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A CAMINHO DO APOCALIPSE 22 (1)
José Carlos Jacintho de Campos - 1/11/2013

“Bem-aventurado aquele que lê, e os que ouvem as palavras desta profecia,
e guardam as coisas que nela estão escritas;
porque o tempo está próximo”

Apocalipse 1:3

 

CAPÍTULO 22 (1)

 

Chegamos ao epílogo deste notável Livro, prezado leitor. Neste último capítulo João nos transmite as revelações recebidas diretamente do Senhor Jesus Cristo que na maioria das vezes lhe foram transmitidas através de um ente celestial. Os cinco primeiros versículos deste capítulo foram comentados no capítulo anterior pelo fato dos mesmos pertencerem ao contexto do capítulo 21, conforme expus na última crônica. Agora, a partir do versículo 6, ouviremos três vozes: A do próprio apóstolo João (v. 8), a do Senhor Jesus (v. 7) e a do anjo que lhe trouxe essas últimas revelações (vs. 6, 9 e 11). Vamos a elas!

 

“Disse-me ainda: Estas palavras são fiéis e verdadeiras. O Senhor, o Deus dos espíritos dos profetas, enviou seu anjo para mostrar aos seus servos as coisas que em breve devem acontecer. Eis que venho sem demora. Bem-aventurado aquele que guarda as palavras da profecia deste livro” (vs. 6 e 7). João ouve agora a voz do Senhor Jesus reiterando aquilo que já lhe fora dito logo de início, no primeiro versículo do capitulo 1 de Apocalipse, acerca das coisas que em breve deverão acontecer e Ele deixa claro que essas revelações são absolutamente fidedignas, por serem “fiéis e verdadeiras” (v. 6).

 

Portanto, não existe nenhuma hipótese que elas não se concretizem. Infeliz daquele que pensa o contrário. Essas coisas em breve acontecerão e por isso Ele confirma aquilo que já havia dito no versículo 3 do primeiro capítulo deste Livro, de que bem-aventurado é todo aquele que guarda as palavras desta profecia, pois Ele não tarda em retornar para que elas venham a acontecer (v. 7).

 

A esta altura você poderá estar a pensar caro leitor: “Caramba, cerca de dois mil anos já se passaram e nada aconteceu, nem um sinal tem sido dado desse Seu breve retorno”. Pode ser até compreensível se assim você pensar, mas observe que por três vezes neste capítulo o Senhor afirma que a Sua volta é “sem demora” (vs. 7, 12 e 20) e no versículo 10 Ele garante que o “tempo está próximo”. Portanto, a questão a ser avaliada é o que representa o “tempo” para cada um de nós. Será que temos a noção correta do seu significado? Vamos, então, a uma breve reflexão.

 

Segundo W. Kelly, “tudo o que pertence ao Corpo de Cristo está fora do tempo e do mundo. A Igreja é do Céu e, no Céu, não há tempo, nem coisa alguma que o meça. Há nos céus luminares que marcam os tempos e as estações para a Terra e para outros planetas, mas a Igreja compõe-se de pessoas chamadas para fora da Terra, pois ela não é da Terra, em consequência disso para ela o tempo está sempre próximo. Desde que Cristo foi anunciado como estando assentado à direita de Deus, portanto, desde o começo do cristianismo, foi também apresentado como estando prestes a julgar os vivos e os mortos (1 Pedro 4:5), e assim permanece até o presente tempo. A Igreja continua, pois, segundo a vontade do Senhor, Ele pode, de acordo com os Seus desígnios, alongar ou abreviar este intervalo de tempo, que está inteiramente em Suas mãos, mas a Igreja não tem nada a ver com os tempos nem os acontecimentos”. Sobremodo perfeito o pensamento desse autor.

 

Pense comigo, prezado leitor. Todo aquele que espiritualmente se converte em “nova criatura” à medida que verdadeiramente crê no Senhor Jesus como o Seu único e verdadeiro Redentor, passa a fazer parte do Seu Corpo, que é a Sua Igreja que por agora ainda está aqui na Terra, e é formada pelas “pedras vivas” que compõem a “casa espiritual” que oferece “sacrifícios espirituais”, agradáveis a Deus, por Jesus Cristo (1 Pedro 2:5). Portanto, a Igreja, ainda que esteja aqui na Terra, até a vinda do Senhor Jesus para arrebatá-la, representa o “povo celestial” de Deus, já pertence ao Céu e nada poderá retirá-la de lá. Por conseguinte, não há contagem de tempo, pois já é!

 

Dentro dessa lógica divinal, para mim a conjugação do verbo “estar” é sempre no tempo verbal do presente do indicativo, ou seja, aquilo que estou a falar ou a escrever é a sensação que sinto naquele exato momento, pois, como parte da Igreja que sou, o tempo mo é único: Hoje “estou” aqui, amanhã “estou” arrebatado ao Céu, depois de amanhã “estou” com Cristo em Seu Reino, e depois do depois de amanhã “estou” com Ele no novo Céu e nova Terra, portanto, hoje já “estou” na Eternidade. Traga o futuro para junto de si, prezado leitor, e vivencie presentemente o magnífico peso da glória que o espera e que em nenhuma hipótese poderá ser comparado com as coisas aqui de baixo. Só pode pensar contrariamente a essa estupenda realidade aqueles que, tremendamente equivocados, acreditam na possibilidade da “perda da salvação”, apesar da claríssima promessa do Senhor Jesus garantindo que da Sua mão e da mão do Pai ninguém poderá arrebatar a alma que a Ele efetivamente pertence (João 10:27-29).

 

O questionamento sobre a “demora” da volta de Cristo já fora prevista desde os tempos apostólicos, para que fosse levado em conta que "nos últimos dias virão escarnecedores... andando segundo as próprias paixões e dizendo: Onde está a promessa da sua vinda?... Há, todavia, uma coisa, amados, que não deveis esquecer: que, para o Senhor, um dia é como mil anos, e mil anos, como um dia. Não retarda o Senhor a sua promessa, como alguns a julgam demorada; pelo contrário, ele é longânimo para convosco, não querendo que nenhum pereça, senão que todos cheguem ao arrependimento... Nós, porém, segundo a sua promessa, esperamos novos céus e nova terra, nos quais habita justiça... Vós, pois, amados, prevenidos como estais de antemão, acautelai-vos; não suceda que, arrastados pelo erro desses insubordinados, descaiais da vossa própria firmeza; (2 Pedro 3:3, 4, 8, 9, 13 e 17). Não permita, caro leitor, que haja qualquer sombra de dúvida da garantia pessoal dada pelo Senhor Jesus acerca da Sua vinda para buscar os Seus, pois isso faz parte do calendário divino e não existe nenhuma hipótese disso ser alterado.

 

Por outro lado, me assusto quando ouço um “evangelho” estranho aos meus ouvidos, dizendo que hoje eu tenho que priorizar as coisas aqui debaixo e “determinar” a Deus que me dê muito dinheiro e saúde para o gozo desta vida. Que coisa mais mesquinha! Esta não é a Sabedoria que vem lá do Alto; ao contrário, é terrena, animal (psicótica) e demoníaca (Tiago 3:15). Não podemos nos limitar às coisas menores, mas com as lá de cima. Isto nos remete a Paulo quando diz: "Portanto, se [ já ] fostes ressuscitados juntamente com Cristo, buscai as coisas lá do alto, onde Cristo vive, assentado à direita de Deus. Pensai nas coisas lá do alto, não nas que são aqui da terra; porque [ já ] morrestes, e a vossa vida está oculta juntamente com Cristo, em Deus. Quando Cristo, que é a nossa vida, se manifestar, então, vós também sereis manifestados com ele, em glória. Fazei, pois, morrer [ já ] a vossa natureza terrena" (Colossenses 3:1 a 5).

 

Isto posto, caro leitor, pensemos como Paulo, tendo em vista que andamos por fé e não pelo que vemos, tenhamos sempre bom ânimo, na alegria ou na tristeza, na saúde ou na dor, na riqueza ou na pobreza material, sabendo que, enquanto no corpo, estamos ausentes do Senhor, preferindo deixar este corpo e habitar com o Senhor, pois estar com Ele é incomparavelmente melhor (2 Coríntios 5:6; Filipenses 1:23). Portanto, o que menos nos importa é o “tempo” face à convicção que temos que a nossa pátria está no Céu, para aonde iremos e de onde aguardamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo (Filipenses 3:20).

 

Prosseguindo, ouçamos agora a voz do consagrado apóstolo: “Eu, João, sou quem ouviu e viu estas coisas. E, quando as ouvi e vi, prostrei-me ante os pés do anjo que me mostrou essas coisas, para adorá-lo. Então, ele me disse: Vê, não faças isso; eu sou conservo teu, dos teus irmãos, os profetas, e dos que guardam as palavras deste livro. Adora a Deus (vs. 8 e 9). João estava exultante com essas impressionantes revelações. As ponderações de J. Allen sobre essa ocorrência são sobremodo oportunas para um entendimento claro do sentimento que o apóstolo estava a sentir: “João está tão maravilhado que, como uma reação natural, ele cai aos pés do anjo guia. Quando ele caiu aos pés de Cristo, no primeiro capítulo (1:17), parece que a sua reação foi involuntária; aqui ele age deliberadamente, e ele confessa que tinha a adoração em mente. Entretanto, comparando com 19:10, onde João recebeu a sua primeira repreensão angelical em circunstâncias semelhantes, vemos que a intenção de João parece ter sido de adorar a Deus aos pés dos anjos. João aprendeu algo na sua primeira repreensão, e sabe que uma criatura nunca deverá ser adorada; entretanto, este ato de prostrar-se é perigoso, e por isso ele recebe uma segunda repreensão do anjo”.

 

Ao longo da história da humanidade, até mesmo em meio à cristandade, observa-se um constante desvio quanto à adoração que deveria ser prestada somente a Deus. Há uma exacerbação à adoração aos elementos criados e não ao Criador. As pessoas adoram imagens, astros, seres de outros planetas (como se eles existissem) e elementos da natureza; cultuam a anjos como se deuses fossem e colocam “santos” como mediadores entre si e Deus, inclusive Maria, mãe de Jesus. Por isso Paulo considera que aqueles que tais coisas praticam são indesculpáveis perante Deus, "pois eles mudaram a verdade de Deus em mentira, adorando e servindo a criatura em lugar do Criador, o qual é bendito eternamente. Amém!" (Romanos 1:25).

 

Na próxima crônica prosseguiremos rumo ao final desta jornada. Enquanto isso, atentemos para as exortações de Paulo: "Ninguém se faça árbitro contra vós outros, pretextando humildade e culto dos anjos, baseando-se em visões, enfatuado, sem motivo algum, na sua mente carnal" (Colossenses 2:18)... "Não sabeis que havemos de julgar os próprios anjos?" (1 Coríntios 6:3). O anjo em questão foi extremamente claro com João quanto a essa prática: “não faças isso”, e de forma, também imperativa, assevera: “Adora a Deus” (v. 9), pois se tratava de um conservo que estava a lhe transmitir um ministério profético como todo aquele que guarda as palavras deste Livro. Que esta seja sempre a sua firme postura, prezado leitor. Permita Deus que assim seja!

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"Quem traz uma candeia para ser colocada debaixo de uma vasilha ou de uma cama? Acaso não a coloca em um lugar apropriado?
Porque não há nada oculto, senão para ser revelado, e nada escondido senão para ser trazido à luz.
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Considerem atentamente o que vocês estão ouvindo".
(Marcos 4:21-24)
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