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A MESMA INTELIGÊNCIA
José Carlos Jacintho de Campos - 25/1/2017

O ano estava a começar e com ele uma canícula insuportável. Como de hábito, desde o ano passado sou usuário do Metrô para as minhas idas e vindas ao escritório do Boletim dos Obreiros. Durante o trajeto sinto-me confortável com a refrigeração dos vagões. Todavia, o mesmo não acontece nas estações daqui, ao menos por agora, pois não há refrigeração nem ventilação no ambiente, trazendo sensível desconforto aos passageiros.

 

Finalizei o meu primeiro trajeto e ao sair do vagão que me transportara deu para sentir o impacto das temperaturas divergentes, ainda mais em meio àquele aglomerado de pessoas que andavam apressadamente, muitas delas bastante suadas, na busca das plataformas que as levassem ao destino desejado.

 

Ainda que poucos, na minha idade tenho alguns privilégios. Dentre esses, o de me permitir o uso dos elevadores que me levam a outras plataformas das estações sem ter que ficar nos esbarrões que normalmente acontecem em meio àquela multidão, principalmente nos horários de pico. Para lá caminhando, vi ainda de longe, ao fundo do elevador, um homem alto que fazia uso de muletas, por não ter a maior parte da sua perna direita, que passou a olhar atentamente para a minha mão esquerda. Nela eu carregava um livro.

 

Na saída do elevador segurei a porta para que aquele homem passasse em segurança e qual não foi a minha surpresa ao ouvi-lo dizer: “Quem é o homem mais inteligente da história?”. De imediato percebi que ele se referia ao título do livro que eu estava a ler. Tínhamos que subir ainda mais um piso e o fizemos pela escada rolante, e resolvi caminhar lentamente ao seu lado dadas as suas dificuldades, pois dependia das muletas para a sua locomoção.

 

Pensei rápido! Em vez de responder a pergunta por ele formulada informando de quem se tratava, antes lhe fiz uma pergunta:

 

– Para você, quem seria o homem mais inteligente da história?

 

Ele não pestanejou! – Einstein.

 

Respondi: – Certamente que não! Volte a mais 2.000 anos do nosso tempo.

 

Pela forma correta de se expressar percebi que era um homem que se dedicava à leitura, disse-me ele:

 

– Aí você me pegou! Não faço a menor ideia quem seria o homem mais inteligente da história em uma época tão distante.

 

A resposta era extremamente simples e comecei a perceber que aquilo se tornou um desafio para ele, pois o ponto em que iríamos nos separar se aproximava porque as nossas plataformas de transbordo eram diferentes e, diante do seu olhar inquiridor, lhe respondi:

 

– Essa pessoa é a mais conhecida do mundo! O livro mais vendido do mundo, cuja quantidade jamais será superada, fala da Sua existência muito antes d’Ele ter nascido e não haveria espaço suficiente neste mundo que comportaria a quantidade necessária de livros que descrevessem toda a manifestação da Sua fantástica inteligência enquanto aqui esteve e Seus imensuráveis feitos (referindo-me a João 21:25). Seu Nome é Jesus!

 

Ele ia me responder, mas não mais havia tempo e me antecipei aos fatos dizendo-lhe:

 

– Você não se lembrou em citá-Lo porque a imensa maioria das pessoas não O vê como o único Homem Perfeito que existiu neste mundo, mas como um religioso como tantos outros, para alguns uma lenda. Mas o Dr. Lucas, um médico provavelmente grego, depois de acurada investigação de tudo acerca de Jesus, entregou dois dos seus escritos a uma excelentíssima pessoa (Teófilo) contendo toda exposição em ordem do Homem mais inteligente da história da humanidade, em todos os tempos (reportando-me a Lucas 1:1-4 e Atos 1:1).

 

Antes de nos despedirmos com um aceno, ele fez questão de dizer que iria ler esse livro que revelava tão notável inteligência. Ele seguiu o seu caminho com a dificuldade natural pela sua deficiência. A minha expectativa é que a leitura daquele livro, cujo autor, um renomado médico, foi um ateu dos mais críticos de nossos dias que se converteu após estudar a mente de Jesus, despertasse naquele homem uma intensa busca dessa inteligência e, como o autor, chegasse ao conhecimento da Verdade.

 

Ao continuar a minha viagem, agora no trecho mais longo, aliviado por retornar a um ambiente refrigerado, não prossegui na minha leitura porque fiquei a pensar naquele encontro fortuito que foi motivado pelo título de um livro que aguçou a curiosidade de uma pessoa e de como as coisas acontecem de forma inesperada. Portanto, devemos sempre estar preparados, pois a qualquer momento podemos ser inquiridos por alguém que sequer sabemos o nome.

 

A não ser pelo fato de usarmos o mesmo sistema de transporte, havia entre mim e ele diferenças que não estavam somente na cor da nossa pele, mas na mais importante de todas: Na fé! Uma pergunta não me saia da cabeça: Como aquele homem, que demonstrou não ser um iletrado, não tivesse de imediato se lembrado do Homem mais conhecido no mundo?

 

Era impossível que ele nunca tivesse ouvido falar de Jesus, independentemente da sua prática religiosa. Por acaso essa falta de lembrança estaria ocorrendo face à vulgarização da Pessoa do Senhor Jesus através das inúmeras seitas que têm surgido em torno do Seu Nome? Seria pelo enorme descrédito que esses tais estão a provocar pela desmedida busca do poder a qualquer custo e do enriquecimento rápido e fácil? Ou, então, seria pela indiferença de muitos por estarem apegados aos deleites desta vida (Lucas 8:14)?

 

A esta altura, prezado leitor, pode ser que você gostaria de saber se no contexto em que me reúno como cristão essas coisas acontecem? Eu lhe responderia que, como nos demais segmentos, elas acontecem não somente aqui como em outras partes do mundo. Parece que as pessoas sentem uma coceira irresistível de mudança, de plagiar, de buscar a solução do outro lado do muro, sem se questionarem se aquela postura os afastará daquilo que lhes foi estabelecido nas Escrituras. Para muitos não há mais o mesmo encanto nos ensinos do Senhor Jesus!  Aquele que de fato O ama se apega exclusivamente às Suas revelações não nas do seu vizinho, ainda que estejam cheias de boas intenções (João 14:21, dentre outros).

 

Na minha narrativa inicial fiz rápida menção nas “diferenças” que havia entre mim e aquele homem, mas não tivemos tempo para “divergências” tendo em vista que os nossos caminhos eram diferentes, não andávamos juntos. é notadamente sabido, que as divergências são motivadas pela desinteligência, ou pela falta de conhecimento, se não de ambas, mas de uma das partes discordantes, e, por serem desiguais, há o afastamento.

 

Nos primeiros dias deste ano houve quem me escrevesse para saber se eu tinha conhecimento de um ajuntamento em nosso meio, de cristãos que estavam a usar a expressão “unidade apesar das diferenças”. Pensei comigo, já ouvi isso? De fato no ano passado essa mesma expressão foi usada por um pastor evangélico americano que estava a pregar que os cristãos deviam viver em “unidade apesar das diferenças teológicas menores”. Teologia menor? O que significa isso? Que coisa sobremodo estranha!

 

Veio-me à mente a expressão usada por Amós (3:3) ao questionar de como poderiam andar juntos aqueles que estão em desacordo? Portanto, se nas coisas de Deus não houver concordância, a mesma harmonia de propósito, o mesmo parecer, a mesma disposição mental é impossível que as pessoas caminhem juntas. Conceitos divergentes à sã doutrina levam à discórdia na medida em que cada um defende os seus interesses ou vontades pessoais.

 

Respeitando aos que pensam de forma diferente, permita-me, caro leitor, asseverar que não existe unidade nas diferenças. São coisas absolutamente excludentes! Alguém ou ambas as partes terão que transigir: “Eu cedo neste ponto e você nesse outro” e com isso passamos a conviver. Dessa união surge algo híbrido, portanto estéril.

 

Ouçamos a Paulo: completai a minha alegria, de modo que penseis a mesma coisa, tenhais o mesmo amor, sejais unidos de alma, tendo o mesmo sentimento” (Filipenses 2:2). Portanto, não busquemos a unidade nas coisas divergentes, nas diferenças, pois isso implica em conviver com elas. Ao contrário, esforcemo-nos na busca da convergência na conformidade da inteligência de Cristo, pois, se d’Ele somos, temos a Sua mente (1 Coríntios 2:16). Permita Deus que assim seja!

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