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O OBSCURO MUNDO DOS PRESSÁGIOS (6)
José Carlos Jacintho de Campos - 18/7/2011

Notícias recentes dão conta da grande preocupação das autoridades francesas com o surgimento de seitas apocalípticas criadas por pseudoprofetas que alardeiam a chegada do fim do mundo para 21/12/2012, tendo como fundamento lendárias previsões contidas em um antigo calendário maia.

 

Um relatório oficial divulgado em 15/06/2011 recomenda ao governo francês severa vigilância sobre essas seitas que poderão gerar uma generalizada onda de pânico face as suas prédicas extremadas, consideradas como histéricas pela Miviludes, uma missão interministerial de vigilância e combate a abusos sectários. Segundo esse relatório há registrados mais de 2,5 milhões de “sítios” (sites) na Internet a divulgar presságios sobre o fim do mundo em 2012.

 

Nisso não há nenhuma novidade, desde 2005 é sabido que a Internet começou a despontar como a principal fonte de notícias no mundo, ultrapassando a mídia dos jornais em 2008 e agora está a perseguir a audiência televisiva, por sua vez o rádio ficou para trás dela faz tempo. Os mais desatentos deixaram de perceber que pelo fato de não existirem barreiras ou censura, a Internet se transformaria num território livre para propagação de toda sorte de ideias e ideais, até mesmo em países de regimes totalitários onde ela é acessada às escondidas.

 

A rapidez de comunicação de massa da Internet trouxe um atrativo irresistível, ela veio complementar os ingredientes necessários para a disseminação veloz de uma crendice: falsos oráculos + tecnologia abundante + capilaridade de comunicação = incautos sendo conduzidos a enormes farsas e, como não deixaria de ser, um ganho financeiro relevante pelos plantadores de mitos e de religiosos inescrupulosos, por sinal, a maioria tida como sendo evangélicos.

 

Nisso também não há novidade, pois no chamado “período de trevas” do cristianismo, quando a igreja romana não mais permitiu o uso das Escrituras pelos “leigos”, determinando que o seu manejo fosse somente pelos clérigos, os desvios doutrinários assoberbaram, surgindo com isso toda sorte de sortilégios. Como em priscas eras não havia meios de comunicação tão abundantes como os de hoje, a propagação desses presságios era lenta, mas ainda assim alcançava os objetivos dos inescrupulosos.

 

Poderia então a Internet tornar-se um novo oráculo, ou seja, um instrumento de consulta à divindade? Em 1997 foi desenvolvido um projeto denominado “Web Bot”, um programa de computador que gera “aranhas-robôs” virtuais a fim de vasculhar os acessos à Internet, sem que as pessoas se apercebam disso.

 

Certa feita, numa dessas inspeções diárias, um dos analistas desse projeto verificou que as “aranhas” haviam rastreado mais de 16 mil entradas sobre um mesmo termo: “destruição total em 2012”. O que aquilo poderia significar? Como não fazia o menor sentido ele ampliou os parâmetros de pesquisa e outro termo apareceu: “fim do mundo”.

 

Surpreendidos com a descoberta, os responsáveis pelo projeto viram nela um próspero nicho de mercado e desenvolveram um aplicativo com o objetivo de prever acontecimentos futuros e passaram a afirmar que isso é possível ao se rastrear palavras-chaves pela Internet, pois as pessoas que conversam através desse meio de comunicação deixam escapar pequenas pistas “prescientes” ou “premonitórias” quanto ao que o futuro reserva para a humanidade.

 

Os dois espertalhões que lançaram esse projeto asseveram que, dentre outros eventos, os ataques de 11 de setembro às duas torres gêmeas em New York foram previstos pelo “Web Bot”. Não é preciso muita inteligência para se perceber que isso não tem a mínima possibilidade, é impossível esse projeto prever o porvir, ele apenas reflete o imaginário das pessoas que acessam a Internet e deixam registradas em suas conversas as suas expectativas, angústias e desconhecimento daquilo que está para acontecer.

 

Conforme já citei nesta série, o Criador pôs a eternidade na mente da sua criatura sem que ela se apercebesse do que isso representaria em sua plenitude. As pessoas têm vagas intuições a respeito da eternidade, mas sentem que ela é uma realidade por entenderem que algo permanece para sempre mesmo que não possam compreender plenamente esse conceito (Eclesiastes 3:9-15). Portanto, o resultado dessa pesquisa está a indicar que mais e mais pessoas estão publicando e pesquisando sobre esse assunto por não terem uma ideia sustentável e convincente a esse respeito, e pelo fato de desprezarem as revelações do Senhor Jesus contidas no livro do Apocalipse.

 

Pois, então, se isto está a ocorrer, com tamanha velocidade, onde estarão aqueles que deveriam separar o falso do verdadeiro? Lamentavelmente esses tais estão mais preocupados com o social, com o entretenimento, com o politicamente correto e é claro com a sua prosperidade material, apesar de asseverarem que deverá haver comunhão e união irrestrita entre aqueles que creem nos “fundamentos bíblicos”.

 

Desafio alguém a esclarecer que “fundamentos” são esses nos dias atuais, pois o cristianismo se transformou em uma enorme colcha de retalhos doutrinária com suas muitas centenas de milhares de igrejas com as mais variadas denominações evangélicas e, em cada uma delas, e até mesmo dentro delas, há uma multiplicidade de interpretações sobre aquilo que chamam de “doutrina”. Por definição, não pode existir mais de uma interpretação para um mesmo texto sagrado, só há um entendimento verdadeiro, aquele que vem de Deus.

 

Isto vem confirmar que estamos a chegar ao fim de uma era – a da Igreja – cujo Mestre está fora do seu contexto: “Eis que estou à porta, e bato...” (Apocalipse 3:20). No cristianismo do presente século há muita religiosidade e rara autenticidade. Aquilo que deveria ser a Igreja de Deus enfrenta um momento de grande confusão, a sua maior dificuldade é não saber discernir quais são os fundamentos verdadeiros contidos nas Escrituras. Aquela que deveria ser o Corpo de Cristo está sendo gerida por interesses pessoais e não pelos ideais da fé cristã.

 

A maior comprovação desse absurdo é quando ouvimos a expressão: “aquela igreja é séria”, como a indicar uma exceção, pois o conceito de igreja em nossos dias está irremediavelmente corrompido. Mas sempre haverá um remanescente fiel: “Ao que vencer, eu lhe concederei que se assente comigo”, diz o Senhor Jesus (Apocalipse 3:21). Portanto, uma coisa é indiscutível! Fará diferença em nossos dias as igrejas que buscarem com simplicidade as coisas de Deus. Por certo será um pequeno segmento, mas não perderá a sua identidade.


Todavia, na busca dessa legitimidade há um alto custo: o do desprezo. Os doutores em divindade do meio evangélico estão a ensinar que quando se começa a avaliar quem vai para céu ou para o inferno; se Deus é contra ou a favor de certas práticas afetivas; se o cristão tem que subir uma escada de joelhos ou dar o dízimo para alcançar as benesses de Deus; se uma instituição social espírita, evangélica ou católica é cristã ou não, isso seria algo meramente religioso, não espiritual, pois “os valores espirituais agregam as pessoas, aproximam os diferentes, faz com que os discordantes do mundo das crenças se deem as mãos para a busca do sofrimento humano”. Sem dúvida, bonitas palavras, mas não é isso que diz as Escrituras.

 

O bom ministro de Deus não transige com a fé, ao contrário, ele rejeita as fábulas e doutrinas enganadoras (1 Timóteo 4:1-16). Seria uma tremenda aleivosia insinuar que os servos de Deus dos inícios da Igreja não seriam espirituais, mas meros religiosos, pelo fato de terem sido intransigentes com aquilo que criam: “Se alguém vem ter convosco e não traz este ensino, não o recebais...” (2 João 10); “lembrai-vos das palavras que foram preditas pelos apóstolos... nos últimos tempos haverá escarnecedores, andando segundo as suas ímpias cobiças...” (Judas 17-19); “nos últimos dias sobrevirão tempos penosos, pois os homens serão amantes de si mesmos... tendo aparência de piedade... afasta-te também desses” (2 Timóteo 3:1-5); “entre vós haverá falsos mestres... introduzirão heresias destruidoras... muitos seguirão as suas dissoluções... movidos pela ganância farão comércio de vós...” (2 Pedro 2:1-3). Esse tema é longo e não será aqui que conseguiremos exauri-lo inteiramente.

 

Disse-me recentemente Jayro Gonçalves: Em minhas viagens no ministério que exerço tenho observado muitas coisas estranhas acontecendo, as quais não se coadunam com os princípios bíblicos. Parece que há uma tendência de acomodação e tolerância com erros doutrinários e na prática da vida eclesiástica, em voga em várias áreas do denominacionalismo, que nada tem a ver com o segmento que participamos. As "misturas", como fala em Portugal um querido irmão, estão a estragar a saúde espiritual das igrejas do nosso meio. Novos convertidos não estão sendo bem edificados e instruídos por lideranças que parecem não se preocupar muito com a fidelidade à Palavra de Deus e ao padrão bíblico para a vida cristã. Há lideres sem condição espiritual e capacitação bíblica, e estão até mesmo comprometidos em seu comportamento moral levando a nau à deriva. Sem dúvida uma triste e real constatação.

 

Voltemos às preocupações das autoridades francesas acerca dos atos inconsequentes daqueles que estão a se inquietar com o fim do mundo em 2012. A verdade é que essa inquietude sempre existirá, pois o período de grande tribulação que advirá sobre a Terra há muito está estabelecido por Deus, entretanto ao homem não foi dado saber a hora e dia, o mês e ano desse evento, pois somente a Ele pertence (Apocalipse 9:15). Resta, portanto, uma única decisão a ser tomada hoje: “Eis aqui agora o tempo aceitável, eis aqui agora o dia da salvação” (2 Coríntios 6:2). Permita Deus que assim seja!

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