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O CUPIM E A MADEIRA
José Carlos Jacintho de Campos - 21/6/2015

Nos inícios de 1988 mudei-me de São Paulo para o Rio de Janeiro para assumir um importante cargo na matriz da instituição bancária em que trabalhava por cerca de 10 anos. Nessa mudança tive a experiência de algo que só conhecia por ouvir falar – o siriri –, aquele cupim alado que faz um grande estrago por onde se instala ao dar início a uma nova colônia.

 

Certa feita, por ocasião da limpeza em um dos aposentos do imóvel no qual eu morava, o aspirador de pó bateu na porta de um armário baixo e a laca que o revestia desprendeu-se derramando uma grande quantidade de algo como se fosse serragem, revelando que aquele móvel fora destruído por aqueles insetos brancos que estavam entre aquela montanha de pó que se espalhou pelo chão. O que me deixou impressionado é como todo aquele estrago passou completamente despercebido de todos, diferentemente do popular cupim de madeira seca cuja presença é facilmente identificada pelo pó que aparece no local onde se encontra.

 

De imediato concluí: Ninguém vê esse cupim entrar na madeira onde permanece imperceptível, quando percebido a madeira já não mais existe, virou pó! Isto ficou gravado em minha memória e ao longo do tempo observava que de forma semelhante tais coisas acontecem no nosso dia a dia sem darmos conta que as consequências dessa desatenção poderão ser desastrosas.

 

Uma símile disso encontra-se na cristandade dos nossos dias e é facilmente constatada. Se perguntarmos aos transeuntes que cruzam o nosso caminho: “O que Jesus representa para você?”, as respostas que obteremos serão as mais díspares possíveis, ainda que os arguidos se identifiquem como cristãos.  Qual a razão de tanta diferença?


A resposta é bastante simples. As equivocadas interpretações das Sagradas Escrituras que são introduzidas dissimuladamente no seio das igrejas, como o citado cupim, por um sem número de denominações tidas com cristãs, geram grande dificuldade para se distinguir o falso do verdadeiro. Na verdade são meras perspectivas humanas, distantes daquilo que foi revelado por Deus, que provocam graves desvios que impossibilitam o retorno dos desviados à sã doutrina pela convicção que passaram a ter no engano que lhes fora apresentado.

 

Pois então, prezado leitor, esta não é primeira e nem será a última vez que faço a afirmação de que se houver duas ou mais interpretações acerca de um texto bíblico, somente uma estará certa, aquela dada por Deus através do Espírito Santo ao Seu povo. Todavia, os “mestres” de outrora, assim como os dos nossos dias, sempre acharão que as deles são as corretas apesar de não terem nenhum apoio escriturístico, apenas pretextos fora do contexto bíblico. O mais perturbador é que seus rebanhos os seguem sem questionar, quando o fazem, acabam provocando um cisma no trabalho local, mas ainda assim os tais “mestres” conseguem arrastar com eles vários dos seus prosélitos e isso vem ocorrendo ao longo dos séculos.

 

Certa vez me questionaram se eu não me considerava um exclusivista pelo fato de não atender aos convites de grupos de igrejas fora do contexto daquelas com as quais me reúno, tendo em vista que aquelas também são consideradas historicamente cristãs, afinal, como dizem, somos todos “irmãos” em Cristo.

 

Sem questionar a Salvação de quem quer que seja, e nem julgar aqueles que procedem diferentemente de mim, esclareço:

 

1. Como posso me juntar àqueles que ensinam que o Senhor Jesus Se sacrificou somente para os predestinados por Deus, e não por toda humanidade, contrariando o ensino de João que assevera que o Senhor Jesus é a propiciação pelos pecados do “mundo inteiro”, de todo aquele que venha n’Ele crer e não somente de um grupo previamente eleito (1 João 2:2)?

 

2. Ou então, que os nascidos de Deus (conforme João 3:3-7) podem perder a Salvação, se o próprio Senhor deixou claro que aqueles que O receberam ouvem a Sua voz, Ele as conhece, O seguem, lhes dá a vida eterna; jamais perecerão, e “ninguém as arrebatará da Sua mão”, pois aquilo que o Pai Lhe deu é maior do que tudo “e da mão do Pai ninguém pode arrebatar” (João 10:27-30)?

 

3. Ou ainda, que aqueles que n’Ele creem passarão pelo período da grande tribulação que virá sobre a Terra, apesar de Paulo, dentre outras passagens, ter deixado explicitado que isso não ocorrerá com os que aguardam o arrebatamento do Senhor Jesus, pois estão livres da “ira vindoura” (1 Tessalonicenses 1:10)?

 

Deixo de incluir outros motivos, seriam muitos e não caberiam neste espaço.

 

Convém ressaltar, que não isento o meio em que me reúno, pois neste também ocorrem, em algumas localidades, entendimentos estranhos ao que está revelado nas Escrituras como, por exemplo, dentre outros:

 

1. A forma do batismo, que não carece de interpretação tendo em vista o próprio significado do vernáculo original que é claríssimo – imersão.

 

2. O uso do véu pelas mulheres, em cujo texto não diz que elas “podem”, mas “devem” usá-lo; por definição, se “deve” torna-se obrigatório o seu uso (1 Coríntios 11:10); ressalto que essa expressão – “deve” – é a mesma contida em Efésios 5:28... "os maridos devem amar a sua mulher", ninguém em sã consciência diria que o marido “pode”.

 

3. Deixar de “partir o pão” todos os primeiros dias da semana, apesar de se tratar de um memorial instituído pelo próprio Senhor Jesus: “fazei isso em memória de mim” (Lucas 22:19), e reiterado pelo apóstolo Paulo em 1 Coríntios 11:20, 23-26, que, por sua vez, quando em Troade, no primeiro dia da semana, estavam reunidos “com o fim de partir o pão” (Atos 20:7). A alegação que poucos participam desse memorial, não é pertinente, pois, segundo o Senhor Jesus, "onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, ali estou no meio deles" (Mateus 18:20). Não será pela quantidade que Ele deixará de estar presente entre os Seus. A infiltração do “cupim” do modismo, das tradições humanas, entre o povo de Deus, faz com que se perca a identidade como Igreja de Deus.

 

Partindo dessa premissa, permita-me uma pergunta, caro leitor: Você ama a Jesus? Eis uma questão que a princípio parece ser bastante fácil de ser respondida por aqueles que confessam ser cristão. Todavia, há algo extremamente difícil, notadamente em nossos dias, de demonstrar na prática essa realidade ao olharmos para o que o Senhor Jesus disse a respeito daqueles que O amam: "Se me amais, guardareis os meus mandamentos... Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é o que me ama; e aquele que me ama será amado por meu Pai, e eu também o amarei e me manifestarei a ele" (João 14:15 e 21).

 

Pois então, caro leitor, diante dessa afirmação do Senhor Jesus, cabe a segunda pergunta: Você “guarda” os Seus mandamentos? Se a resposta for negativa, de fato você não O ama. Simples assim! Dura essa colocação? Sim, mas foi isso que o Senhor Jesus nos deixou revelado. Como então posso demonstrar o meu amor por Ele se na verdade não cumpro com aquilo que Ele deixou estabelecido para os Seus que, como “pedras que vivem”, formam a Sua Igreja (1 Pedro 2:5)?

 

É isso mesmo, a Igreja de Deus não são os tijolos ou qualquer outro material utilizado para a edificação do local de reunião dos cristãos que, pela tradição humana, passou a ser denominado de igreja, templo, santuário, casa de oração etc., entretanto o Espírito de Deus não está a habitar nessas instalações, mas sim naqueles que amam integralmente o Senhor Jesus e, por isso, cumprem literalmente com os Seus mandamentos.

 

A falta de obediência àquilo que está determinado por Deus em Sua Palavra gera uma multiplicidade de denominações cristãs, cada uma com a sua forma de pensar, vindo a demonstrar que há mais de um “evangelho” sendo divulgado. Isso vem de tempos remotos, o que causou grande apreensão a Paulo: “Admira-me que estejais passando tão depressa daquele que vos chamou na graça de Cristo, para outro evangelho; o qual não é outro, senão que há alguns que vos perturbam e querem perverter o evangelho de Cristo” (Gálatas 1:6-7).


O “cupim da heresia” já penetrava de forma insólita, imperceptível, desde os inícios da Igreja, e o estrago continuou ao longo dos séculos a ponto de chegarmos aos nossos dias em que as igrejas perderam a sua genuinidade, ficando difícil de saber onde há autenticidade dada às graves distorções existentes em suas práticas e crendices.

 

Esta não é a primeira vez que escrevo sobre este alerta, e por certo não será a última. Como já disse em tempos idos, sempre será sobremodo oportuna a exortação de Paulo a Timóteo: "Tu, porém, permanece naquilo que aprendeste, e de que foste inteirado, sabendo de quem o aprendeste ... Pois haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina; ao contrário, cercar-se-ão de mestres, segundo as suas próprias cobiças, como que sentindo coceira nos ouvidos; e se recusarão a dar ouvidos à verdade, entregando-se às fábulas. Tu, porém, sê sóbrio em todas as coisas, suporta as aflições, faze o trabalho de evangelista, cumpre cabalmente o teu ministério" (2 Timóteo 3-14; 4:3-5).


Vivemos dias em que se evidencia claramente o alerta de Paulo que "nos últimos dias sobrevirão tempos difíceis" (2 Timóteo 3:1) com o surgimento daqueles que se desviariam da verdade e perverteriam a fé de muitos. Vê-se claramente nos dias atuais através da divulgação pelos meios de comunicações o esforço que há para a desmoralização da sã doutrina como sendo algo ultrapassado, coisa retrógada, não aplicável aos tempos modernos.


Independentemente do contexto, já houve quem dissesse que “quem não se opõe ao erro o aprova, não defender a verdade é negá-la". Têm que existir aqueles que manifestem a sua indignação, pois, com muita tristeza, observamos que há muitos que numa forma interesseira deixam-se envolver com os modismos contemporâneos que transformam o Senhor Jesus numa mercadoria vulgar para seus deleites pessoais, através do enriquecimento a qualquer preço à custa do Evangelho. Ouçamos, portanto, a voz do Espírito Santo, através de Paulo, para que haja "retorno à sensatez” (2 Timóteo 2:26).

 

Para encerrar, remeto-me às sábias palavras de William MacDonald: “... o Espírito Santo é a autoridade final que conduz o povo de Deus a toda a verdade por meio das Sagradas Escrituras. Toda e qualquer doutrina ou ensino deve ser avaliado e testado à luz da Bíblia. Quando for um acréscimo à Palavra de Deus, quando for além do está escrito, deve ser rejeitado”.  Permita Deus que assim seja!

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