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EVANGELISMO
José Carlos Jacintho de Campos - 15/10/2014

Por definição, evangelismo é o sistema, moral e religioso, fundamentado no Evangelho. Fala-se muito em nossos dias da necessidade de evangelização de todos os povos e nações e para isso investe-se muito em estratégias, planejamentos, programas, planos e coisas do gênero, como que se evangelizar fosse um grande empreendimento empresarial, e tudo indica que se trata disso, pois muitos estão ganhando muitos recursos financeiros nessas empreitadas.

 

Mas, de fato, o que significa “evangelizar”? Aliás, o que é ser “evangélico”? Está aí algo de difícil compreensão em nossos dias dado o enorme mercantilismo que é praticado no segmento tido como evangélico com seus muitos congressos, mega-espetáculos, instituições paraeclesiásticas etc.

 

Por definição, evangelizar é o esforço pessoal de levar os incrédulos a receberam ao Senhor Jesus Cristo como seu Senhor e Salvador, sob a absoluta direção do Espírito Santo, e não através de estratagemas tecnocratas criados pela sabedoria humana. Por certo o máximo que se conseguirá é levar o incrédulo a uma experiência emocional, não necessariamente à conversão espiritual, ao “novo nascimento”, conforme claramente asseverado pelo Senhor Jesus em João 3:7: “necessário vos é nascer de novo” (literalmente “nascer de cima”). A cruel realidade é que vivemos dias de enorme perda de identidade daquilo que deveria ser a Igreja de Deus, nunca dantes vista desde a reforma protestante.

 

Evangelizar é o privilégio estabelecido a todo aquele que crê no Senhor Jesus, e se exprime através do “testemunho pessoal” de fé. O que vem a ser “testemunhar”? é algo extremamente simples que as pessoas dificultam ao estabelecerem complicadas estratégias de como fazê-lo. Testemunhar nada mais é que transmitir a outros aquilo que sabemos e sentimos, e produzirá seus efeitos na medida em que vivamos de conformidade com a nossa fé, crendo que quem faz a obra de conversão de uma alma é o Espírito Santo. De que adianta pregarmos uma nova vida espiritual se praticamos toda sorte de impropriedades não condizentes com a condição ética e moral exigidas para um autêntico servo de Deus.

 

Evangelizar, por quê? Porque é uma determinação expressa do Senhor Jesus. Foi a forma estabelecida por Ele para que os incrédulos fossem alcançados e resgatados da punição eterna, através do testemunho pessoal dos filhos de Deus. Em Sua última mensagem, no dia em que foi levado para cima, Ele deixou instruções claras e objetivas acerca disso: “Mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e ser-me-eis testemunhas... até os confins da terra” (Atos 1:8). Desnecessário qualquer tratado de hermenêutica para compreender essa ordenança, pois ela é simples: Todo aquele que tem o Senhor Jesus como Senhor e Salvador é Sua testemunha.  Leiam também Mateus 28:16-20; Marcos 16:14-20.

 

A ordem do Senhor é “imperativa” (“ide e pregai”, Mateus 16:15) e “universal” (“até os confins da terra”, Atos 1:8). Deve-se evangelizar mediante a “autoridade” de Jesus (“foi-me dada toda autoridade”, Mateus 28:18), pelo poder do Espírito Santo que habita em nós (“recebereis poder”, Atos 1:8), tendo a mais absoluta confiança que temos a Sua companhia (“estou convosco todos os dias”, Mateus 28:20), e seguindo o exemplo que vemos nos inícios da Igreja, quando os Seus discípulos pregavam a Palavra com intrepidez apesar da feroz perseguição que sofriam: “e divulgava-se a palavra de Deus, de sorte que se multiplicava muito o número de discípulos” (Atos 6:7). A igreja primitiva se submetia à completa direção do Espírito Santo não pelos ditames de uma mera entidade religiosa (“a igreja... pelo auxílio do Espírito Santo, se multiplicava”, Atos 9:31).

 

Quando Paulo escrevia a Timóteo, ele o alertava para que pregasse a Palavra com insistência, a tempo e fora de tempo, porque viria a época em que não mais se suportaria a sã doutrina, pois grande seria o desejo dos corações de ouvir coisas agradáveis e desviariam seus ouvidos da verdade. Ele instava ao jovem discípulo para que fizesse a obra de um evangelista, cumprindo bem o seu ministério (2 Timóteo 4:1-5). Qual o Evangelho que está sendo pregado em nossos dias? é outro evangelho, o do bem-estar, da prosperidade obstinada, da vida cômoda, confortável, sem privações, e para isso “determinam” ao Senhor, como se possível fosse, a obrigação de conceder às pessoas toda sorte de abastança material.

 

Não era esse evangelho que Paulo pregava! Ao escrever à igreja que se reunia em Corinto ele deixou expresso que o Senhor Jesus o enviou para pregar o Evangelho, não em sabedoria de palavras para que a cruz de Cristo não se tornasse vã, pois o mundo pela sua sabedoria não conheceu a Deus e foi aprazível a Deus salvar pela “loucura da pregação” do Evangelho os que creem (1 Coríntios 1:17-21).

 

Disse mais, Paulo aos coríntios: “nós pregamos a Cristo crucificado... porque nada me propus saber entre vós, senão a Jesus Cristo, e este crucificado... a minha linguagem e a minha pregação não consistiram em palavras persuasivas de sabedoria, mas em demonstração de Espírito e poder, para que a vossa fé não se apoiasse na sabedoria dos homens, mas no poder de Deus”. Para Paulo, não haveria pregação do Evangelho se não fosse pela “palavra da cruz”, que é loucura para os que perecem, mas para os que são salvos é o poder de Deus (1 Coríntios 1:18-25; 2:1-5).

 

Sejamos, pois, testemunhas autênticas do Senhor Jesus. Em Suas últimas palavras aos Seus discípulos, o Senhor Jesus, ressurreto e antes de ser levado ao céu, disse-lhes: “Assim está escrito que o Cristo padecesse, e ao terceiro dia ressurgisse dentre os mortos; e que em seu nome se pregasse o arrependimento para remissão dos pecados a todas as nações, começando por Jerusalém. Vós sois testemunhas destas coisas”. Preguemos, portanto, o verdadeiro Evangelho. Permita Deus que assim seja!

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