Voltar
O OBSCURO MUNDO DOS PRESSÁGIOS (10)
José Carlos Jacintho de Campos - 1/8/2012

Chegamos à penúltima crônica desta série iniciada em abril de 2010, cujo mote, dentre outros, era o indício de que algo extremamente trágico estaria para acontecer com o nosso planeta em face de certos presságios contidos em um equivocado calendário da antiga civilização Maia, que não passava de uma mera adivinhação, como as demais que sempre existiram, e estava fadada ao fracasso. Todo alarde existente em torno desse agouro foi com o objetivo do ganho fácil por parte dos exploradores da credulidade e do misticismo reinantes nas mentes desavisadas que não creem nas revelações de Deus. Estas sim verdadeiras, porém são tratadas como se lendas fossem.

 

Houve uma exacerbada exploração desse tema através de filmes, documentários e livros e muitos se enriqueceram com essa falsa expectativa, chegando ao absurdo de compararem essas previsões com os acontecimentos contidos no Livro do Apocalipse, estes sim verdadeiros. A realidade é que as autênticas previsões apocalípticas são de conhecimento de poucos, até mesmo daqueles que se dizem cristãos, face às inúmeras interpretações equivocadas que são dadas acerca desse Livro, que levam a uma tremenda confusão pelos muitos desatinos interpretativos.

 

Com a proximidade da data prevista para os acontecimentos contidos no citado calendário, surgem agora inúmeros comentários na base do “não será bem assim”: (1) que teria havido uma enorme confusão nas interpretações das previsões maias; (2) que não se deveria acreditar que haverá uma destruição total do planeta; (3) que acontecerá simplesmente uma mudança de ciclo que terminará em dezembro para começar um novo período; (4) que essa confusão foi provocada por alguns meios de divulgação; (5) que na mudança de ciclo que ocorrerá em dezembro haveria apenas um novo “ordenamento” de astros que provavelmente poderia influenciar o funcionamento do planeta, mas isso não significaria que o mundo acabaria etc. Meu Pai, quanta tolice! Mas isso faz parte da natureza humana que se recusa em aceitar aquilo que foi revelado pelo Deus Todo-Poderoso, e se deixa envolver por crendices de toda sorte, presságios e filosofias que não dão respostas à sua inquietude pela incerteza do porvir.

 

Quando Paulo escrevia aos cristãos em Colossos, ele os alertava para que tivessem cuidado a fim de que ninguém viesse a enredá-los com suas “filosofias” e vãs sutilezas, conforme a tradição dos homens, segundo os rudimentos do mundo (Colossenses 2:8). O que Paulo estava querendo dizer com “filosofia segundo os rudimentos do mundo”? Para ele a sabedoria humana é superficial porque tem o seu desenvolvimento imperfeito e incompleto por estar afastada e contrária à verdadeira Sabedoria que é aquela vinda de Deus. Onde está o sábio? Onde, o escriba? Onde, o inquiridor deste século? Porventura, não tornou Deus louca a sabedoria do mundo?”, questiona Paulo em 1 Coríntios 1:20. Já disse o sábio do passado: O temor do Senhor é o princípio do saber, mas os loucos desprezam a sabedoria e o ensino” (Provérbios 1:7).

 

Por definição, filosofia, que literalmente significa "amor à sabedoria", é o estudo de problemas fundamentais relacionados à existência, ao conhecimento, aos valores morais do ser humano, dentre outros. Teoricamente, ao abordar esses problemas, a filosofia se distingue da religião, pois sua ênfase é na teoria dos argumentos tidos como racionais; por outro lado, diferencia-se das pesquisas científicas por não recorrer aos procedimentos geralmente aceitos pela ciência.  

 

Deixando-se de lado as definições humanas sobre “sabedoria”, ou seja, saindo do lugar-comum daquilo que tentam nos influenciar com vãs “filosofias”, o ponto central de toda filosofia engendrada pelos homens é que a criatura humana é um ser finito, limitado no tempo e no espaço, que sabe que vai morrer, assim como aqueles a quem ama. Logo, não pode se aquietar sobre essa situação sobremodo perturbadora e por isso cria inúmeras religiões que prometem uma possível “salvação”. Já houve quem dissesse que “se as religiões se definem como doutrinas da salvação por um “outro”, ou seja, pela graça divina, as grandes filosofias poderiam ser definidas como doutrinas da salvação “por si mesmo”, sem a ajuda de uma divindade”. Como foi dito por Paulo, “a sabedoria deste mundo é loucura diante de Deus; porquanto está escrito: Ele apanha os sábios na própria astúcia deles... O Senhor conhece os pensamentos dos sábios, que são pensamentos vãos” (1 Coríntios 3:19-20). Jamais o ser humano ou a sua mera religiosidade poderá redimi-lo perante Deus.

 

Esse, meu caro leitor, é o motivo da existência de tantas seitas e presságios, estes no sentido de adivinhar-se o futuro, pois grande é a angústia interior daqueles que não creem no Deus Verdadeiro, pois desconhecem de onde vieram e para onde irão após a morte.  

 

Isso nos remete a Atenas. Lá estava Paulo aguardando a chegada de Silas e Timóteo que permaneceram em Bereia. Enquanto os esperava o seu espírito se revoltava em face da idolatria dominante na cidade. Em vez de ficar contemplando as belíssimas estátuas de mármore daquela quantidade imensa de ídolos, ele se preocupava com as pessoas que estavam a se deixar influenciar por aquelas pseudodivindades. Segundo William Arnot, “aos olhos de Paulo, a idolatria não era pitoresca ou inofensiva, ao contrário, extremamente atroz”, por afastar o homem da adoração a ser prestada exclusivamente ao Deus Vivo e Verdadeiro.

 

Paulo se angustiou profundamente com o que via e por causa disso não deixava de falar diariamente na sinagoga local para os judeus e os gentios piedosos; também o fazia na praça, todos os dias, entre os que lá se encontravam. Como não poderia deixar de ser, “os filósofos epicureus e estoicos contendiam com ele, havendo quem perguntasse: Que quer dizer esse tagarela? E outros: Parece pregador de estranhos deuses; pois pregava a Jesus e a ressurreição. Então, tomando-o consigo, o levaram ao Areópago, dizendo: Poderemos saber que nova doutrina é essa que ensinas?” (Atos 17:16-19).

 

Pois então, quem eram esses tais filósofos? Os epicureus eram seguidores de Epicuro (341-270 a.C.), que definia a “filosofia” como a “medicina da alma”, cujo único objetivo era o de fazer os seres humanos entenderem que a morte não deveria amedrontá-los. A partir desse ponto de vista, ele sugeria quatro remédios contra os males da mortalidade humana: “Os deuses não devem ser temidos, a morte não deve amedrontar, o bem é fácil de conquistar, o mal, fácil de suportar”, ou seja, deixa a vida lhe levar, pois o fim supremo da vida não estaria no conhecimento em si, mas nos “prazeres” que a vida poderia proporcionar. No papel isso fica até simpático de se ler, mas no dia a dia não funciona, pois a morte continua a ser uma cruel realidade e mesmo que os homens não revelem, isso angustia suas almas.

 

Por sua vez, os estoicos eram contrários a esse entendimento. Eles seguiam a doutrina de Zenão de Cício (335-264 a.C.), que se caracterizava por uma ética em que a extirpação das paixões e a aceitação resignada do destino eram as marcas fundamentais do homem sábio, o único apto a experimentar a verdadeira felicidade. O estoicismo exerceu profunda influência na ética cristã, pela rigidez de princípios morais e resignação diante do sofrimento, da adversidade e do infortúnio. E lá estava Paulo a enfrentá-los, que com a estupidez reinante em suas mentes chamavam a Paulo de “catador de sementes” (tagarela) por pregar para eles um Deus que lhes era estranho.

 

Assim como em Atenas, onde pouquíssimos deram ouvidos a Paulo, os homens continuam acreditando em qualquer vento de filosofia, doutrina ou presságio, na tentativa de sufocar a sua intensa incerteza: Com a morte tudo acaba? Algo dentro deles diz que não. Deus colocou no coração do homem a eternidade sem que ele se aperceba como e quando ela se dará (Eclesiastes 3:11). Só há uma única forma de se vencer a morte, através da obra redentora do Senhor Jesus. Por isso Paulo pôde asseverar com segurança: “Onde está, ó morte, a tua vitória? Onde está, ó morte, o teu aguilhão?... Graças a Deus, que nos dá a vitória por intermédio de nosso Senhor Jesus Cristo” (1 Coríntios 15.55-57).

 

A triste realidade, meu caro leitor, é que a humanidade, em sua imensa maioria, continua absolutamente a mesma, preferindo a loucura da pregação dos entendidos do presente século em vez de atentarem para o que Deus tem revelado, ao contrário, questionam as Suas verdades pedindo provas de Sua existência. Todavia, para os que creem em Deus nenhuma prova é necessária, mas para os que não creem, nenhuma prova é possível. Você crê unicamente em Deus que nos foi revelado pelo Senhor Jesus, meu caro leitor? Permita Deus que assim seja!

 Voltar
 Busca Local
"Quem traz uma candeia para ser colocada debaixo de uma vasilha ou de uma cama? Acaso não a coloca em um lugar apropriado?
Porque não há nada oculto, senão para ser revelado, e nada escondido senão para ser trazido à luz.
Se alguém tem ouvidos para ouvir, ouça!
Considerem atentamente o que vocês estão ouvindo".
(Marcos 4:21-24)
 Minhas Crônicas
2020
2019
2018
2017
2016
2015
2014
2013
2012
2011
2010
2009
2008
 Contato
Fale com o autor
 Links
Boletim dos Obreiros
 Copyright 1/1/11
Todos direitos reservados ao autor. Caso deseje publicar alguma matéria contida neste site, solicito que sejam citados a origem e o autor, como convém. Bem haja!