outro rito: de católico para protestante; de uma denominação evangélica para outra; ou pela criação de seitas tidas como cristãs, cujos membros já constavam estatisticamente segmentados como cristãos, logo, dois mais dois continuam somando quatro.

 

Mas por falar em “quatro”, caro leitor, ninguém escapa à vaidade da manipulação numérica. Mais recentemente surgiu a estranha ideia que em 2020 haverá o maior despertamento, nunca visto nos últimos séculos, no contexto de um determinado movimento de igrejas.

 

Por que 2020? A explicação dada é que linearmente a soma de 2+0+2+0 dá 4. E o que significa o número 4? Dizem que simboliza a abertura de portais. Que portais, portas, ou coisas do gênero seriam esses? Uma coisa me deixou intrigado: 2002 e 2011 também somam 4, portanto, não estariam dentro desse mesmo critério? Sem nenhum receio de errar, essa metodologia de buscar o significado dos números não tem absolutamente nada a ver com as Escrituras Sagradas. Essa numerologia tipifica as adivinhações praticadas pelos ocultistas. Não cabe ao cristão se envolver com tais práticas.

 

Por certo grande parte desses equívocos são praticados até com boas intenções, no desejo de ver o maior número de almas sendo remidas dos tormentos eternos para onde estão destinadas. Para isso criam planos, projetos, esquemas, estratégias para alcançar o maior número de pessoas, todavia isso nunca poderá contrariar o que está determinado nas Escrituras e tampouco em se envolver com coisas por elas condenadas.

 

Claro que não se é contra a todo esforço que é feito em prol da regeneração das almas para alcançarem a salvação, ao contrário, é um procedimento louvável desde que não se faça contrariamente aos princípios estabelecidos por Deus e isso nos remete a Paulo quando escrevia aos coríntios corrigindo as graves distorções de entendimento que possuíam.

 

Dentre vários equívocos, os cristãos que lá se reuniam tinham por hábito a exaltação dos feitos humanos como havia ocorrido com Paulo e Apolo que lá estiveram ministrando a Palavra como simples servos de Deus. Em nenhum momento avocaram para si a fonte geradora de bênçãos, pois, na verdade, Quem as produz é Deus. J. Hunter, em seu livro sobre a primeira epístola aos Coríntios, aborda o tema com muita proficuidade sobre os versículos 6 e 7 do capítulo 3... “Eu plantei, Apolo regou: mas Deus deu o crescimento. De modo que, nem o que planta, nem o que rega, mas Deus o crescimento. Vamos aos comentários do autor:

 

“Plantar e regar (na lavoura de Deus) são serviços de grande importância que não devem ser minimalizados, mas tudo é em vão se Deus não intervir, produzindo vida e crescimento pelo Seu poder. Paulo dirige os pensamentos deles, do servo para Deus, o Autor de toda bênção. Neste sentido, o servo é de pouca importância, pois toda a bênção, todos os resultados, todo o crescimento, tudo vem de Deus”.

 

Ao encerrar esta crônica dei uma pausa para espiar o Worldometers, um site que agrega vários dados e é atualizado em tempo real. No marcador da população mundial o contador disparava a demonstrar que até aquele momento, às 9h30 da manhã, somente do dia 1/5/2018, cerca de 60 mil almas tinham passado desta vida para a outra; nos primeiros quatro meses do ano foram em torno de 20 milhões que equivale dizer que somente neste ano mais de 60 milhões estão a ir para o porvir. Permanece, portanto, a pergunta: Para onde irão?

 

Permaneçamos, pois, diligentemente, no cultivo da boa semente, não segundo os nossos critérios, mas os do Senhor para que assim Ele providencie o crescimento que tanto desejamos e que muitos cheguem ao conhecimento da Verdade. Permita Deus que assim seja!

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