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NOVO ANO, ANTIGOS IDEAIS
José Carlos Jacintho de Campos - 31/1/2013

Nesta virada de ano (2012–2013) fiquei a observar o frenesi que atinge as pessoas como que se realmente algo de novo estaria para suceder. Essa contemplação me levou a lembrar de uma matéria que escrevi há 20 anos com um título semelhante ao desta crônica. Dizia eu naquela oportunidade:

 

“Descortina-se diante de nós mais um novo ano. Para muitos, o romper de um novo ano representa um momento mágico pelo simples fato de virarem a folhinha de um calendário, quando renovam as suas vãs esperanças na expectativa de que a autossuficiência, os ídolos, astros ou seitas lhes trarão soluções para os erros cometidos no velho ano que passou, assim como, para as incertezas do novo ano que surge desalentadoramente para a humanidade sem Deus”.

 

“Para outros, que levam uma vida de total indiferença pelas coisas que os cercam, que vegetam à margem da tenebrosa realidade deste mundo, a virada de um ano não tem nenhum significado, pois, não tendo consciência de que erram, nada fazem, vivenciando cada dia o seu próprio mal. Suas almas estão entregues à depressão e ao desamparo”.

 

“Todavia, para alguns, é um momento de intensa reflexão das realizações ocorridas no ano anterior, para que os mesmos erros outrora cometidos não sejam repetidos ao longo do novo ano a se iniciar, em virtude de trazerem em seus corações uma viva e perene esperança, aguardando com forças redobradas o surgimento de cada novo dia de suas vidas, pois, a qualquer momento, em rápido instante, em um piscar de olhos, verão a realização das suas ardentes expectativas concretizadas pela redenção de seus corpos, porque na esperança foram salvos” (conforme Romanos 8:23-24).

 

Pois então, caro leitor, em nossos dias as atitudes continuam absolutamente as mesmas, o que muda é a quantidade de pessoas que passam de um grupo para outro.

 

A verdade, ainda que muitos possam achar o contrário, é que cada vez mais diminui a autenticidade de fé no Deus verdadeiro revelado nas Escrituras. Apesar do aparente “crescimento espiritual” tão alardeado, de fato trata-se de um “inchaço” provocado por uma pseudorreligiosidade desenfreada, onde as pessoas estão à busca de alívio para os seus males físicos e psicológicos, a exemplo do que lemos em Lucas 17:11-19, quando dez leprosos procuraram o Senhor para a cura do terrível mal que lhes acometia, uma vez conseguida essa cura somente um O procurou para Lhe agradecer a bênção recebida. Jesus lhe perguntou: “Não eram dez os que foram curados? Onde estão os nove?... E disse-lhe... a tua fé te salvou”. Por definição, cura não é sinônimo de salvação, mas de interesse.

 

Além dessas coisas, hoje se busca também a posse de bens materiais para usufruir dos deleites que este mundo está a oferecer, mesmo que para isso tenha que se pagar um sem número de doações de dinheiro que enriquecerá os vendedores de sonhos que estão a pregar uma prosperidade material que nunca foi prometida pelo Senhor Jesus quando aqui esteve. Ao contrário, Ele disse para os que viessem a segui-Lo que eles passariam por aflições, mas que tivessem bom ânimo porque Ele venceu o mundo para eles (João 16:33). A vitória daqueles que nEle creem, não está na posse das riquezas deste mundo, "porque todo o que é nascido de Deus vence o mundo; e esta é a vitória que vence o mundo: a nossa fé" (1 João 5:4).

 

Naquela oportunidade também escrevi: “Ao ler recentemente (em 1993) uma determinada notícia fiquei estarrecido com o resultado de uma pesquisa efetuada pelo Instituto Bíblico Moody (EUA), demonstrando que cerca de 95% dos cristãos daquele país “nunca levaram uma alma a Cristo”! Sobremodo espantosa tal afirmação a ponto de me deixar pasmo por alguns instantes. Não sei qual foi a metodologia usada por aquela entidade para ter obtido esse incrível percentual, mas, se pararmos para uma rápida reflexão, chegaremos à conclusão de que esse número não será tão exagerado ao observarmos, aqui no Brasil, país de um povo extremamente mistificado, onde o movimento evangélico fundamentalista está sendo lamentavelmente ultrapassado pelo enorme número de seitas cognominadas de evangélicas”.

 

Você, prezado leitor, poderá estar a questionar: “Mas esses dados estatísticos, após 20 anos, devem ter mudado favoravelmente, pois nunca se divulgou tanto a Cristo como em nossos dias, através da literatura, de programas televisivos e de rádio, de megaespetáculos musicais etc., portanto essa não é uma condição imutável”. Será, pergunto-lhe eu? Senão vejamos:

 

No ano passado (2012) houve eleições nos Estados Unidos, dentre elas a escolha de um novo Presidente. Os responsáveis por essas campanhas são extremamente zelosos, afinal trata-se da escolha do dirigente maior da mais importante (ainda) nação deste mundo. Como sabemos, essas campanhas são dispendiosas, muitos recursos financeiros são investidos para apuração de dados estatísticos. Dentre esses dados, um deles foi o de apurar como andava a religiosidade dos norte-americanos, tendo em vista que um dos candidatos, o da oposição, pertencia a um segmento religioso de forte atuação naquele país (os Mórmons). O resultado foi espantoso e de certa forma inesperado, conforme já demonstrei em outra série de crônicas.

 

As pesquisas feitas pelo Instituto Pew demonstraram que naquele que seria o maior país evangélico do mundo apenas 48% se identificaram como tal, o que equivale dizer que o protestantismo perdeu a sua hegemonia, pela primeira vez, na história americana. Para que credo teriam ido esses americanos? A conclusão da pesquisa foi lacônica: “Para nenhum”. Os dados revelaram que atualmente 20% dos americanos dizem não ter qualquer filiação religiosa. Nisso há um “fenômeno” que desafiou os pesquisadores: A categoria “sem religião” abriga tanto ateus como aqueles que dizem acreditar em Deus, portanto há uma minoria que se considera “espiritual”, porém não religiosa. Onde sempre prevaleceu o cristianismo, desde a sua fundação, a credibilidade religiosa está em franco declínio.

 

Já me perguntei em outra oportunidade: O que teria levado essas pessoas que dizem crer na existência de Deus a usarem a “denominação da irreligiosidade” em um país que sempre foi tido como de maioria protestante? Sem dúvida, é o desencanto com o cristianismo de nossos dias; é a vergonha pela desmoralização praticada por milhares de denominações tidas como evangélicas existentes pelo mundo afora, que estão a gerar tamanha confusão doutrinária que levam as pessoas a não mais se identificarem como “crentes”. Na verdade essas pessoas que estão a desistir do cristianismo revelam com essa atitude que cansaram de se curvar ao altar do conformismo religioso. Por certo muitas delas estão querendo demonstrar que é preciso dar um basta à ridicularização que estão a fazer com o “evangelho” pregado nos dias atuais.

 

Impressiona-me tremendamente é que mais que se fale ou escreva as pessoas continuam indiferentes e estão a trilhar um caminho que cada vez mais irá afastá-las de Deus. Vejo nesses dados estatísticos uma deprimente realidade. Por certo muitas dessas pessoas estão querendo demonstrar que é preciso dar um basta à zombaria que estão a fazer com o Evangelho, anseiam pelo retorno aos “antigos ideais”, por isso, enquanto esperam, se recolhem ao seu canto mantendo a esperança que esse estado de coisa um dia venha a mudar. Ao analisarmos as duas pesquisas, veremos que uma é consequência da outra, ou seja, a omissão de uma levou ao afastamento apontado pela outra.

 

Quando me preparava para encerrar esta crônica, eis que surge uma notícia devastadora que afetou ainda mais a credibilidade daqueles que se identificam como evangélicos. A revista americana Forbes, de negócios e economia, muito conhecida por suas listas, principalmente aquela que faz um ranking das pessoas mais ricas do mundo, publicou em janeiro deste ano a relação dos pastores evangélicos mais ricos no Brasil. Os cincos mais ricos acumulam a impressionante cifra de 1,500 bilhão de dólares, ou seja, mais de “três bilhões de reais”. Não me permito entrar no mérito dessa questão, mas uma pergunta insiste em não se calar: Por que gananciar o acúmulo pessoal de tão imensa fortuna? Afinal, em qual tesouro estará seus corações, segundo Mateus 6:19-21? Não nos esqueçamos, jamais, de que a raiz de todos os males deste mundo está no amor ao dinheiro, os que buscam a riqueza caem em tentações e ciladas as quais afogam os homens na ruína e perdição (1 Timóteo 6:9-10).

 

É claro que a citada revista não deixaria de revelar o seu escárnio a esse respeito: “A religião sempre foi um negócio lucrativo, se você for um pregador evangélico brasileiro as chances de você encontrar um pote de ouro são bem altas atualmente”. Diz mais a revista: “Ser pastor evangélico é o sonho de muitos jovens no Brasil. Como diz a Bíblia, a fé move montanhas e o dinheiro também”. Sem dúvida, estamos diante de algo profundamente triste, pois estão a colocar todos em uma vala comum, todavia existem aqueles que repudiam esse mau procedimento.

 

Portanto, meu caro leitor, continuemos firmes aos “antigos ideais”, pois os dias são maus, seguindo a exortação de Paulo ao jovem Timóteo: "Tu, porém, permanece naquilo que aprendeste e de que foste inteirado, sabendo de quem o aprendeste e que, desde a infância, sabes as sagradas letras, que podem tornar-te sábio para a salvação pela fé em Cristo Jesus. Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra" (2 Timóteo 3:14-16). Permita Deus que assim seja!

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