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ESPONTANEIDADE SEM RECIPROCIDADE
José Carlos Jacintho de Campos - 29/6/2017

Não foram poucas as vezes, prezado leitor, que escrevi acerca desse assunto. Parece que foi ontem que eu meditava sobre esse mesmo tema, mais de duas décadas se passaram sem que eu desse conta de como o tempo estava a transitar de forma tão acelerada. Talvez, essa falta de percepção se deve ao fato da realidade da eterna mesmice que se observa neste mundo, conforme dito por Salomão: “o que foi, é o que há de ser; e o que se fez, isso se tornará a fazer: nada há, pois, novo debaixo do sol” (Eclesiastes 1:9).

 

De fato, vemos que essa mesmice acaba se tornando odienta para aqueles que não têm a consciência da realidade dos dias que vivemos. Isto remete a Paulo que nos exorta para que estejamos atentos à forma que aqui vivemos, não como insensatos, mas como sábios, pois os dias são maus e, por conta disso, devemos procurar compreender qual é a vontade do Senhor para as nossas vidas (Efésios 5:15-18).

 

Pelas muitas décadas já vividas, o Senhor me tem concedido o privilégio de falar ao longo desse tempo em várias localidades, onde tenho observado com muita tristeza o agravamento da escassez de recursos que são destinados à obra missionária. Os provedores diminuem, os corações se endurecem, e pouquíssimo ensino tem sido ministrado nas igrejas locais acerca de um dos mais importantes assuntos contidos na Bíblia, que são as ofertas do povo de Deus ao seu Senhor.

 

Uma das coisas mais terríveis que tenho constatado em nossos dias é a negociata que procuram fazer em nome de Deus. As pessoas estão sendo ensinadas, no mundo tido como cristão, que é “dando que se recebe”, numa vergonhosa distorção das palavras do Senhor Jesus transmitidas por Paulo em Atos 20:35... “Mais bem-aventurado é dar do que receber”. Nenhuma reciprocidade material está implícita nessa afirmação. Não há essa promessa!

 

De fato, ser bem-aventurado, significa ser feliz, muito feliz, e não é resultante da garantia de ganhos materiais pela prática de alguma bondade, mas pelo sentimento de alegria que invade os corações daqueles que praticam a benemerência. No mesmo trecho, Paulo assevera: “é mister socorrer aos necessitados”. Mais à frente ele escreveria: enquanto temos tempo, façamos bem a todos, mas principalmente aos domésticos da fé" (Gálatas 6:10). Ou seja, sejamos, sempre, espontâneos, sem expectativa de reciprocidade material, pois o tesouro que nos importa é o celestial, aquele que nos aguarda quando lá estivermos.

 

Tendo em vista a espontaneidade sem reciprocidade, sempre me falou muito ao coração a postura do povo de Deus no deserto, quando trouxeram ofertas espontâneas ao Senhor (Números 7:1-11). Havia Moisés terminado de levantar o tabernáculo, e ali seria o local da presença do Senhor junto ao Seu povo. Moisés entrava na tenda da revelação para falar com o Senhor, ouvia a voz do Senhor que lhe falava de cima do propiciatório e assim Se comunicava o Senhor com o Seu povo. Eles eram um povo sem território, mas tinham Deus junto deles. Que glória isso representava! Glória ainda mais superior possuímos nós, nesta atual dispensação, por sermos o tabernáculo de Deus pela habitação do Espírito Santo em nós.

 

Havia um problema a ser resolvido por eles. O tabernáculo estava pronto, mas ele tinha que ser locomovido ao longo da caminhada pelo deserto. Eles poderiam assim pensar: Isso é problema do Senhor. O tabernáculo é a Sua habitação entre nós, Ele que dê a solução que Lhe convém, afinal Ele é o Chefe. Vamos ficar quietos aguardando que Ele decida a respeito. Quantos em nossos dias, lamentavelmente, pensam dessa mesma forma.

 

Porém, não era assim que eles pensavam. Eles sentiam no coração que o problema do transporte do tabernáculo era deles, pois grande era o privilégio de ter o Senhor habitando entre eles. De nada adianta sentir ou pensar se não houver ação. Vemos no texto acima indicado que os príncipes de Israel espontaneamente fizeram as suas ofertas! Notem que Moisés, nesta oportunidade, não lhes pediu nada a respeito disso, eles foram liberais, voluntariosos, generosos. Eles estavam em estado de graça, seus corações estavam mais sensíveis que o “órgão” mais importante da imensa maioria das pessoas: o bolso.

 

Dada essa espontaneidade, será que o Senhor iria achar que houve precipitação por parte desses príncipes? Será que não seria melhor esperar que Ele lhes dissesse alguma coisa? Nada disso foi questionado por eles. Aquilo que podemos fazer para o Senhor, e que está claramente consistente com a Sua Palavra, nós devemos ser proativos jamais reativos, ou seja, devemos ir à frente e não correr atrás.

 

O Senhor vendo o intento dos seus corações e a liberalidade com que estavam ofertando, disse a Moisés: “Receba essas ofertas para serem utilizadas no serviço da tenda da revelação”. Sem dúvida, o Senhor mede a espontaneidade dos corações. Os ensinos, que essa oferta espontânea nos traz, são preciosos. Primeiramente, ela nos confirma que Deus aceita, ou melhor, Ele quer que Seu povo faça ofertas espontâneas, pois “Deus ama a quem dá com alegria”, não por constrangimento ou obrigação (2 Coríntios 9:7). Ele promete que a alma generosa prosperará (Provérbios 11:24-25), ou seja, aquele que dá liberalmente mais e mais lhe será acrescentado, e isto nada tem a ver com a loucura da pregação de alguns hereges dos nossos dias que ensinam desavergonhadamente que se deve determinar, impor, ou exigir de Deus a prosperidade. A prosperidade é a consequência de um coração generoso e não ganancioso.

 

Em seguida, vemos que Deus não faz acepção das ofertas dadas com o coração. O Senhor pesa a qualidade e a sinceridade da oferta. Lembremo-nos da viúva pobre, que lançou no gazofilácio dois leptos, que valiam um quadrante, ou seja, a moeda romana de menor valor, porém o Senhor exaltou o seu feito afirmando que ela dera mais do que todos os que colocavam ofertas no cofre, porque todos davam a sobra, ela, porém, deu tudo que tinha, todo o seu sustento (Marcos 12:41-44). O sacrifício aceitável a Deus é o espírito quebrantado; ao coração quebrantado e contrito Deus não desprezará (Salmo 51:17).

 

Finalmente, verificamos que Deus se agrada da espontaneidade do Seu povo. Recebe-os, disse o Senhor a Moisés”. O povo de Deus deve se alegrar em poder contribuir com a Sua obra majestosa. Devemos rejubilar de contentamento quando ouvimos notícias vindas de todos os rincões que as almas estão chegando ao conhecimento da Verdade. Oh, que glória quando vemos os resultados das nossas ofertas trazendo frutos para o Senhor, que serão arrebatados naquele Dia, e essas almas ouvirão do Senhor para que entrem no gozo do Seu reino.

 

Quando Davi colocou o seu afeto na casa de Deus, afora tudo quanto tinha preparado em abundância para o santuário, os seus bens pessoais também foram doados ao Senhor. Após o seu feito, ele convocou o povo dizendo: “Quem, pois, está disposto a fazer oferta voluntária, consagrando-se hoje ao Senhor?”. Em resposta, eles fizeram ofertas voluntárias, espontâneas, à casa do Senhor (1 Crônicas 29:1-9).

 

Que essa mesma pergunta seja lançada no seio das igrejas, e de forma semelhante, os que creem com autenticidade respondam com a mesma espontaneidade, e sintam a mesma alegria que o povo daquela época sentiu, e tenham a firme convicção em seus corações de que o nosso Deus suprirá todas as suas necessidades segundo as riquezas na glória em Cristo Jesus (Filipenses 4:19), tendo plena consciência que o momento que mais nos identificamos com o Senhor, é quando damos com espontaneidade, porque Ele foi espontâneo para conosco na medida em que entregou à morte o Seu Amado Filho por amor de nós. Permita Deus que assim seja!

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