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A CAMINHO DO APOCALIPSE 22 (2)
José Carlos Jacintho de Campos - 1/12/2013

“Bem-aventurado aquele que lê, e os que ouvem as palavras desta profecia,
e guardam as coisas que nela estão escritas;
porque o tempo está próximo”

Apocalipse 1:3

                                                                                             

CAPÍTULO 22 (2)

 

Pois então, prezado leitor, chegamos ao fim de uma longa jornada de exatos três anos a caminho do Apocalipse. Foram momentos de grande expectação à medida que trilhávamos as revelações contidas neste extraordinário Livro. Tivemos momentos de assombro ao tomarmos conhecimento dos rigorosos juízos de Deus que recairão sobre a humanidade rebelde, mas também tivemos momentos de profunda alegria diante das revelações do promissor futuro que aguarda a todo aquele que verdadeiramente deposita a sua fé, autêntica, no Deus Todo-Poderoso, Criador de todas as coisas e que neste Livro O vemos em todo o Seu esplendor através das revelações que nos foram trazidas pelo Senhor Jesus. Vamos, portanto, ao conteúdo que está revelado nos versículos restantes deste último capítulo de Apocalipse.

 

Prossegue João a revelar o que está a ouvir do mensageiro angelical: “Disse-me ainda: Não seles as palavras da profecia deste livro, porque o tempo está próximo” (v. 10). Aquilo que não fora permitido ao profeta Daniel ao receber as revelações do fim dos tempos: "Tu, porém, Daniel, encerra as palavras e sela o livro, até ao tempo do fim... porque estas palavras estão encerradas e seladas até ao tempo do fim" (Daniel 12:4 e 9), é consentido a João fazê-lo, pois, quanto a Israel, estas coisas só seriam conhecidas após a chegada do período da graça – a Igreja de Deus – cuja dispensação, a sexta, iniciou-se com a descida do Espírito Santo conforme nos é revelado no segundo capítulo do Livro de Atos dos Apóstolos. Esta revelação, portanto, agora é permitida “porque o tempo está próximo”, que corrobora com aquilo que o próprio João havia escrito em sua primeira epístola: "Filhinhos, já é a última hora; e, como ouvistes que vem o anticristo, também, agora, muitos anticristos têm surgido; pelo que conhecemos que é a última hora" (1 João 2.18). Como vimos na crônica anterior, a Igreja é celestial, não é do contexto deste mundo, e como tal não se fixa em datas ou contagem cronológica como Israel, pois ela faz parte da chegada dos últimos tempos.

 

Seguem adiante as revelações de João: “Continue o injusto fazendo injustiça, continue o imundo ainda sendo imundo; o justo continue na prática da justiça, e o santo continue a santificar-se” (v. 11). Diz R. Watterson em seu comentário: “A condição de um indivíduo é o resultado da escolha que fez e há de chegar a hora quando tal escolha se tornará irreversível e não haverá mais oportunidade de mudar. Veja como a recompensa assemelha-se à escolha. Aquele que escolheu injustiça colherá mais injustiça e aquele que está sujo colherá mais sujeira ainda. Não há maior castigo do que ser entregue ao seu próprio caminho para colher as suas consequências naturais e inevitáveis”. Portanto, caro leitor, a expressão de que o justo deverá permanecer na prática da justiça e o santo a santificar-se cresce sobremodo diante desses comentários. Sabemos que ser “justo” é não andar na conformidade deste mundo que se rebela e debocha de Deus, e ser “santo” significa estar “separado” da contaminação perniciosa deste mundo, que é avassaladora naqueles que permanecem afastados de Deus, que os levam a uma disposição mental de completa incredulidade às revelações contidas em Sua Palavra.

 

Agora João volta a ouvir a voz do próprio Senhor Jesus: “E eis que venho sem demora, e comigo está o galardão que tenho para retribuir a cada um segundo as suas obras. Eu sou o Alfa e o Ômega, o Primeiro e o Último, o Princípio e o Fim” (vs. 12 e 13). Aqueles que creem de forma irrestrita, absoluta, naquilo que aqui está revelado, têm agora um momento de intenso regozijo. Cada um, pessoalmente, será premiado pelo próprio Senhor Jesus, por aquilo que tiver feito em prol da Sua obra enquanto aqui esteve. Que momento magnífico, prezado leitor!

 

Fiquei a pensar com os meus botões acerca das vezes que recebi os títulos que me foram conferidos pela conclusão dos meus cursos universitários, ou pelos meus êxitos profissionais em minhas atividades seculares, que sem dúvida me foram momentos de alegria, mas que jamais poderão ser comparados, sob nenhuma hipótese, com este exultante acontecimento de ser galardoado por Aquele que é o Princípio e o Fim de todas as coisas. Mas, ao mesmo tempo, veio-me à lembrança que em nossos dias existem tantos no chamado meio evangélico que vivem a mesquinhez de se preocuparem com títulos de identificação, ou então com a tabuleta que denomina o segmento religioso a que pertencem como que se essas identificações fossem propiciar que uma alma chegasse ao conhecimento da Verdade. Perniciosa vaidade! Como diria Salomão, é “correr atrás do vento”. Há coisas muito mais importantes para se preocuparem que estão acima dos seus interesses ou vaidades pessoais. O que importa é o que aqui lemos, que seremos galardoados pelas “obras” que fazemos, não pelos “cargos” que exercemos, ou pelos “títulos” que possuímos, ou pela denominação que participamos. Por definição, “crachá” não entra no Céu.

 

Portanto, a sétima e última beatitude contida neste Livro é sobremodo digna de consideração, tendo em vista a multidão daqueles que permanecem dispersos ou envoltos a uma mera religiosidade sem autenticidade de fé: “Bem-aventurados aqueles que lavam as suas vestiduras [no sangue do Cordeiro], para que lhes assista o direito à árvore da vida, e entrem na cidade pelas portas” (v. 14). Somente irão para a Eternidade com Deus aqueles que depositarem sua fé, exclusivamente, na obra redentora do Senhor Jesus, crendo que o Seu sangue derramado nos redime perante Deus, conforme é declarado por Paulo: “Logo, muito mais agora, sendo justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos da ira” (Romanos 5:9). A estes será estendido o direito à árvore da vida, que simboliza usufruir o direito eterno à vida e à cidadania. Sem dúvida, uma magnífica expectativa.

 

Todavia, em contraste com o imenso gozo daqueles que foram redimidos há algo intensamente dramático. Há aqueles que ficarão fora desse contexto e, como já vimos, irão para angustiantes tormentos eternos: “Fora ficam os cães, os feiticeiros, impuros, os assassinos, os idólatras e todo aquele que ama e pratica a mentira” (v. 15). Esta relação, que aparenta ser pequena, revela a realidade dos desvios de caráter que afastam as pessoas da presença de Deus. “Cães” têm por significado “aquele que tem que ficar para fora”, como assim acontecia com esses animais em terras do oriente à época que, por serem considerados “imundos”, não podiam entrar nas casas. Segundo W. MacDonald este termo se refere aos gentios impuros (Mateus 15:26), ou judaizantes (Filipenses 3:2) e também aos “prostitutos” (travestis ou homoafetivos como são denominados em nossos dias): "Não trarás salário de prostituição nem preço de sodomita à Casa do Senhor, teu Deus, por qualquer voto; porque uma e outra coisa são igualmente abomináveis ao Senhor, teu Deus" (Deuteronômio 23:18).

 

E a lista prossegue revelando os que de fora ficarão: aqueles que se envolvem com o ocultismo como a invocação de mortos (na verdade demônios) e as demais práticas esotéricas tidas como espíritas ou espiritualistas; aqueles que se prostituem ou vivem na luxúria desenfreada; os que não dão nenhum valor à vida humana e matam de forma tão banal como em nossos dias; aqueles que praticam toda sorte de idolatria, adoradores de imagens à semelhança das coisas criadas em vez do Criador, lembrando que o “inocente” horóscopo faz parte desse contexto. Ao final desta lista lemos que os “mentirosos” também serão excluídos. Já houve quem me perguntasse: “Quem nunca proferiu uma mentirinha levante o braço?”. A minha resposta sempre será a mesma, para Deus não há pecadinho ou “pecadão”, simplesmente há pecado.

 

Mas atente, caro leitor, para o enunciado da expressão aqui formulada:todo aquele que ama e pratica a mentira”. Amar a prática da mentira é um desvio comportamental próprio dos psicopatas que demonstram aquilo que na verdade não são e levam outros a terríveis enganos. São pessoas más, apesar da aparência ao contrário, que pensam exclusivamente em si em detrimento daqueles que estão próximos. Tudo neles é uma farsa. Convém esclarecer que o psicopata não é considerado um doente mental, mas alguém extremamente hipócrita, egoísta, que entende que as demais pessoas são inferiores a ele. Conheço alguns que assim se comportam e, lamentavelmente, nunca vi nenhum deles renunciar a sua forma de ser e passarem a crer em Deus, quando muito, por conveniência social, adotam uma religião por mera formalidade. Eles são a mentira personificada e arrastam muitos com eles que acabam se tornando vítimas de seus desvios e crueldades.

 

O Senhor dá seguimento a Sua fala: “Eu, Jesus, enviei o meu anjo para vos testificar estas coisas às igrejas. Eu sou a Raiz e a Geração de Davi, a brilhante Estrela da manhã” (v. 16). Neste versículo, caro leitor, para quem o Senhor enviou o Seu anjo? Isso mesmo, você está lendo corretamente, para as igrejas. Para todos aqueles que formaram e formam esse magnífico edifício celestial, como pedras vivas, que ao longo da atual dispensação foram chamados para fora do sistema de incredulidade e falsa religiosidade existente neste mundo. O Apocalipse se inicia com uma dedicatória às igrejas e assim termina. Portanto, as revelações contidas neste Livro são extremamente pertinentes à Igreja de Deus, e não poderiam ser relegadas a um segundo plano nas igrejas como que se ele não fizesse parte do seu contexto. “Ah! Este livro é muito complicado, confuso e de difícil entendimento”, dizem alguns. Mas isso não é verdadeiro, como temos visto ao longo destes últimos três anos através destas crônicas.

 

Diz R. David Jones: "Jesus enviou o Seu anjo para nos dar este testemunho concernente às igrejas. Ele é a Raiz e o Descendente de Davi, em Sua glória divina comparável à resplandecente estrela da manhã. O Velho Testamento terminou com a promessa que o sol da justiça se levantaria trazendo salvação em suas asas (Malaquias 4:2). Agora Ele é a resplandecente estrela da manhã que virá num momento tenebroso para livrar aqueles que nEle confiam". Este mundo em trevas, caro leitor, em breve verá o raiar de um novo dia com a chegada do "Sol da Justiça". A noite sempre é seguida pelo dia, no mundo há uma constante mesmice como nos diz Salomão em Eclesiastes 1:5, assim como o sol se põe, ele surge novamente, mas há a promessa de uma nova aurora, eterna, de raro esplendor e glória com a chegada do Senhor Jesus a este mundo para estabelecer o Estado Eterno, onde nunca mais haverá injustiça. Isto nos remete ao antigo profeta: "Nunca mais te servirá o sol para luz do dia, nem com o seu resplendor a lua te alumiará; mas o Senhor será a tua luz perpétua, e o teu Deus, a tua glória. Nunca mais se porá o teu sol, nem a tua lua minguará, porque o Senhor será a tua luz perpétua, e os dias do teu luto findarão” (Isaías 60:19-20).

 

Daí surge o magnífico convite: “O Espírito e a noiva dizem: Vem! Aquele que ouve, diga: Vem! Aquele que tem sede venha, e quem quiser receba de graça a água da vida” (v. 17). A noiva simboliza a Igreja de Deus, portanto todo aquele que ouve e crê nesta profecia anela pela chegada desse deslumbrante dia. Observe, caro leitor, que este convite continua disponível a todo aquele que vive neste mundo e está sedento da verdadeira esperança: “quem quiser receba de graça a água da vida”. Isto nos faz lembrar as palavras do Senhor Jesus ditas à mulher samaritana: "...aquele, porém, que beber da água que eu lhe der nunca mais terá sede; pelo contrário, a água que eu lhe der será nele uma fonte a jorrar para a vida eterna" (João 4:14). Urge, portanto, que a humanidade ainda incrédula chegue ao conhecimento desta magnífica verdade, mas para isso é necessário que haja aqueles que transmitam este conhecimento. Reflita, portanto, caro leitor, sobre a importância do convite aqui existente!

 

Vivemos dias de desastrosas interpretações dos textos bíblicos, onde há pessoas, como diz Paulo, que estão a pregar outro evangelho: "Admira-me que estejais passando tão depressa daquele que vos chamou na graça de Cristo para outro evangelho; o qual não é outro, senão que há alguns que vos perturbam e querem perverter o evangelho de Cristo (Gálatas 1:6). A advertência do Senhor Jesus acerca dessa aleivosia é sobremodo severa: “Eu, a todo aquele que ouve as palavras da profecia deste livro, testifico: Se alguém lhes fizer qualquer acréscimo, Deus lhe acrescentará os flagelos escritos neste livro; e, se alguém tirar qualquer coisa das palavras do livro desta profecia, Deus tirará a sua parte da árvore da vida, da cidade santa e das coisas que se acham escritas neste livro” (vs. 18 e 19). Nada há que ser tirado e tampouco acrescentado. Portanto, há que se ter extremo cuidado acerca daquilo que estamos a ouvir. Muitos insubordinados estão a transmitir revelações contrárias ao que dizem as Sagradas Escrituras, segundo os seus interesses pessoais ou até mesmo por ignorância. Conforme nos diz Paulo, Deus já revelou tudo que é necessário para aqueles que verdadeiramente são Seus servos para que estejam capacitados para toda boa obra: "Mas os homens perversos e impostores irão de mal a pior, enganando e sendo enganados. Tu, porém, permanece naquilo que aprendeste e de que foste inteirado... Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra" (2 Timóteo 3:13-17). Bem haja, caro leitor, se assim o fizer.

 

Chegamos ao final, prezado leitor. Tenho por certo que sentirei saudade deste longo tempo que passamos juntos a trilhar por este magnífico caminho rumo ao glorioso porvir. Ouçamos a última fala do Senhor Jesus contida neste Livro: “Aquele que dá testemunho destas coisas diz: Certamente, venho sem demora. Amém!” (v. 20). Pela terceira vez neste capítulo lemos sobre a promessa do breve retorno do Senhor Jesus. Como vimos na crônica anterior a esta, não há demora, pois já estamos com Ele em qualquer circunstância de tempo. A Sua volta está a ponto de acontecer. João se comove profundamente e não consegue se manter calado diante dessa magnífica afirmação e responde com um emocionante suspiro: “Vem, Senhor Jesus”! (v. 21). Não posso deixar de lhe confessar, caro leitor, o sentimento que me apossou ao descrever esse doce e suave sussurro de João. As lágrimas me afloraram aos olhos, e não pude conter o meu clamor ao repetir as palavras do consagrado apóstolo: “Maranata”, que no vernáculo original significa “Vem, Senhor”. Portanto, que “a graça do Senhor Jesus seja com todos” (v. 21). Até lá, prezado leitor! Permita Deus que assim seja!

 

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