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A FILA ANDA
José Carlos Jacintho de Campos - 31/7/2016

“Aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo, depois disso, o juízo” 

Hebreus 9:27

 

 

Pelos anos de vida já alcançados, não foram poucas as vezes que ouvi a expressão acima quando da morte de algum conhecido: “A fila anda”. Outros a completam: “Rápida demais”.

 

É natural entender que as pessoas que estão a envelhecer ficam mais próximas de completarem os dias da sua permanência aqui, mas necessariamente isso não significa que sejam as primeiras da fila.

 

Dados estatísticos em nosso país dão conta que 54% dos óbitos são de pessoas acima de 60 anos, entretanto 33% ocorrem entre 20 e 59 anos que é algo considerado bastante alto, o restante acontece nas demais faixas etárias, sendo que 7,8% absurdamente no primeiro ano de vida. Portanto, a morte alcança a todos independentemente da idade que possuem. A pergunta que fica, caro leitor, é quantos estão conscientes e preparados para o enfrentamento dessa irreversível realidade? Você está?

 

As pessoas não gostam de falar sobre a morte. Nada de anormal nisso, pois ela traz em si um quadro de muita tristeza tendo em vista o seu próprio significado: “separação”. Todavia, quando ela chega, principalmente de forma inesperada, o desespero é cruel para os que ficam e essa situação é sobremodo agravada naqueles que não creem que haja uma vida futura e acham que com o óbito é chegado o fim da existência do ente querido que partiu desta vida para o nada.

 

Mas isso não é verdadeiro. O Senhor Jesus deixou registrado com extrema clareza a continuidade da vida após a morte: quem ouve a minha palavra, e crê naquele que me enviou, tem a vida eterna, e não entrará em condenação, mas passou da morte para a vida" (João 5:24). Note, prezado leitor, que Ele declara que aquele que crê tem a vida eterna, no presente, Ele não diz que terá, no futuro. A Eternidade com Deus não será, em Cristo ela já é!

 

Enquanto aqui estivermos devemos pavimentar através da fé o caminho que nos levará para a Glória celestial. Portanto, desde agora, o verdadeiro crente tem que vivenciar, respirar, a certeza dessa vida, agradecer por ela todas as manhãs, pois ela é contínua. Se não tivermos essa viva esperança, essa insofismável convicção, segundo Paulo seremos as mais infelizes de todas as pessoas (1 Coríntios 15:19). O corpo físico irá para o pó da terra, mas a alma, que é o que importa, irá de imediato para o regaço do Senhor.

 

Os que tomaram a decisão correta, pela fé, de tê-Lo como seu Redentor, com Ele estarão na vida eterna:Quem tem o Filho tem a vida; quem não tem o Filho de Deus não tem a vida” (1 João 5:12), ao passo que, os omissos e os que deliberadamente O rejeitam, também terão continuidade às suas vidas, porém em tormentos eternos: aquele que não crê no Filho não verá a vida, mas a ira de Deus sobre ele permanece” (João 3:36). Simples assim! Quem crer está salvo, quem não crer permanece condenado.

 

A incredulidade das pessoas não permite que vejam essa realidade e quando comentam sobre a morte ficam cheias de questionamentos e permanecem numa postura inconsequente apesar daquilo que está diante dos seus olhos: a realidade da morte. Não dão conta da sabedoria que nos diz que “o coração dos sábios está na casa de luto, mas o dos insensatos na casa da alegria” (Eclesiastes 7:4).

 

É diante da morte que se vê o fim de todos os homens, por permanecerem cegos não permitindo que lhes resplandeça a luz das Escrituras Sagradas. Na verdade, espiritualmente falando, não passam de mortos-vivos, com nenhuma esperança acerca do amanhã. Por conta disso têm pavor da morte por estarem sujeitos à escravidão condenatória por toda a vida (Hebreus 2:15).

 

Mas há algo pior debaixo do sol! Aqueles que, apesar de se identificarem como “cristãos”, trazem, de forma silenciosa em seu íntimo, a incerteza da continuidade da vida após a morte. Aassim o fazem por absoluta falta de confiança nas revelações de Deus, ou por estarem confusos face às inúmeras filosofias, pensadores ateus e seitas que estão a lhes rodear, ou então pelos ensinos pra lá de equivocados que distorcem o sentido literal das Escrituras Sagradas, como por exemplo:

 

(1) O da perda da Salvação, coisa inexistente nas Escrituras. Desde que tenha havido um novo nascimento espiritual (João 3:1-7) a segurança da Salvação é imexível como afirmado pelo próprio Senhor Jesus: As minhas ovelhas escutam a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem. Eu lhes dou a vida eterna, e por isso elas nunca morrerão. Ninguém poderá arrancá-las da minha mão. O poder que o Pai me deu é maior do que tudo, e ninguém pode arrancá-las da mão dele” (João 10:27-29).

 

(2) Pela dúvida, ao vir a este mundo, se foi predestinado ou não por Deus para a Salvação, como que se o Todo-Poderoso estivesse a carimbar as pessoas por antecipação, coisa esta que afronta a Bíblia que assevera que Deus deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da verdade (1 Timóteo 2:4). Não há “carimbo prévio”, mas “selo” do Espírito que é colocado em todo aquele que recebe ao Senhor Jesus como o seu suficiente Salvador, conforme diz as Escrituras: não entristeçais o Espírito Santo de Deus, no qual estais selados para o dia da redenção” (Efésios 4:30).

 

(3) Ou que irá para o purgatório, que seria o estado daqueles que morrem com a convicção da existência da vida eterna, mas ainda necessitam de purificação para ir à presença de Deus. Isso inexiste nas Escrituras que asseguram que o sacrifício do Senhor Jesus nos purifica de todos os pecados, portanto é uma heresia falar em outro tipo de purificação dos pecados a não ser através do sangue derramado pelo Senhor Jesus: "o sangue de Jesus Cristo nos purifica de todo o pecado" (1 João 1:7).

 

Há, ainda, algo muito pior, os “cristãos” institucionalizados que creem em ensinos estranhos à sã doutrina de que haverá outras vidas através de sucessivas reencarnações para a purificação da alma. Existem até psicólogos tidos como “cristãos evangélicos” que dizem fazer regressão às vidas passadas dos seus consulentes “cristãos” cuja prática é completamente antagônica ao que está revelado nas Escrituras de que aos homens está ordenado a morrerem uma única vez (Hebreus 9:27).

 

Nessa barafunda de ideias, há que se ressaltar a escaramuça diabólica sobre as tais vidas passadas onde as pessoas dizem que foram altruístas, com nome renomado, praticaram boas obras etc. Ora, se foram tão boas assim por que então teriam que voltar para pagar o carma, ou seja, a lei da “casualidade moral” praticada pelas seitas esotéricas ou espíritas? Nunca aparece ninguém dizendo que no passado foi um terrível assassino. Esse tipo de comportamento revela que essas almas estão aprisionadas às coisas terrenas, não às celestiais, achando que as coisas são restritas ao que está debaixo do sol, por isso vivem aflitas na busca de respostas para aquilo que já foi revelado por Deus, mas que não as satisfazem. Vivem na cruel incerteza!

 

Desde sempre afirmei que a vida com Cristo é bela, apesar de não termos nenhuma garantia de que os nossos dias seriam sem dor e lágrimas; com sorrisos sem sofrimentos; de sol sem tempestades e, por conta disso, muitos se frustram diante dessa realidade. Em João 16:33, o Senhor convoca os Seus para que vivam em paz com Ele, pois neste mundo terão aflições, contudo, ainda assim, devem ter bom ânimo, pois Ele venceu o mundo.

 

De fato, a promessa do Senhor aos Seus é lhes conceder a força necessária para cada dia, conforto para os dias de incertezas, angústias e enfermidades. Vencem, sempre, aqueles que não temem o fracasso! Mesmo diante da morte que aparenta ser uma derrota. Estes têm a plena convicção que possuem um porvir com o Senhor e com Ele viverão por toda Eternidade. Por isso, a vida é bela! Pois através dela temos a oportunidade de alcançarmos, pela fé, a vida que não podemos perder - a eterna com Deus, ainda que passemos pela morte.

 

O consagrado apóstolo Paulo relata em seus escritos essa notável realidade em sua vida. Ele tinha absoluta convicção que trilhava o caminho em direção à vida eterna proposta pelo Senhor Jesus a fim de chegar ao gozo da Eternidade! Apesar da sua vida atribulada, com muitas angústias e sofrimentos, ele nos acaricia dizendo que "a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós eterno peso de glória acima de toda comparação" (2 Coríntios 4:17). Ele tinha por certo que os sofrimentos do tempo presente não são para comparar com a glória que está por vir para todos aqueles que possuem ao Senhor Jesus como seu Redentor (Romanos 8:18).

 

Para ele, o viver era Cristo e o morrer lucro (Filipenses 1:21). Cristo vivia nele! Ele não demonstrava temor diante da morte e até desejava partir para estar com Cristo por ser incomparavelmente melhor, mas ele amava o que fazia em prol do Evangelho e ansiava por continuar exercendo o seu precioso ministério para que houvesse progresso contínuo à Igreja do Senhor (Filipenses 1:22-26). Ele estava absolutamente convicto que havia vida após a morte: "Temos, portanto, sempre bom ânimo, sabendo que, enquanto no corpo, ausente no Senhor... preferindo deixar o corpo e habitar com o Senhor" (2 Coríntios 5:1-10). Sua fé era tão magnífica que ele não tinha o menor temor em ser o “primeiro da fila”.

 

Então, ó morte, onde está a tua vitória? Graças a Deus que nos dá a vitória através do Senhor Jesus Cristo. A “fila anda”, mas esteja sempre confiante, prezado leitor, na promessa do Senhor. Permita Deus que assim seja!

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