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A CONSTANTE BUSCA DE PROSPERIDADE
José Carlos Jacintho de Campos - 21/9/2015

Em nossos dias está se tornando algo doentio a busca pela prosperidade material a qualquer custo no meio tido como cristão, havendo pessoas que chegam ao exagero de determinar, ou melhor, impor a Deus de forma desrespeitosa a obrigatoriedade d’Ele torná-las ricas. Para completar essa insanidade, exigem que sejam possuidoras de saúde perfeita coisa esta que jamais foi prometida a ninguém como uma regra divina. Esta realidade só aconteceu antes da queda do homem, quando ainda vivia na presença de Deus, e voltará a acontecer na eternidade onde jamais haverá doença, pecado, maldição ou qualquer coisa do gênero.

 

Para respaldar essa inverdade, a da prosperidade compulsória, muitos recorrem a textos fora do seu contexto contidos no Velho Testamento, sob a alegação que desde sempre houve essa promessa de Deus ao Seu povo. Será mesmo? Ao olharmos mais detalhadamente para as Antigas Escrituras vemos que não é bem assim, pois há somente quatro palavras do vernáculo original que poderão ser consideradas como “prosperidade” e somente uma delas diz respeito à posse de bens materiais, senão vejamos:

 

1. Chail – Dentre elas é a que menos aparece nas Escrituras, seu significado diz respeito à posse de bens materiais, todavia não como um exemplo a ser praticado, o inverso é absolutamente verdadeiro: "Os homens de classe baixa são vaidade, e os de alta estirpe são mentira; na balança, subirão; juntos, são mais leves do que a vaidade. Não confieis na opressão e não vos vanglorieis na rapina. Se as ‘riquezas’ aumentarem, não ponhais nelas o coração" (Salmo 62:9-10). Conforme William MacDonald, a mensagem contida neste salmo indica que Deus é o único refúgio (não as riquezas), somente n’Ele devemos depositar completamente a nossa confiança. Nem mesmo a “riqueza” adquirida de forma lícita poderá ocupar o lugar do Senhor, o temporal jamais deverá sobrepor o Eterno.

 

2. Shalu – Encontramo-la num precioso cântico de Davi (Salmo 122:7), que revelava o profundo sentimento do rei para que houvesse paz e descanso na cidade que tanto amava – Jerusalém. Ela era objeto da sua alegria e satisfação. Essa era a ‘prosperidade’ desejada por Davi: "Orai pela paz de Jerusalém. Gozem de ‘prosperidade’ os que te amam. Haja paz dentro dos teus muros, e ‘prosperidade’, nos teus palácios. Por amor dos meus irmãos e amigos, diga eu: Haja paz dentro de ti. Por amor da Casa de Jeová, nosso Deus, buscarei o teu bem" (Salmo 122:6-9). Dizer que Davi pedia orações pela riqueza da cidade eterna é uma afirmação para lá de duvidosa, beirando a mentira, pois o contexto do salmo releva o amor manifesto nessa oração de Davi para que houvesse tranquilidade e segurança na cidade que foi identificada com o seu nome: “a cidade de Davi”.

 

3. Sekel – Esta palavra também traduzida por ‘prosperidade’ não traz em si o significado de riqueza material, mas o de sabedoria, entendimento, inteligência como vemos em 1 Crônicas 22, após Davi ter suplicado a Deus para que desse ao seu filho Salomão prudência e entendimento para a construção da Casa de Deus, ele orienta a seu filho: "Agora, meu filho, seja Jeová contigo; prospera e edifica a Casa de Jeová, teu Deus, como ele falou a respeito de ti. Pelo menos te dê Jeová prudência e entendimento e te instrua acerca de Israel, para que assim guardes a lei de Jeová, teu Deus. Então, serás próspero, se cuidares em cumprir os estatutos e os juízos que Jeová mandou a Moisés acerca de Israel" (vs. 11 a 13). Salomão não deveria ter nenhuma preocupação com a riqueza necessária para a edificação de tão magnífica obra, pois Davi já havia preparado tudo que era preciso para tão grandiosa empreitada: "Eis que, com duro trabalho, preparei para a Casa de Jeová cem mil talentos de ouro e um milhão de talentos de prata, e de bronze e de ferro que não se podem pesar, porque é em abundância; madeira também e pedra preparei; podes aumentá-los. Além disso, tens trabalhadores em abundância, pedreiros e carpinteiros; e todos os que são peritos em toda sorte de obra. O ouro, a prata, o bronze e o ferro são inumeráveis. Levanta-te e mete mão à obra, e seja Jeová contigo" (vs. 14-16).

 

Não poderia deixar de ressaltar aqui a lição aprendida por Salomão através do seu pai no diálogo que ele mantém com o Senhor: Pede o que queres que eu te dê. Salomão disse a Deus: Tu usaste de grande benevolência para com meu pai Davi, e a mim me fizeste rei em seu lugar. Agora, Deus Jeová, estabeleça-se a tua promessa, feita a meu pai Davi, pois que tu me fizeste rei sobre um povo cuja multidão é como o pó da terra. Dá-me sabedoria e conhecimento para eu me haver com este povo; pois quem poderá julgar este povo teu, que é tão grande? Disse Deus a Salomão: Porque tiveste este desejo e não pediste riquezas, bens ou honra, nem a morte dos que te aborrecem, nem tampouco pediste muitos dias de vida, mas pediste sabedoria e conhecimento, para poderes julgar o meu povo, sobre o qual te constituí rei, sabedoria e conhecimento te são dados; e te darei riquezas e bens e honra, quais não teve nenhum dos reis antes de ti, nem haverá depois de ti quem terá coisas semelhantes. Voltou Salomão para Jerusalém da sua visita ao alto que estava em Gibeão, de diante da tenda da revelação; e reinou sobre Israel”. A riqueza alcançada por Salomão foi o efeito do propósito contido no seu coração.

 

4. Tzalach – Este quarto e último sinônimo encontrado no Velho Testamento tem o sentido de não se ser apegado ao conselho dos iníquos, mas de obediência aos preceitos estabelecidos por Deus nas Sagradas Escrituras. Com isso haverá liberdade para o temente a Deus e alcançará sucesso em tudo que empreender, por conseguinte será próspero segundo a vontade de Deus, não pela ganância do seu coração: "Bem-aventurado o varão que não anda segundo o conselho dos ímpios... Antes, tem o seu prazer na lei do Senhor, e na sua lei medita de dia e de noite. Pois será como a árvore plantada junto a ribeiros de águas, a qual dá o seu fruto na estação própria, e cujas folhas não caem, e tudo quanto fizer prosperará" (Salmo 1:1-3). Nunca é demais lembrar que a busca incontida pela riqueza e a posse de bens materiais é severamente incriminada no Novo Testamento para que a Igreja de Deus se afaste desse mau procedimento por ser uma idolatria: “Sabei, pois, isto: nenhum incontinente, ou impuro, ou avarento, que é idolatria, tem herança no reino de Cristo e de Deus. Ninguém vos engane com palavras vãs; porque por estas coisas vem a ira de Deus sobre os filhos da desobediência” (Efésios 5:5-6), e ainda: “Fazei, pois, morrer a vossa natureza terrena: prostituição, impureza, paixão, lasciva, desejo maligno, e a avareza, que é idolatria, por estas coisas é que vem a ira de Deus sobre os filhos da desobediência” (Colossenses 3:5-6).

 

Pois então, caro leitor, faltaria espaço para analisarmos todo o conteúdo bíblico acerca dessa busca desenfreada pela prosperidade material que vemos em nosso entorno e fortemente esbravejada nos mais variados púlpitos e em todas as mídias, quer seja falada, escrita ou televisiva. Ouço de incrédulos muitos deboches diante dos constantes apelos por dinheiro das igrejas e pregadores que se dizem cristãos. Já houve quem dissesse que nunca se pediu, em todo esse contexto, tanto dinheiro como agora, coisa esta que está a beirar o grotesco.

 

Pois bem, você poderá estar a pensar: “As Escrituras mencionam servos de Deus que foram muito ricos e ao longo da história do cristianismo muitos outros foram prósperos financeiramente”. Não existe nenhum erro nisso, meu prezado leitor. Realmente eles existiram e sempre existirão, todavia Deus assim os fez. O consagrado apóstolo Paulo é claríssimo a esse respeito quando assevera: “Deus ‘pode’ fazer-vos abundar” (2 Coríntios 9:9). Paulo não diz que Deus “deve”, mas “pode”, ou seja, é algo que está sob a Sua soberana vontade. A seguir ele completa: “enriquecendo-vos em tudo para toda a generosidade, a qual faz que por nosso intermédio seja tributadas graças a Deus” (v. 11), ou seja, esse enriquecimento não é para o nosso deleite, mas para praticarmos assistência (generosidade) às necessidades dos filhos de Deus (v. 12). Por isso “Deus ama a quem dá com alegria” (v. 7).

 

Na verdade, desde a Antiguidade, observamos que o povo de Deus não conseguia suportar por muito tempo a prosperidade material, de fato florescia mais na adversidade. Moisés, em seu cântico de despedida, profetizou que a prosperidade dos judeus os faria desprezar a Deus (não deixe de ler Deuteronômio 32:13). Essa profecia cumpriu-se no tempo de Jeremias: “Depois de eu os ter fartado, adulteraram e em casa de meretrizes se ajuntaram aos bandos” (Jeremias 5:7), assim como lemos em Oseias 13:6... “Quando tinham pasto, eles se fartaram, e, uma fez fartos, ensoberbeceu-se-lhes o coração; por isso se esqueceram de mim”.

 

Fiquemos, portanto, com o ensino contido na Palavra de Deus: "Os que querem tornar-se ricos caem em tentação, e em laço, e em muitos desejos insensatos e nocivos, os quais arrastam os homens à ruína e à perdição. Pois o amor do dinheiro é raiz de todos os males; e alguns, cobiçando-o, se desviaram da fé e se traspassaram a si mesmos com muitas dores.Tu, porém, ó homem de Deus, foge dessas coisas; segue a justiça, a piedade, a fé, o amor, a perseverança, a mansidão" (Efésios 6:9-11). Permita Deus que assim seja!

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