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POR QUE DEIXAR PARA DEPOIS?
José Carlos Jacintho de Campos - 23/1/2016

Vemos em nossos dias uma forte tendência das pessoas deixarem para depois algo que deveria ser avaliado com antecedência. Se assim não fosse, desagradáveis transtornos não aconteceriam. Seria impensável que isso ocorresse entre aqueles que exercem a liderança dos trabalhos de uma igreja. Todavia, ouve-se muito a expressão “deixa isso pra depois, quando acontecer a gente procura uma solução, o Senhor proverá”. Nenhuma dúvida que o Senhor provê os Seus servos de sabedoria (Tiago 1:5), mas Ele não fará a parte que cabe aos que exercem a liderança da igreja, por sinal obra notável segundo Paulo: "Esta é uma palavra fiel: se alguém deseja o episcopado, excelente obra deseja" (1 Timóteo 3:1).

 

Atualmente o tempo parece correr mais depressa que outrora, já faz mais de 20 anos que escrevi um artigo sob o título “O Desaparecimento da Família – O medo vem de longe”, tentando alertar ao contexto de igrejas que faço parte acerca de uma reportagem contida em uma famosa revista especializada em assuntos econômicos que, por conta do segmento que atua, procura se antecipar aos fatos que estão a ocorrer em termos mundiais para que surpresas desagradáveis sejam evitadas num amanhã bem próximo.

 

Evidentemente a reportagem elaborada por aquela revista especializada em Economia não estava preocupada com os aspectos espirituais que revestem a união conjugal, mas voltada para as consequências econômicas que adviriam com a falência da instituição do casamento com a provável degradação da família nos moldes atuais.

 

Dizia eu, naquela oportunidade, que as igrejas precisariam estar preparadas para enfrentar as consequências dessa degradação, pois situações adversas surgiriam. Dentre outras, destaquei algumas que deveriam ter uma premente conscientização, com a expectativa de uma melhoria dos conceitos morais da sociedade, tendo em vista que ela é completamente indiferente a Deus, a saber: (1) a permissividade sexual cuja filosofia de vida rejeita o ensino moral divino; (2) o divórcio, uma das principais causas para a desagregação da família; (3) o movimento feminista que trouxe consigo um dos terríveis males como o favorecimento do casamento aberto, onde a mulher poderá ter inúmeros relacionamentos sexuais e por conta disso são incansáveis defensoras do aborto a fim de impedirem o nascimento indesejado dos “frutos” dessas relações; (4) e a liberação da literatura obscena, através de todos os meios de comunicação, que tem gerado um estado mental na sociedade que contraria os padrões estabelecidos por Deus. Já dizia Paulo: “porquanto os dias são maus” (Efésios 5:16).

 

Se já não bastassem essas enormes dificuldades, eis que surge um fato que àquela época os indicadores consideraram “um ponto fora da curva”: o da criação do “grupo familiar” formado por casais do mesmo sexo com direito à adoção de crianças. Portanto, se tratava de uma exceção que naquele momento dispensaria uma avaliação mais aprofundada. Mas, pelo rápido crescimento obtido por esse “segmento social”, esse grupo se tornou um nicho de mercado bastante interessante em termos econômicos face ao alto consumismo que praticam.

 

Vê-se, portanto, que “fora da curva” foi a decisão tomada pelos analistas, pois esse grupo de pessoas tem conseguido expressivo sucesso em várias de suas atividades e demandas, principalmente pela forte atuação nos principais meios de comunicação, com destaque para o televisivo, erguendo a bandeira da “intolerância” que estaria sendo praticada por uma sociedade preconceituosa e escravizada pela forte influência de certos movimentos religiosos tidos como radicais. Exageros à parte, os homoafetivos posam como vítimas da perseguição de um contexto social considerado “machista” e com isso têm conseguido sensibilizar instituições privadas e governamentais de defesa dos direitos humanos, com destacada atuação no Congresso Nacional.

 

Cabe salientar, quanto à citada “intolerância”, que a recíproca é verdadeira, pois os que tais coisas praticam não aceitam que exista a única opção do “macho e da fêmea” para a formação da célula familiar conforme estabelecido pelos preceitos constitucionais vigentes em nosso país, que estabelece que a família é a base da sociedade. Por conta disso, com grande açodamento lutam para mudar o Artigo 226 da nossa Constituição que reza em seu parágrafo 3... é reconhecida a união estável entre o homem e a mulher como entidade familiar”, para “é reconhecida a união estável entre duas pessoas, sejam do mesmo ou de diferente sexo, como entidade familiar”. Afaste a ideia, caro leitor, de que será impossível eles alcançarem essa mudança, pois ela poderá estar mais próxima do que possamos imaginar, tendo em vista que o Supremo Tribunal Federal já reconheceu a união estável de homossexuais para fins de direitos civis e previdenciários.

 

A união de pessoas do mesmo sexo jamais irá gerar filhos. Isso é impensável! Macho e fêmea são indispensáveis para que isso ocorra. Dentro dos propósitos estabelecidos pelo Criador, a mulher é imprescindível para que houvesse a procriação da espécie, numa longa gestação de cerca de nove meses. Sem ela a humanidade não existiria. Homens com homens e mulheres com mulheres não geram absolutamente nada. As Escrituras Sagradas são claríssimas acerca disso: "Assim Deus criou os seres humanos; ele os criou parecidos com Deus. Ele os criou homem e mulher e os abençoou, dizendo: Tenham muitos e muitos filhos; espalhem-se por toda a terra e a dominem" (Gênesis 1:27-28, NTLH). O que passar disso não vem de Deus!

 

Para solucionar essa impossibilidade natural e irreversível que possuem, os casais homoafetivos passaram a adotar crianças órfãs ou abandonadas mediante o irresistível apelo de que estariam a mitigar a exclusão social desses infantes e com isso atingem seus objetivos de criar o tão desejado “núcleo familiar”. As consequências disso é o que menos lhes importam, pois ainda não se sabe como será a geração seguinte dada a formação pra lá de estranha que essas crianças terão nesses lares, do ponto vista dos princípios geralmente aceitos, por possuírem dois pais ou duas mães. Logo na primeira infância a inclusão social será um tanto complicada nas escolas, igrejas, comunidades sociais etc.

 

Para minorar os naturais questionamentos a respeito, os homoafetivos estão a mover montanhas para que seja aprovado no Congresso o projeto de “criminalização da homofobia” entendida, como tal, qualquer manifestação contrária a eles. A gravidade está na interpretação de que há um possível preconceito pelo simples fato de alguém se manifestar que jamais praticaria esse ato sexual (uma condenável abominação, segundo Levítico 18:22,29; 20:13) e isso seria motivo de uma punição criminal. Na verdade, esse projeto de criminalização trata-se da “lei da mordaça” e já escrevi a esse respeito em “Mordaça, não!”.

 

O pior é que estão a surgir os chamados “doutores em Deus”, que pelo fato de se graduarem em um curso de Teologia se sentem autorizados a mudar as interpretações das Escrituras Sagradas quando alegam que Sodoma e Gomorra não foram extintas por conta da prática sexual considerada abominável por Deus, mas porque seus habitantes não foram “hospitaleiros” com os agentes divinos que se encontravam em casa de Ló (Gênesis 19). Se não fossem por questões sexuais por que então Ló ofereceu suas duas filhas virgens aos devassos habitantes de Sodoma? Vejo nisso uma imensa sordidez desses “teólogos” a fim de aliviar as cores sobre a homoafetividade. Atitude semelhante lemos em Juízes 19:22-24. Paulo ao escrever sobre a depravação dos homens, em Romanos 1:18 a 32, asseverou que tal prática é uma torpeza (com significado de baixeza no original) e que segundo a sentença de Deus tais práticas eram passíveis de morte (v. 32).

 

Diante disso lanço a questão para um futuro não muito distante: As igrejas que fazem um excelente trabalho de evangelismo das crianças em suas comunidades, escolas e creches normalmente as convidam para virem à escola dominical aos domingos e, dentre elas, virão aquelas, inocentes, sem culpa nenhuma de terem dois pais ou duas mães, trazendo-os para assistirem a uma reunião especial. Lá estará o casal homoafetivo sentado nos bancos da igreja de mãos dadas; posteriormente, ambos poderão dizer que se converteram. Tendo em vista o risco da criminalização, qual será o procedimento das lideranças das igrejas?

 

Se as lideranças das igrejas ficarem omissas diante de tão constrangedora situação; se as igrejas não cuidarem disso agora, amanhã terão severos problemas, como foi com o divórcio, aliás, por mim alertado há décadas. Hoje vemos três interpretações a esse respeito: (1) aquelas que sustentam que o casamento é completamente indissolúvel; (2) aquelas que entendem que com a conversão dos incrédulos o divórcio estaria perdoado e poderia haver novo casamento; (3) e aquelas que compreendem que só não pode haver novo casamento se os casais se divorciarem após a conversão. Quando questionadas acerca dessas divergências, recorrem à “autonomia da igreja”, demonstrando total falta de conhecimento do que isso significa, pois a igreja de Deus jamais será independente da doutrina pelo Senhor estabelecida para o Seu povo, como Ele deixou claro: "Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda esse é o que me ama” (João 14:21).

 

Reitero o que venho dizendo: A igreja, humanamente falando, é um grupo de pessoas inseridas em um contexto social repleto de padrões antibíblicos. Todavia, as igrejas são responsáveis, perante Deus, por uma orientação divina dentro desse contexto. Para isso é necessário se antecipar aos fatos, buscando a sabedoria de Deus antes que o mal chegue: “Porque o Senhor dá a sabedoria, e da sua boca vem a inteligência e o entendimento” (Provérbios 2:6). Não há dúvida que as igrejas têm papel decisivo para que esse triste quadro seja minorado, através do trabalho de recuperação dos valores espirituais, morais e sociais. Permita Deus que assim seja!

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