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O OBSCURO MUNDO DOS PRESSÁGIOS (7)
José Carlos Jacintho de Campos - 15/10/2011

“Tá difícil”! O inverso passou a ser o verdadeiro. Há muitos que já estão preferindo ser identificados como “protestantes”, a pecha lançada pelos católicos de outrora, do que ser chamados de crentes ou evangélicos. Essa identificação passou a ser motivo de chiste. Para o cristão autêntico isso é insuportável, mas a realidade é que líderes religiosos negligentes estão a dar motivos para esse escárnio.

 

Recentemente recebi um videoclipe filmado em uma grande denominação “evangélica” que entrevistava uma falsa testemunha que asseverava que após esfregar a “toalhinha sagrada” vendida naquela igreja na fechadura da porta do banco em que tinha uma dívida, no dia seguinte o gerente lhe informou que não existia nenhum débito em seu nome. Se verdadeiro fosse, no mínimo teria despertado a curiosidade daquele gerente diante do inusitado ocorrido.

 

Sem dúvida estão a praticar feitiço no chamado meio evangélico. É magia de religiosidade enganosa que nada tem a ver com Deus. As pessoas adquirem aqueles pedaços de panos como se talismãs ou amuletos fossem, acreditando que neles contêm fluídos sagrados, na verdade sacrílegos, que resolverão todos os seus problemas pessoais, ao velho estilo das antigas benzedeiras que ainda existem pelo mundo afora. Portanto, isto não é nenhuma novidade, apenas os mesmos sortilégios de antigamente com uma nova roupagem.

 

Revoltante é ouvir o interlocutor insistir na pergunta de quem teria sumido com aquela dívida e o subornado diz com todas as letras: “Foi o Senhor Jesus Cristo”. Quanta fé dirão alguns, mas não é nada disso, pois é mera aparência para enganar os mais descuidados. A insistência na pergunta de quem teria feito aquilo é por orientação de advogados inescrupulosos para que fique claro que o engodo não foi efetuado pelos líderes daquela instituição religiosa, mas por Deus, tendo em vista as inúmeras demandas judiciais por parte de pessoas que se sentiram lesadas por esses falsos apóstolos.

 

A indignidade chega ao extremo na medida em que esses enganadores iludem os incautos justificando que esses trapos do engano fazem milagres assim como ocorria nos inícios do Evangelho, que bastava às pessoas tocarem as vestimentas do Senhor Jesus para serem curadas (Lucas 8:43-48), ou se colocarem à sombra do apóstolo Pedro (Atos 5:12-16), ou então levarem aos enfermos os lenços ou aventais usados pelo apóstolo Paulo (Atos 19:11-12) para receberem os milagres semelhantes feitos hoje através dessas toalhinhas.

 

É muita desfaçatez afirmar-se isso. Essa comparação é aleivosa, pois não mais existem apóstolos no sentido pleno da palavra e é inútil insistir que os milagres por eles praticados foram perpetuados. Aqueles que hoje usam o título de apóstolos não passam de pessoas arrogantes que estão atrás somente do ganho fácil, da popularidade e do poder. Avoco as considerações de William MacDonald acerca disso: "Hebreus 2:4 deixa claro que esses milagres constituíram o selo de Deus sobre o ministério dos apóstolos e uma vez concluído o Novo Testamento, em sua forma escrita, esses sinais tornaram-se desnecessários. No tocante às “campanhas de curas” realizadas hoje, basta observar que todos os enfermos levados aos apóstolos eram curados. Não se pode dizer o mesmo daqueles que afirmam realizar curas miraculosas em nossos dias”.

 

Tendo em vista a permanente crise espiritual do ser humano, desde os seus primórdios, nenhuma civilização deixou de consultar aqueles que pudessem solucionar os seus problemas materiais, principalmente os econômico-financeiros e físicos, que vão desde a saúde até aos desejos primitivos mais íntimos. Para essa demanda, nada melhor que simular uma rentável teoria de ampla prosperidade e saúde perfeita, bem ao estilo de algumas denominações evangélicas que estimulam a coisa aparente deixando para trás o essencial. O sagrado está sendo rudemente banalizado, não há mais conhecimento, as pessoas estão a se contentar apenas com a informação.

 

Desde a antiguidade as Escrituras revelam essa triste realidade que, como vemos, chega aos nossos dias de forma avassaladora. Os antigos profetas não deixavam de predicar que não havia neste mundo a verdade, até mesmo entre aqueles que diziam ser o povo do Deus, pois estavam sendo destruídos por absoluta falta de conhecimento (Oseias 4:1 e 6). Assim como foi no passado o mesmo está a acontecer com a cristandade dos nossos dias porque a grande parte dos seus líderes “espirituais” rejeita o conhecimento de Deus, pela prática da heresia do antigo hedonismo, cuja doutrinária básica é que o bem supremo da vida humana está no prazer imediato, ou seja, a teoria do aqui e agora.

 

Há quem afirme com muita propriedade que o atual cristianismo está sobremodo enfermo, pois as mentiras têm prosperado em seu meio e o Evangelho está sendo confundido com o bem-estar e o sucesso material. Há uma enorme distância entre aquilo que está divinamente revelado com o que se pratica e isto sem dúvida levará à extinção daquilo que seria a Igreja de Deus. Entretanto, sempre haverá um remanescente fiel que não permitirá que a Verdade de Deus seja substituída pela mentira (Apocalipse 2:7; 2:11; 2:17; 2:26; 3:5; 3:12; 3:21).

 

Não há dúvida, as chamadas igrejas cristãs estão decadentes. Dados vindos dos Estados Unidos dão conta que o índice de frequência às reuniões das igrejas dos americanos abaixo dos 25 anos caiu assustadoramente para menos de 10%. Isto equivale dizer que a tendência é que as próximas gerações deixarão de frequentar as igrejas e isso afetará fortemente a coleta de recursos para sustentá-las.

 

A verdade é que as igrejas cristãs estão a envelhecer e isso é facilmente constatado no Velho Continente, onde muitas delas estão a encerrar as suas atividades por absoluta falta de audiência. Por conta disso, a islamização da Europa é uma realidade incontestável. Sem dúvida, na atualidade, o maior movimento missionário por aquelas bandas está sendo promovido pelos muçulmanos, e a cristandade institucionalizada parece estar a fazer ouvidos de moucos diante dessa notória constatação.

 

Procuram-se soluções humanas para evitar essa queda e para isso promovem-se megaespetáculos, desenfreado curandeirismo, conclaves de toda sorte, praticam o profano no lugar do sagrado, dentre muitas outras coisas. Não são poucos os testemunhos que se ouvem de que as pessoas estão se convertendo a Deus porque se agradaram da “dança” ou do “louvor” praticado por esta ou por aquela igreja; do clima de entretenimento existente com muita atividade fora dos lugares de reuniões, dos serviços sociais praticados, dos cultos comoventes e de certos “encontros secretos” de prática doutrinária pra lá de duvidosa. Estão a confundir “conversão” com manifestações emocionais em detrimento do espiritual.

 

Você, meu caro leitor, a esta altura deve estar a se perguntar: “O que este assunto tem a ver com esta série de crônicas que trata sobre presságios?”. Deixa-me explicar.

 

Vivemos dias de intensas expectativas, pois os fatos do dia a dia se tornaram corriqueiros. Há um sentimento de que nada há de novo debaixo do céu, a não ser o avanço tecnológico que traz muita informação e divertimento. A atividade lúdica passou ser o objeto a ser perseguido, mas o ser humano continua espiritualmente carente e isso o tem levado, ainda que de forma velada, a uma crescente crise existencial. A demanda por drogas, legais ou ilegais, tem aumentado nas mais variadas faixas sociais, mas essas coisas jamais trarão consolo para o alívio da angústia da humanidade que cada vez mais está a rejeitar a existência de Deus por causa das bandalheiras generalizadas que estão a praticar em Seu nome.

 

Por isso os presságios se exacerbam porque o futuro continua incerto para a imensa maioria das pessoas. A morte permanece insolúvel e ninguém em sã consciência deseja que ela venha. Como já disse anteriormente, Deus colocou no coração do ser humano a existência da eternidade e sem Ele as pessoas não têm o menor discernimento acerca disso. Daí vem a sofreguidão existencial, pois as pessoas não sabem quando acontecerá essa visita indesejável.

 

Essa incerteza alcança mesmo aqueles que se julgam sábios aos seus próprios olhos. Há poucos dias li uma entrevista com um renomado físico americano da atualidade (Leonard Mlodinow) que veio participar na Bienal do Livro realizada aqui no Rio de Janeiro neste ano (2011), e afirmou que “o acaso está presente em todos os aspectos da vida e é preciso saber lidar com ele, pois a aleatoriedade, não Deus, é que define o futuro”. Como diria Fernando Pessoa, poeta português, “tudo vale a pena quando a alma não é pequena”.

 

Quando perguntado se ele se definiria como um ateu, ele respondeu que se achava um agnóstico, apesar de confessar que não tinha uma ideia clara da diferença entre um e outro. A sua justificativa é que ele não tinha certeza da existência de Deus porque não havia prova científica da Sua existência. Essa sua afirmação me remeteu ao consagrado apóstolo Paulo que escreveu a esse respeito: “... os atributos invisíveis de Deus, assim o seu eterno poder, como também a sua própria divindade, claramente se reconhecem, desde o princípio do mundo, sendo percebidos por meio das coisas que foram criadas. Tais homens são, por isso, indesculpáveis” (Romanos 1:20). Por definição, digo eu: ainda que houvesse ausência de prova da existência de Deus, isso não seria prova da Sua ausência (Salmo 19:1).

 

Tanto isso é verdadeiro, que esse cientista teve que se curvar acerca de suas “crenças” quando perguntado se ele acreditava que havia vida inteligente em algum outro lugar do Universo ele teve que confessar: “É engraçado porque eu creio nisso, embora não haja nenhuma razão científica para crer”. Ou seja, para ele a existência de Deus exige uma prova, mas ele crê na existência de extraterrestres apesar de não ter nenhuma base científica para isso. Como vemos, a velha insensatez do ser humano campeia também entre aqueles que se julgam sábios. Ao final, laconicamente ele se expressou: “Nunca se sabe com certeza o que vai acontecer, então é sempre bom estar preparado para tudo”. Uma pena que nesse “tudo” ele não inclua Aquele que é “tudo em todos” (Colossenses 3:11).

 

Fiquemos atentos, portanto, à exortação do apóstolo João: Filhinhos, agora, pois, permanecei nele [Jesus], para que, quando ele se manifestar, tenhamos confiança e dele não nos afastemos envergonhados na sua vinda” (1 João 2:28). Permita Deus que assim seja!

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