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A CAMINHO DO APOCALIPSE (1)
José Carlos Jacintho de Campos - 1/1/2011

“Bem-aventurado aquele que lê, e os que ouvem as palavras desta profecia,

e guardam as coisas que nela estão escritas;

porque o tempo está próximo”

Apocalipse 1:3

 

Sem dúvida o Apocalipse é um Livro sobremodo notável, mas há que se lamentar que existam tantos que, apesar de cristãos, o menosprezem de forma tão acentuada sob a alegação de que é impossível compreendê-lo. Isso não é verdadeiro!

 

Ao contemplarmos o nosso entorno, podemos concluir que nunca foi tão importante se alcançar o conhecimento da Profecia contida neste Livro, pois isso poderá fazer uma grande diferença para aqueles que a desconhecem e poderão ser colhidos de surpresa, a qualquer tempo, por uma avalanche de acontecimentos pelo fato de ninguém tê-los avisado da veracidade dos eventos nele previstos e da necessidade da Salvação que somente há em Jesus Cristo, para se livrarem de tão angustioso juízo.


O Apocalipse não é um livro de profecias, mas da Profecia (v. 3) numa unidade lógica de acontecimentos acerca das coisas que o apóstolo João “viu”, que se trata da majestosa pessoa do Senhor Jesus Cristo, na ilha de Patmos; as coisas “que são”, revelando profeticamente o que ocorreria com a Igreja de Deus ao longo dos séculos; e as que “hão de acontecer”, que é o juízo de Deus que recairá sobre aqueles que não forem “arrebatados” para o encontro com o Senhor Jesus quando Ele vier para buscar a Sua Igreja.


Ao se falar no arrebatamento, há que se lamentar o enorme equívoco daqueles que acham que a Igreja passará pela grande tribulação, apesar de estar claríssimo nas Escrituras Sagradas de que ela não foi preparada para o dia da ira de Deus (Romanos 5:9; 1 Tessalonicenses 1:10, 5:9; Apocalipse 3:10).


Convém lembrar, que as Escrituras revelam que o iminente arrebatamento será somente para a Igreja (João 14:1-4; 1 Coríntios 15:50-58; 1 Tessalonicenses 4:13-18), e não citam mais alguém além daqueles que morreram em Cristo, e os cristãos verdadeiros que estiverem vivos por ocasião da Sua vinda. Os santos que morreram na antiga dispensação (Velho Testamento) e os que serão salvos durante a grande tribulação que há de vir sobre o mundo serão ressuscitados ao se completar o último estágio da primeira ressurreição no início do reino milenar do Senhor Jesus Cristo (Apocalipse 20:6).


Os restantes dos mortos, os incrédulos de todas as épocas, serão ressuscitados somente ao final desse milênio para o grande julgamento final. Muito estranha, portanto, a afirmação de muitos que se dizem cristãos de que não haverá o reino milenar do Senhor Jesus na Terra (Apocalipse 20:4-5).


As várias interpretações confusas têm levado um grande número de pessoas ao desinteresse pela leitura desse admirável Livro e isso é de enorme importância para Satanás, cujo desejo é o de afastar os cristãos do conteúdo dessa Revelação a fim de lhes encobrir a verdade. Muitos, sem se aperceberem, estão a colaborar com os objetivos do maligno à medida que criam toda sorte de enganosas interpretações sobre o teor deste Livro.


Quando adentramos ao Apocalipse de imediato vamos ao encontro do Senhor Jesus como o revelador de Si mesmo (vs. 1-3), cujo propósito é indicado logo no seu preâmbulo: “mostrar aos seus servos as coisas que em breve devem acontecer” (v. 1). Em nenhuma hipótese poderá existir mais de um entendimento acerca disso, pois o Espírito Santo é que leva aos que creem à compreensão correta deste Livro, tendo em vista que Ele é Deus (Atos 5:3-4), portanto, infalível. O Senhor Jesus deixou claramente explícito que o Espírito Santo guiaria a toda verdade aqueles que creem no Senhor Jesus e lhes anunciaria as coisas que haveriam de vir (João 16:13).


O Apocalipse não é um circo de horrores como tantos apregoam face aos acontecimentos que envolvem a grande tribulação, pois, além da plenitude das bem-aventuranças nele contidas (Apocalipse 1:3; 14:13; 16:15; 19:9; 20:6; 22:7; 22:14), há promessas inefáveis de alegrias eternas aos redimidos pelo Senhor Jesus, pois toda lágrima, morte, pranto, lamento, dor, sede, impureza, abominação, mentira, fome, doença e maldição nunca mais existirão pelos séculos dos séculos (Apocalipse 21:4, 6, 27; 22:2-5). Isto é verdadeiramente maravilhoso, magnífico, aos nossos olhos.


Neste primeiro capítulo contemplamos o resumo dos pontos principais do seu conteúdo e a primeira das sete bem-aventuranças. É o único Livro que traz uma bênção especial para os que o leem, ouvem e guardam as coisas nele escritas (v. 3).

 

Atentemos para a plenitude existente neste Livro pelo surgimento de dezenas de citações que contêm o número “sete”. Como sabemos, esse número provém de uma raiz hebraica cujo significado é “ser completo”, “pleno”, “ter o suficiente”, que transmite a ideia de “inteireza ou perfeição”. Somente neste primeiro capítulo por dez vezes lemos sobre este algarismo:

 

         “as sete igrejas” (vs. 4, 11, 20) que se referem ao período da dispensação da graça;

         “os sete espíritos” (v. 4) que demonstram a inteireza da perfeição de Deus;

         “os sete candeeiros” que simbolizam a perfeição da luz, da verdade e do testemunho do Senhor Jesus através da Sua Igreja (vs. 12, 20);

         “as sete estrelas” que revelam a perfeição do Seu governo (vs. 16, 20).

 

Como o Apocalipse é a Revelação do Senhor Jesus Cristo, ele é totalmente centrado na Sua magnífica Pessoa, e vemos isso claramente demonstrado na visão do consagrado apóstolo:

 

         O Senhor dos anjos que estão ao Seu serviço (v. 1);

         A Fiel Testemunha tanto de Deus como da Sua Palavra (v. 5);

         Ele é o primogênito dos mortos (v. 5);

         Ele nos ama, pelo Seu sangue nos libertou, Ele é o nosso único Propiciador (v. 5);

         Soberano dos reis da Terra que aqui virá para estabelecer o Seu Reino Milenar (v. 5);

         Ele é o que há de vir para lamento de alguns e júbilo para aqueles que amam a Sua vinda (v. 7), conforme diz Paulo em 2 Timóteo 4:8;

         O Ancião de Dias descrito em Daniel 7:9 (v. 14);

         O Primeiro e o Último, e tudo mais que estiver nesse permeio (v. 17);

         Ele tem a chave da “morte” que é o local que recebe o corpo físico que lá permanece até a ressurreição; e do “hades” que recebe o espírito e alma no local intermediário entre a morte e a ressurreição (v. 18).

 

Vê-se, portanto, que o Apocalipse é um Livro para ser plenamente compreendido, pois o seu conteúdo é de Revelação, não de cobertura ou cerramento. “Revelação” tem o significado do “abrir as cortinas” ou “retirada do véu”, passando a revelar algo que não mais pode permanecer oculto. Ele não é um Livro de mistérios, mas de discernimento, e vemos isso no último versículo deste primeiro capítulo (v. 20), onde o próprio Senhor deu a interpretação do significado oculto dos “sete candeeiros” e das “sete estrelas” que estão nos versículos 12 e 16. Os “candeeiros” são as igrejas e as “estrelas” os anjos das igrejas.

 

Saber isto, para alguns, já seria mais do que suficiente, todavia, as interpretações dadas a essa afirmação do Senhor Jesus – anjos das igrejas – têm gerado insuportáveis controvérsias que acabam provocando desinteresse nas pessoas em estudar o Apocalipse. Digno de nota é que grande parte desses que tentam interpretar o texto sagrado contido nesse Livro usam expressões como “talvez”, “provavelmente”, “pode ser”, dentre outras colocações. Creio que seria melhor se dissessem “não sei” do que transmitir uma dúvida. Quando se escolhe não decidir, já se tomou uma decisão; por certo a pior.


É claro que há muitos que tomam decisões por interesses pessoais à medida que se identificam como sendo esses anjos pelo fato desse vernáculo ter o significado de “mensageiro”, logo, esses anjos poderiam ser os que “lideram as igrejas” e com isso atenderiam os anseios daqueles que adotam o clericalismo, passando a ter um poder temporal sobre as igrejas que nunca lhes fora dado, típica obra dos nicolaítas que tanto aborrece ao Senhor, conforme lemos em Apocalipse 2:6.

 

Sabemos que há aqueles em nosso meio que, bem-intencionados, sustentam o ponto de vista de que esses anjos são seres humanos, e a eles apresento os meus sinceros respeitos, todavia, pessoalmente, hão de permitir que eu pense de forma diferente ao entender que essa interpretação do Senhor Jesus se trata de personificações, tanto na forma celestial da igreja observada em Jesus Cristo, onde os anjos representam o caráter que as igrejas deveriam manifestar, como na forma terrena que é manifestada pelos candeeiros ao representarem a igreja vista pelos homens.

 

Ao se ler a milenar história da igreja e ver os atuais usurpadores que lideram as igrejas tidas como evangélicas, fica intolerável interpretar que esses “mensageiros” são os mesmos que estão na mão direita do Senhor Jesus (v. 20). Perdoem-me, mas isso afronta ao bom senso. É palatável, portanto, entender que os anjos descritos pelo Senhor Jesus sejam símbolos incomuns para representar o caráter celestial e sobrenatural da Sua Igreja que está em Sua mão direita (vs. 16, 20), mas sob nenhuma hipótese seres humanos imperfeitos como nós.

 

Lastreio o meu entendimento em dois respeitados comentaristas do nosso meio acerca de Apocalipse 1:20. Escreve James Allen em seu livro: “Muitos comentaristas, talvez a grande maioria... veem esses anjos como sendo aqueles que são capacitados para governar as igrejas... A objeção a isto, que eu considero insuperável, é que um símbolo não pode ser interpretado por outro símbolo... Os candeeiros são símbolos literais da igreja, e as estrelas só podem representar seres angelicais literais”. Por sua vez nos diz William MacDonald: “Os comentaristas propõem várias explicações para os anjos. Para alguns, eram seres angelicais que representavam as igrejas, da mesma forma como os anjos representam nações (Daniel 10:13, 20-21). Para outros, eram os bispos (ou pastores) das igrejas, uma explicação sem base escriturística... O termo grego (angelos) significa anjo ou mensageiro, mas em Apocalipse o primeiro significado (anjo) é bastante proeminente. Apesar das cartas serem endereçadas aos anjos, o conteúdo é, sem dúvida, dirigido a todas as igrejas”.

 

Bem haja! Que tudo ocorra da melhor maneira possível neste nosso caminhar rumo ao há de vir, apesar do controverso existente. Permita Deus que assim seja!

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Considerem atentamente o que vocês estão ouvindo".
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