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A MELHOR VIDA POSSÍVEL
José Carlos Jacintho de Campos - 13/1/2014

Recebo diariamente pela Internet um sem número de correspondências, muitas delas nem sei por que a mim chegaram, mas sabemos que o menos importante para os usuários desse meio de comunicação é a privacidade das pessoas. Dentre essas, recebi uma crônica com o mesmo título que estou agora a usar e que me chamou muita atenção pela opinião exposta pela autora acerca da busca das pessoas por uma vida melhor (ou menos pior) em um mundo que insiste para que os dias sejam maus e por isso há que se aproveitar bem todas as oportunidades que surgem.

 

Após detida leitura dessa crônica não me contive em responder à pessoa que ma tinha enviado, tendo em vista que, na verdade, a melhor vida possível neste mundo não estava contida naquele texto. Vamos a ele!

 

Diz a articulista: “Quanto mais converso por aí, mais percebo que é inútil acreditar em verdades absolutas e fórmulas ideais de convivência. Cada pessoa tem familiares que influenciaram suas escolhas, medos herdados e medos adquiridos, sonhos altos demais ou mesmo nenhum, e um número incalculável de perguntas sem respostas, de desejos embaraçosos, de mágoas vitalícias. Quem vai decretar para mim o que é melhor para mim? E quem vai dizer o que é melhor para você? Com que topete...?”.

 

Como se vê, ela se considera autossuficiente e para ela nada há debaixo do sol que possa lhe sugerir uma vida melhor do que aquela que está a levar, e de forma atrevida deixou claro para que ninguém tivesse o “topete” de dizer o contrário. Bem, pensei com os meus botões, “topete”, no sentido literal, não mais o tenho, pois com o passar dos anos os meus cabelos deixaram de ser volumosos como outrora, todavia, dentro do sentido que ela está a dar ao “topete”, eu não perderia a oportunidade de lhe dizer que está completamente equivocada, pois neste mundo há uma vida absolutamente superior, pois aqui esteve, e aqui retornará, Aquele que teve o “topete” de asseverar: "eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância" (João 10:10).

 

Ela continua em sua narrativa: “A melhor vida não é aquela que atende os mandamentos universais, as ordens celestes e os clichês eternizados, mas a que se tornou possível, a que você vem construindo a despeito de todas as suas dúvidas...”. Por certo esta seria a resposta que ela me daria, pois, por aquilo que revela ao escrever, ela se considera estar acima dos “mandamentos universais”, “ordens celestes” e “clichês eternizados”. Portanto, nem pensar em lhe falar sobre a existência do Deus Todo-Poderoso, Criador de todas as coisas, que nos foi revelado através do Senhor Jesus, por certo lhe seria algo insuportável diante dessas premissas que ela coloca. Em resumo, nesse parágrafo ela está a dizer: “não me venham com essa estória do divino”.

 

Isto me remete a uma famosa frase do consagrado escritor português – Fernando Pessoa – que “tudo vale a pena se a alma não é pequena”. Salvo melhor juízo, as evidências disto que essa cronista escreveu demonstra ser este o seu caso, cuja alma parece ser pequena demais para suportar a possibilidade da existência de um Criador que intervém em favor da Sua criatura, que a amou de forma tão abundante a ponto de levar sobre a Si a culpa que a ela cabia (João 3:16). Todavia, para ela esta afirmação seria um “clichê eternizado”.

 

Isso faz parte daqueles que teimam em não acreditar em Deus e, lamentavelmente, pagarão um alto preço por essa insensata indiferença. A maioria das pessoas vive neste mundo a contemplar o próprio umbigo; sua vida é sem esperança e por isso se torna um viver de absoluto vazio. Como nos diz Paulo, temos que olhar para o Alto, pois de lá virá a nossa redenção: "buscai as coisas lá do alto, onde Cristo vive, assentado à direita de Deus; pensai nas coisas lá do alto, não nas que são aqui da terra" (Colossenses 3:1-2).

 

Uma vida debaixo do sol sem a contemplação do divino é de constantes mesmices, é como correr atrás do vento sem nunca alcançá-lo. A esse respeito nos diz as Sagradas Escrituras: "Geração vai e geração vem; mas a terra permanece para sempre. Levanta-se o sol, e põe-se o sol, e volta ao seu lugar, onde nasce de novo. O vento vai para o sul e faz o seu giro para o norte; volve-se, e revolve-se, na sua carreira, e retorna aos seus circuitos. Todos os rios correm para o mar, e o mar não se enche; ao lugar para onde correm os rios, para lá tornam eles a correr. Todas as coisas são canseiras tais, que ninguém as pode exprimir; os olhos não se fartam de ver, nem se enchem os ouvidos de ouvir. O que foi é o que há de ser; e o que se fez, isso se tornará a fazer; nada há, pois, novo debaixo do sol" (Eclesiastes 1:3-9). Diante dessa absoluta realidade o sábio escritor finaliza esse seu livro afirmando: “tudo é vaidade... teme a Deus e guarda os seus mandamentos; porque este é o dever de todo homem” (Eclesiastes 12:8 e 13).


Mas não é assim que essa cronista pensa. Diz ela: “A melhor vida para mim é bem diferente da melhor vida para você. Reúna o planeta inteiro e não se encontrará duas pessoas que planejem possuir a mesma vida, porque uns não querem ter horário para nada, outros se envaidecem de ter suas atitudes comentadas por estranhos, há os que se paralisam à primeira frustração, os que estão sempre inventando novos desafios, e a vida possível de cada um torna-se impossível para os demais, o que não deixa de ser uma piada termos que conviver intimamente uns com os outros apesar desse tabuleiro inesgotável de escolhas e destinos...”.

 

Que afirmação mais absurda! Conheço um monte de gente que pensa como eu, sem, contudo, perderem o livre-arbítrio. O fato de pensarmos as mesmas coisas isso não nos torna absolutamente iguais aos demais; podemos discordar em algumas coisas, mas isso não nos impede que caminhemos juntos procurando alcançar os mesmos objetivos. O que me impressiona é que ela é absolutamente individualista, e por se considerar diferente, o que menos lhe importa é como os outros são ou pensam. Sem fazer qualquer insinuação, quem pensa assim são os psicopatas. Para esses, o que importa é o que pensam, as demais coisas lhes são dispensáveis a não ser que sejam de mais-valia para seus interesses.

 

Contrapondo a um pensamento egoístico como esse, o apóstolo Paulo faz uma magnífica símile a respeito da importância do coletivo que prevalece ao individual: "Porque também o corpo não é um só membro, mas muitos. Se disser o pé: Porque não sou mão, não sou do corpo; nem por isso deixa de ser do corpo... Mas Deus dispôs os membros, colocando cada um deles no corpo, como lhe aprouve. Se todos, porém, fossem um só membro, onde estaria o corpo? O certo é que há muitos membros, mas um só corpo... Deus coordenou o corpo, concedendo muito mais honra àquilo que menos tinha, para que não haja divisão no corpo; pelo contrário, cooperem os membros, com igual cuidado, em favor uns dos outros" (1 Coríntios 12:14-25). Ele está a pregar a unidade mesmo na diversidade, algo inimaginável para imensa maioria das pessoas. Dentro desse mesmo pensamento, o apóstolo escreve: “...faleis todos a mesma coisa e que não haja entre vós divisões; antes, sejais inteiramente unidos, na mesma disposição mental e no mesmo parecer” (1 Coríntios 1:10). Difícil coisa a se alcançar?

Sim, mas não impossível, pois, se assim não fosse, Paulo não teria exposto essa possibilidade.

 

Ela continua no seu pensamento individualista: “Se eu almejar uma vida ideal, terei que me basear na vida dos outros, pois o ideal é fruto de uma racionalização coletiva e consagrada, enquanto que se eu me contentar com uma vida possível, volto a assumir algum controle sobre os royalties das minhas decisões. O que não impede que ela seja ótima, a mais adequada para o fôlego que tenho, a mais realizável dentro de minhas ambições, a menos sofrida, já que regulada pelo autoconhecimento que adquiri até aqui. Tenho como manejar uma vida possível de um jeito que jamais teria de manejar uma vida perfeita, até porque vida perfeita não é deste mundo, e o sobrenatural é matéria que não domino...”. Por ser uma formadora de opinião, que terrível mal ela está a fazer àqueles que intuídos por ela são levados a pensar da mesma forma.

 

Quando ela diz que a “vida perfeita” não é deste mundo e que o sobrenatural é algo que ela não domina, ao menos desta vez ela procura ser sincera ao considerar que existe outra vida, só que, pelo fato dela não dominar esse conhecimento, ela deixa de dizer aos seus leitores que na verdade é essa a vida que importa conhecer e que deverá ser buscada. Tiago escreveu a esse respeito: "Atendei, agora, vós que dizeis: Hoje ou amanhã, iremos para a cidade tal, e lá passaremos um ano, e negociaremos, e teremos lucros. Vós não sabeis o que sucederá amanhã. Que é a vossa vida? Sois, apenas, como neblina que aparece por instante e logo se dissipa. Em vez disso, devíeis dizer: Se o Senhor quiser, não só viveremos, como também faremos isto ou aquilo" (Tiago 4:13-15). Atentemos para a pergunta de Tiago: “Que é vossa vida?” Ele próprio dá a resposta com absoluta clareza que sem Deus a vida não é nada. Foi exatamente por isso que o Senhor Jesus deixou afirmado: "... tenhais paz em mim. No mundo, passais por aflições; mas tende bom ânimo; eu venci o mundo" (João 16:33)... "sem mim nada podereis fazer" (João 15:5).

 

Ao encerrar ela escreve: “A melhor vida não é a focada em suposições, fantasias, esperas, surpresas e demais previsões que raramente se confirmam. A melhor vida não é aquela que é cumprida feito um pagamento de dívida, como um acerto de contas com nossos antigos anseios juvenis. A melhor vida não é a que desenhamos quando criança na folha do caderno, a casinha de venezianas abertas, a fumaça saindo pela chaminé e os girassóis protegidos por uma cerquinha branca, e tudo o que isso sugere de proteção e vizinhança com os desejos comuns a todos. A melhor vida possível é aquela que você ainda vem desenhando, mesmo já com algumas pontas de lápis quebradas...”. Haja lápis, diria eu! Como a cronista não tem a menor ideia de como alcançar “a melhor vida possível” neste mundo insensato, e para não deixar seus leitores sem nenhuma expectativa de como alcançá-la, ela propõe algo que ela própria está a fazer: deixar o tempo correr para ver o que acontece. O final será triste, pois ela levará desta vida a vida que está a levar, ou seja, nada!

 

Repare, caro leitor, que em nenhum momento ela citou as palavras fundamentais para quem realmente deseja ter a melhor vida possível neste mundo: Deus, fé, esperança e amor. Esses são os alicerces fundamentais para quem desejar uma plenitude de vida. Esta vida é eminentemente espiritual, pois já está mais que provado que as coisas materiais são insuficientes para uma plena realização do ser humano. No dizer de Paulo, se a nossa esperança se limita apenas a esta vida somos as mais infelizes das pessoas (1 Coríntios 15:19).

 

Isto me remete a um dos devocionais que publiquei em meu site: “Certa vez o missionário François Coillard visitou as minas de Kimberley, na áfrica do Sul. Mostraram-lhe as máquinas, as instalações e, obviamente, os diamantes que foram encontrados ali. Um dos dirigentes da mina, sabendo que Coillard ia penetrar no deserto africano para pregar o Evangelho, lhe falou com um sorriso irônico: Um homem instruído e inteligente como você poderia ganhar muito dinheiro neste país. Olhe estes diamantes! Isso não o faz pensar? Coillard deu uma resposta bem simples: Eu busco diamantes negros para a coroa do meu Rei... A vida não se limita ao horizonte material. A verdadeira plenitude da vida é amar a Deus. E para amá-Lo é preciso que nos aproximemos d’Ele por meio da fé e crer em Sua Palavra. Então poderemos testemunhar aos que nos rodeiam acerca do amor divino manifesto em Jesus Cristo”. Permita Deus que assim seja!

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