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O OBSCURO MUNDO DOS PRESSÁGIOS (4)
José Carlos Jacintho de Campos - 23/1/2011

Que calor! Essa era manchete de um tabloide que é distribuído aos transeuntes e que foi deixado sobre a mesa de um quiosque onde parei para me hidratar. Nas minhas costumeiras caminhadas matinais, a daquela manhã estava fatigante por causa do tórrido calor e pela falta de uma brisa refrescante. O verão começaria naquele dia, 21/12/2010, às 21h38, mas já pela manhã o sol estava a revelar a chegada dessa estação, pois o ardor dos seus raios era sentido na pele até por aqueles mais acostumados com essa exposição.

 

Ao tomar assento àquela mesa, veio-me à lembrança que para esse mesmo dia e mês, em 2012, há um prognóstico de que este mundo chegaria ao fim nessa data, e nunca tantos em tão pouco tempo se dispuseram a escrever sobre esse tema, por ser bastante oportuno para auferirem excelentes lucros com a vendagem de livros, filmes, revistas etc., para aqueles que apreciam os adivinhos ou que se deixam levar pelo engano. Mas sobre essa data ainda temos cerca de dois anos à frente e por isso deixemos esse presságio para mais adiante.

 

Enquanto degustava o líquido precioso que aplacaria a forte sede que eu estava a sentir, dei-me conta de que um falso pregador do Evangelho, entre tantos outros que fazem sucesso nos Estados Unidos, vem alardeando que sabe o dia do retorno do Senhor Jesus – 21/05/2011 – e que a partir daí, consequentemente, o mundo chegaria ao fim em 21/10/2011. Faltavam, portanto, alguns meses para que todos os acontecimentos escatológicos acontecessem, e confesso que me veio ao rosto um sorriso espontâneo pelo cômico pensamento que passou pela minha mente de que era preciso começar a preparar as malas para essa partida. Sem dúvida, mais uma absurda afirmação de quem não leva a sério as coisas de Deus.

 

A exemplo do consagrado apóstolo Paulo, devemos fazer parte do grupo daqueles que amam a vinda do Senhor Jesus Cristo, sentimento este que deve ser perenemente revigorado a cada dia da nossa existência e, em nenhuma hipótese, podemos admitir qualquer tipo de leviandade acerca desse tão grandioso evento (2 Timóteo 4:8).

 

O que mais me impressiona não é o fato dos mercantilistas atuarem dessa forma, pois o Evangelho para eles é um negócio como outro qualquer, mas sim pelo fato das pessoas se deixarem enganar tendo em vista que esse mesmo herege já tinha feito uma anterior previsão de que a volta do Senhor dar-se-ia em 1994 e sabemos que isso não aconteceu, como também sabemos que nessas novas datas nada disso acontecerá, por estar fora das premissas estabelecidas por Deus.

 

Quando assisti ao vídeo de um dos seus cúmplices aqui no Brasil, por um instante não acreditei no que ouvia, pois com a maior falta de pejo o mensageiro afirmava, por mais de uma vez, que essas datas se encontravam na Bíblia, mas não dizia em que parte dela, e tampouco poderia fazê-lo porque isso não existe. As Escrituras são claríssimas a esse respeito. O próprio Senhor Jesus deixou asseverado de que não nos compete saber os tempos ou as épocas, que o Pai reservou à Sua exclusiva autoridade (Atos 1:7).

 

O delírio de se marcar uma data para o retorno do Senhor Jesus, ou dos acontecimentos apocalípticos, é uma constante, o tempo tem provado que isso faz parte dos arroubos dos falsos profetas porque é através dessas heresias que alcançam a notoriedade que tanto desejam e com isso o ganho do dinheiro fácil.

 

Não se pode deixar cair no esquecimento que esse mesmo embuste escatológico gerou o surgimento de duas grandes seitas – jeovistas e adventistas – que criam grande confusão na medida em que se identificam como parte integrante da cristandade.

 

Jamais será demasiado lembrar que essas coisas também acontecem aqui no Brasil, onde uma conhecida senhora, pertencente ao movimento pentecostal, fez previsão parecida ao afiançar, em 1991, que o retorno do Senhor Jesus aconteceria em um sábado de 2007. Desconheço as explicações que tenha dado por tão grave equívoco, mas o que espanta é que ela continua com grande audiência em seus programas televisivos e pela Internet.

 

Mas voltemos àquela mesa no quiosque. Daquele lugar eu podia contemplar o arquipélago das Cagarras, um conjunto de sete ilhas e rochedos localizado entre as praias de Ipanema e Leblon, na cidade do Rio de Janeiro, distante apenas 5 km da praia. Naquele momento veio-me à mente a ilha de Patmos, para onde o apóstolo João fora banido por causa da Palavra de Deus e do testemunho do Senhor Jesus Cristo – Apocalipse 1:9 –, e naquela época era um local inóspito e o mais inacessível possível. Para lá eram levados os inimigos de Roma a fim de que não tivessem nenhuma chance de fugir do desterro que lhes fora imputado. Bem diferente daquilo que eu estava a contemplar, mesmo à distância.

 

Foi em Patmos, naquele local tão hostil, que ocorreu um extraordinário milagre! O apóstolo amado, como assim era conhecido João, ficou sabendo a história da humanidade que aconteceria dali até a Eternidade, antes que ela ocorresse. Isso é fantástico! Você já parou para pensar nisso? Saber de tudo, de todos os acontecimentos históricos, alguns milênios antes deles acontecerem. De fato João fez uma viagem rumo ao futuro. Aqueles que creem no Senhor Jesus Cristo participam desse mesmo milagre à medida que se dedicam em estudar com afinco a Revelação transmitida por Ele ao Seu consagrado servo (Apocalipse 1:3).

 

A Revelação do Senhor Jesus Cristo era para João escrever acerca das coisas que ele “viu”, que se tratava da majestosa pessoa do Senhor Jesus Cristo; as coisas “que são”, revelando profeticamente o que ocorreria com a Igreja de Deus ao longo dos séculos; e as que “hão de acontecer” (Apocalipse 1:19), que vai desde o juízo de Deus que recairá sobre aqueles que permaneceram na incredulidade, até a formação do novo céu e da nova terra, quando Ele fará novas todas as coisas e determinou ao Seu servo: “Escreve; porque estas palavras são fiéis e verdadeiras” (Apocalipse 21:1-8).

 

Deixando-me levar pelos meus pensamentos, lembrei-me da revelação em que o Senhor Jesus Cristo receberá das mãos do Pai o livro lacrado com sete selos contendo os registros dos julgamentos que recairão sobre a Terra, após o arrebatamento da Sua Igreja e antes dEle estabelecer o Seu reino milenar. Ninguém é digno de abrir esses selos, somente o Senhor Jesus poderá fazê-lo (Apocalipse 5:1-5).

 

A abertura do sexto selo, além de causar grande desordem no céu astronômico, convulsiona os elementos da natureza gerando um terremoto de grandes proporções que sacode a terra e o mar a ponto de deslocar todos os montes e ilhas de seus respectivos lugares em decorrência desse cataclismo gigantesco (Apocalipse 6:12-14).

 

Portanto, aquela vista que eu tinha diante dos meus olhos estava com os seus dias contados, mas jamais saberemos antecipadamente a hora e o dia que essas coisas acontecerão (Mateus 24:36; Apocalipse 9:15), porque isto é de exclusiva propriedade do Deus Todo-Poderoso e não há nenhum ser humano ou celestial que teve ou terá acesso a essa revelação, que há remotos tempos vem sendo profetizada: “... farei estremecer o céu e a terra se moverá do seu lugar, por causa do furor do Senhor” (Isaías 13:13).

 

Por outro lado, há aqueles que veem nessa imensa sacudida que a Terra sofrerá, como algo meramente simbólico, aliviando com isso as tintas desses acontecimentos apocalípticos ao espiritualizarem essas ocorrências. Ninguém que se considere um estudioso das Escrituras irá afirmar, por exemplo, que as dez pragas do Egito foram simbólicas, pois até os magos do Faraó conseguiram reproduzir as duas primeiras (Êxodo 7:22; 8:7; 8:19).

 

Crer que Deus possa agir de forma extranatural não é ingenuidade, mas uma manifestação de fé no Seu eterno poder. Teriam sido apenas símbolos a intensa seca por três anos consecutivos no reinado de Acabe (1 Reis 18:1); o sol parado no meio do céu por quase um dia inteiro no tempo de Josué (Josué 10:12-13); a sombra no relógio de Acaz que o fez retroceder dez graus (Isaías 38:8)? Ninguém que crê na Palavra de Deus ousaria a afirmar que essas ocorrências foram apenas significações simbólicas.

 

Quando me dei conta, aquela manhã já estava a avançar no seu último quartil. Antes de me levantar daquela mesa me lembrei das palavras de Salomão acerca da eterna mesmice existente neste mundo: “o que foi, é o que há de ser; e o que se fez, isso se tornará a fazer; nada há, pois, novo debaixo do sol” (Eclesiastes 1:9). Como a tendência natural do ser humano é a rotina da omissão, tomara que haja um despertar autêntico para a necessária busca do conhecimento acerca do que há de vir, a fim de que as pessoas deixem de ser levadas por enganosos presságios cujas consequências lhes serão sobremodo danosas no porvir que não deve estar muito distante. Permita Deus que assim seja!

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