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TÉCNICA EM CERÂMICA SUBAQUÁTICA. O QUE SERÁ ISSO?
José Carlos Jacintho de Campos - 28/2/2014

Era o final de tarde de um escaldante verão. A jornada daquele dia exaustivo se aproximava ao fim e eu podia contemplar através da janela defronte à minha mesa de trabalho um magnífico pôr do sol que marcava o céu com um notável tom alaranjado. Aquela visão manifestava todo o esplendor da criação de Deus e pude me regozijar com o que via. Um versículo veio-me à cabeça: "Os atributos invisíveis de Deus, assim o seu eterno poder, como também a sua própria divindade, claramente se reconhecem, desde o princípio do mundo, sendo percebidos por meio das coisas que foram criadas" (Romanos 1:20).

 

De súbito sou despertado daquela minha radiosa contemplação pelo tilintar do meu telefone. As notícias não eram boas, o que não deixa de ser uma novidade nos dias em que vivemos, mesmo em se tratando de assuntos espirituais, pois como disse o antigo profeta: "Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e desesperadamente corrupto; quem o conhecerá?" (Jeremias 17:9). A notícia dizia respeito a certas desavenças provocadas por alguém desejoso em adotar princípios doutrinários de seu particular entendimento no meio onde se reunia, chegando à estultícia de fazer ameaças de chamar aos tribunais dos homens aqueles que até então eram considerados seus irmãos na fé. Nesse momento veio-me à mente o alerta de Paulo: "Aventura-se algum de vós, tendo questão contra outro, a submetê-lo a juízo perante os injustos e não perante os santos?... Mas irá um irmão a juízo contra outro irmão, e isto perante incrédulos!" (1 Coríntios 6:1,6).

 

Esparramei-me na poltrona e fiquei a pensar acerca do absurdo que acabara de ouvir. O que levaria alguém a adotar uma postura tão temerária junto aos seus, pois com aquela atitude estava pondo por terra tudo que falou, escreveu e testemunhou ao longo da sua carreira até então tida como cristã? De nada vale escrever que se deve preservar a unidade do Espírito no vínculo da paz, que a igreja nos ajuda a não perder de vista a nossa identidade e que precisamos um dos outros e, posteriormente, desejar arrastar esses outros a juízo entre incrédulos. Isto novamente fez me lembrar de Paulo: "Aquele, pois, que pensa estar em pé veja que não caia... Porventura, o cálice da bênção que abençoamos não é a comunhão do sangue de Cristo? O pão que partimos não é a comunhão do corpo de Cristo? Porque nós, embora muitos, somos unicamente um pão, um só corpo; porque todos participamos do único pão" (1 Coríntios 10:12,16-17). Lamentável, quando se perde de vista esse precioso entendimento.

 

Qual o motivo de toda aquela quizila? A primeira resposta que me veio à mente foi a do surgimento de mais uma quimera, ou seja, de mais um desatino dentre tantos outros que estão a surgir em nossos dias. Pensei com os meus botões! O que estão a fazer com o contexto em que me reúno como cristão, que promulga ser o de Deus, mas que de fato está a se tornar uma mera instituição religiosa, como tantas outras, que absurdamente se distanciam cada vez mais d’Aquele que deveria ser sua genuína fonte inspiradora, o Senhor Jesus Cristo, cujos preceitos estão claramente estabelecidos no Novo Testamento, mas que segundo os “entendidos” dos nossos dias, foram ultrapassados pelo tempo e que é preciso adotar mais modernidade para atender aos anseios do presente século. Isto nos remete aos dias em que Moisés subiu ao monte para estar com Deus e, dada a sua demora, os que ficaram ao sopé da montanha rapidamente se desviaram do caminho que lhes havia sido ordenado e fundiram para si uma divindade, um “bezerro de ouro”, que atendesse aos seus insanos desejos e ambições (Êxodo 32:1-10). Pois então, prezado leitor, como vemos o ser humano continua exatamente o mesmo, um ente de dura cerviz.

 

Como uma coisa leva à outra, tendo em mente o tal “bezerro de ouro”, lembrei-me dos seres míticos que segundo a lenda possuíam “várias cabeças”. Algo assim tenta-se fazer com aquilo que deveria ser a Igreja de Deus, que deveria representar o “corpo” cuja “cabeça” seria unicamente a de Cristo, conforme as Escrituras: "Ele é a cabeça do corpo, da igreja. Ele é o princípio, o primogênito de entre os mortos, para em todas as coisas ter a primazia” (Colossenses 1:18). Todavia, vejo com profunda tristeza que isso está deixando de ser uma realidade para se tornar uma rara exceção. Homens soberbos se esforçam para se tornar “cabeças de igrejas” e, para isso, se for preciso, até criam engenhosas fábulas através de entendimentos de particular elucidação, promovendo severos desvios àquilo que está estabelecido para a Igreja de Deus no Novo Testamento. Nada disso, porém, é surpreendente, caro leitor, pois tal corrupção ao texto sagrado já fora prevista por Paulo na medida em que alertava a Tito para que repreendesse severamente os falsos ensinadores já existentes àquela época, a fim de que se tornassem sadios na fé e deixassem de se ocupar com fábulas ou com mandamentos ditos por homens desviados da verdade (Tito 1:14).

 

É impressionante nos dias atuais o intenso desejo de tais “cabeças” na busca por uma titulação. Parece que sem um título eclesiástico os seus ouvintes deixarão de alcançar a Salvação. A mesma coisa é com respeito à tabuleta na fachada do local de reunião, se não houver uma denominação porventura as pessoas deixarão de ter interesse nas coisas de Deus? Essas coisas não passam de vaidade, de correr atrás do vento no dizer do sábio que ao final de sua prédica conclui: “Teme a Deus, e guarda os seus mandamentos, pois isto é o dever de todo homem” (Eclesiastes 12:13). Como então, não guardar literalmente aquilo que está estabelecido pelo Senhor Jesus para a Sua Igreja? “Vaidade de vaidade, diz o Pregador, tudo é vaidade” (Eclesiastes 12:8). Pelo visto estão a se esquecer de que “Deus há de trazer a juízo todas as obras até as que estão escondidas, quer sejam boas, quer sejam más” (Eclesiastes 12:14).

 

Em uma recente meditação li acerca de uma pesquisa feita pela rádio britânica BBC que pediu aos seus ouvintes exemplos de títulos profissionais que lhes soavam importantes, ainda que fossem obscuros ou bizarros. Uma ouvinte enviou o dela: "Técnica em Cerâmica Subaquática". Na verdade ela era lavadora de pratos em um restaurante, mas o título lhe dava certo prestígio, mesmo porque as pessoas não sabiam o que de fato ele representava. Para alguns, os títulos são usados para fazer determinada função soar mais importante. Ao elencar alguns dos dons de Deus para a igreja, em Efésios 4:11, o apóstolo Paulo não pretendia que eles fossem compreendidos através de “títulos imponentes”. Todas as partes do corpo são necessárias para ele funcionar adequadamente. Nenhuma parte é melhor do que a outra. Eles visam o “aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu serviço, para a edificação do corpo de Cristo, até que todos cheguem à medida da estatura da plenitude de Cristo” (Efésios 4:12-13). Para isso de nada importa o título a ser usado. O que importa é o fortalecimento da fé. Pena que há aqueles que não pensam assim por terem em vista, prioritariamente, os seus interesses pessoais e não os da coletividade a que pertencem.

 

Quando ainda assentado lá no escritório, sem dar conta que o tempo corria, veio-me à memória o trecho bíblico que há mais de quatro décadas me foi extremamente decisivo, pois através dele pude chegar ao conhecimento da Verdade, ao compreender, pela fé, que o Senhor Jesus Cristo é o único Caminho, a única Verdade, e somente n’Ele há a única Vida verdadeira, e ninguém chegará ao Pai se não for através d’Ele – João 14:6. Como então interpretar que há outra verdade, caminho ou vida, que não sejam por meio d’Ele? Conclui-se, portanto, caro leitor, que aquilo que ultrapassar o que está revelado nas Sagradas Escrituras será uma banal fabulação humana.

 

Esse trecho faz parte do contexto do prolongado discurso feito pelo Senhor Jesus aos Seus discípulos, tendo em vista os acontecimentos que se sucederiam, preparando-os para a Sua ausência vindoura, demonstrando com clareza para onde Ele iria, que voltaria para vir buscá-los e, sobretudo, que não os deixariam órfãos, pois Ele enviaria da parte do Pai o Espírito Santo que testificaria a eles todas as coisas que Ele havia dito (João 14:26) e das coisas futuras que viriam a acontecer (João 16:13). Porventura terá o Espírito Santo duas interpretações para um mesmo assunto contido nas Escrituras? Se houver duas, esteja certo, caro leitor, que uma é mentirosa, logo não foi por Ele inspirada, pois não condiz com a única Verdade que é o Senhor Jesus Cristo.

 

Em João 10:16, diz o Senhor Jesus: “Ainda tenho outras ovelhas que não são deste aprisco; também me convém agregar estas, e elas ouvirão a minha voz, e haverá um rebanho e um Pastor”. Um só rebanho, um só Pastor! O que significa isso para você, prezado leitor? Esteja certo que o povo de Deus não precisa de alguém que use crachá de “pastor” ou qualquer outro título, ou de uma “denominação” para identificar e conduzir o Seu rebanho. Assim foi desde o princípio e tenho por certo que assim deverá continuar a ser até o Seu retorno, quando o verdadeiro Pastor virá buscar e levar Suas ovelhas para junto de Si, para que onde Ele estiver estejam elas também (João 14:2-3). Que haja uma profunda reflexão a esse respeito por parte daqueles que estão a se apartar da simplicidade que há em Cristo (2 Coríntios 11:3). Permita Deus que assim seja!

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