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O OBSCURO MUNDO DOS PRESSÁGIOS (9)
José Carlos Jacintho de Campos - 27/4/2012

Debaixo do sol há uma triste constatação! A massa humana, por ser desinformada, é facilmente iludida. Por conta da exagerada promoção das alarmantes previsões maias para 2012, era previsto que este seria um ano de muita mistificação pela forte atuação dos pregoeiros de presságios. Dentre essas pessoas não se excluem aquelas que dizem crer em Deus, pois também lhes falta o conhecimento e isto vem de priscas eras: "O meu povo está sendo destruído, porque lhe falta o conhecimento..." (Oseias 4:6).

 

No dia 11/4/2012 houve dois fortes terremotos na Indonésia e essa ocorrência, de certa forma rotineira, gerou grande especulação por conta do calendário Maia, e os comentários publicados são de que esses abalos seriam sinais “pré-apocalípticos”.

 

Em um desses comentários, pincei o de uma mulher que assim se manifestou: Esse terremoto foi profetizado pelo meu pastor há 20 dias... ele disse que o mundo se aproxima do fim, que será no dia 23/9 e se findará com um terremoto de 200 graus Celsius (sic)... nada sobrará, todos morrerão, salvar-se-ão apenas os dizimistas fiéis, que não têm dó do dinheiro na hora de dizimar... sigo meu pastor de olhos vendados, pois sei que ele me levará para a luz e a salvação”. Esforcei-me em tentar compreender o que leva uma pessoa a depositar uma cega credulidade em um pseudoprofeta, pois além de não ser racional tampouco se trata de algo espiritual. Todavia, de certa forma é compreensível, pois vivemos dias de “emoções religiosas”.

 

Você, meu caro leitor, poderá estranhar a minha afirmação de que os abalos sísmicos são “rotineiros”, mas esteja certo de que essas ocorrências são corriqueiras e constantes. Órgãos especializados, que monitoram esses abalos e prestam essa informação pela Internet em tempo real (p.ex: www.apolo11.com), davam conta que somente no dia em que eu preparava esta crônica já tinham ocorrido no mundo mais de trinta tremores de baixas intensidades, todavia somente os de grande magnitude são noticiados, pois a imensa maioria deles é em escala moderada ou leve que os tornam quase imperceptíveis e sem consequências desastrosas.

 

Para se ter uma ideia mais consistente a esse respeito, de 2005 a 2011 ocorreram mais de 240 mil tremores de terra ao redor do planeta. A maior quantidade em 2008 (31.777) e a menor em 2009 (14.285). Contrariando os prognosticadores de plantão, a projeção para 2012 é próxima a de 2009, portanto de baixa ocorrência. Todavia, entendo que o mais preocupante não é a quantidade, mas a magnitude, pois os terremotos mais intensos são letais pela destruição que provocam. Conclusão: Adivinhações ou profecias sobre as ocorrências de tremores beiram ao charlatanismo, pois estes ocorrem às dezenas todos os dias. Como mais de dois terços do mundo são de água, a maioria desses tremores ocorre nos oceanos. Nessa quantidade diária a probabilidade de adivinhar um de grande tragédia não é tão difícil. Como vemos, o núcleo da Terra é bastante ativo e o movimento dessas placas subterrâneas poderão ocasionar grandes tragédias que vez por outra observamos.

 

É impressionante o esforço que é feito para enquadrar esses atuais tremores como sinais do fim dos tempos que foram indicados pelo Senhor Jesus em Mateus 24:7, mas, como assevera o saudoso comentarista William MacDonald, “esses são palhas ao vento (sinais), e não o atual cumprimento das palavras do nosso Senhor”. Há, portanto, um enorme equívoco interpretativo ao se afirmar que os tremores diários, que hoje ocorrem como sendo o cumprimento da profecia proferida pelo Senhor nesta passagem, não passam de presságios duvidosos.

 

Os capítulos 24 e 25 de Mateus contêm o conhecido discurso do Monte das Oliveiras pronunciado pelo Senhor Jesus, o seu conteúdo é iminentemente profético e diz respeito ao período da tribulação e a Sua segunda vinda para estabelecer o Seu reino milenar. Nesse contexto a Igreja de Deus já não estará aqui presente, pois já terá sido arrebatada conforme tenho exaustivamente comentado em minhas crônicas “A Caminho do Apocalipse”, disponíveis em meu site www.cronicasdeumservo.com.br e no site do Boletim dos Obreiros (www.obreiros.com). Por definição, a Igreja de Deus será arrebatada (1 Tessalonicenses 4:13-18) antes do início do dia da ira de Deus (1 Tessalonicenses 1:10, 5:9; Apocalipse 3:10). Portanto, os terremotos anunciados em Mateus 24:7 nada têm a ver com aqueles que ocorrem em nossos dias, mas com o “fim dos tempos” que está por vir. Quando perguntado pelos Seus discípulos acerca dos sinais que antecederiam a Sua vinda para o estabelecimento do Seu reino glorioso, o Senhor Jesus deixou claramente asseverado: “Vede que ninguém vos engane” (Mateus 24:4).

 

Pois bem, meu caro leitor, vemos o lamentável engano que aquela senhora foi levada ao acreditar em uma pseudoprofecia proferida por um religioso inescrupuloso cujo objetivo era o de aumentar a arrecadação de dinheiro para seu próprio benefício, com a agravante que estabeleceu uma data – 23/9/2012 – para aquilo que ele chama de “fim do mundo”. Ao comentar Mateus 25:13, diz William MacDonald: “...o dia e a hora da Sua vinda são desconhecidos. Os crentes deveriam viver como se o Senhor viesse a qualquer momento”. Portanto, é leviano querer-se marcar esse dia. O Senhor Jesus deixou isso claro: “Não vos compete conhecer tempos ou épocas que o Pai reservou para a sua exclusiva autoridade” (Atos 1:7). Disse Ele ainda: “Passará o céu e a terra, porém as minhas palavras não passarão. Mas a respeito daquele dia e hora ninguém sabe, nem os anjos dos céus, nem o Filho, senão somente o Pai” (Mateus 24:35-36). O que passar disso é mero augúrio, presságio enganoso criado por mentes interesseiras que não têm o conhecimento da verdade.

 

Vivemos dias da chamada “síndrome da angústia espiritual”. Valho-me de Caldas Aulete para definir o que seria uma síndrome: “Associação de uma situação crítica a um conjunto de sinais e características, capaz de gerar medo e insegurança”. Permita-me, prezado leitor, analisar essa síndrome naquilo que é chamado de “movimento evangélico” nos dias atuais. Em nosso entorno observamos um sem número de seitas que se rotulam “evangélicas”, cujas prédicas estão sobremodo distantes do Evangelho autêntico. As pessoas têm sido levadas a uma disposição mental de que o Evangelho significa prosperidade financeira e saúde perfeita, tudo isso regado a megaespetáculos e encontros cujo único escopo é o de atingir a emotividade psicológica das pessoas.

 

Ao observarem que essas coisas não estão a ocorrer consigo mesmas, surge nessas pessoas a angústia de que algo está extremamente errado com elas, e com isso se exacerbam os sentimentos de medo e insegurança, tornando-se presas fáceis dos presságios tão abundantes em nossos dias. O bem-estar irrestrito jamais foi garantido aos que creem, conforme lemos na exortação do Senhor Jesus: “No mundo passais por aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo” (João 16:33).

 

Em sua primeira epístola escreve João, o apóstolo: “...todo aquele que é nascido de Deus vence o mundo; e esta é a vitória que vence o mundo: a nossa fé” (1 João 5:4). Resta saber se essas pessoas, apesar de afirmarem que creem em Deus, verdadeiramente são “nascidas de Deus”. Para isso têm que ouvir o Evangelho verdadeiro e isso atualmente não está a ocorrer. As pessoas afirmam que “aceitaram” ao Senhor Jesus, mas nunca ouviram acerca do “novo nascimento” (João 3:1-7). Tampouco, de que são pecadoras e destituídas estão da graça de Deus, “pois todos pecaram e carecem da glória de Deus” (Romanos 3:23). Menos ainda ouviram da necessidade de arrependimento, conforme lemos em Lucas 24:46-47... “Assim está escrito que o Cristo havia de padecer, e ressuscitar dentre os mortos no terceiro dia e que em seu nome se pregasse arrependimento para remissão de pecados”.

 

Como afirmar que se prega o genuíno Evangelho se não se fala do sofrimento de Cristo, do Seu sacrifício na cruz, do Seu sangue derramado, da Sua morte, ressurreição e ascensão à presença do Pai, de onde virá para arrebatar aqueles que são Seus (João 14:1-3)? Como nos diz Paulo: “nós pregamos a Cristo crucificado, escândalo para os judeus, loucura para os gentios [incrédulos]” (1 Coríntios 1:23).

 

Portanto, meu caro leitor, não se deixe levar pelo engano e muito menos pelos presságios ardilosamente preparados pelos atuais falsos profetas. Atente cuidadosamente para o que diz o apóstolo Paulo: “Pois haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina; ao contrário, cercar-se-ão de mestres, segundo as suas próprias cobiças, como que sentindo coceira nos ouvidos; e se recusarão a dar ouvidos à verdade, entregando-se às fábulas” (2 Timóteo 4:3-4). Permita Deus que assim seja!

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