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ROUPAS VELHAS COM ETIQUETA NOVA (1)
José Carlos Jacintho de Campos - 3/3/2008

“e levaram... roupas velhas sobre si”

Josué 9:3-5

 

Certa feita, ao ver um homem em desembalada corrida carregando uma pasta em uma das mãos enquanto a outra segurava o chapéu para que não voasse de sua cabeça, um rabino o alcançou e lhe perguntou: “Para onde você corre com tanta pressa?”. “Como assim”, respondeu o homem não escondendo a sua irritação por ter que parar. “Estou tentando ganhar a vida e corro atrás do meu sustento, pois há oportunidades que estão a me esperar e se eu não correr as perderei!”. Respondeu o rabino: “Quem pode saber se as oportunidades estão mais à frente? Elas poderão estar ao seu lado, ou pior, talvez você já tenha passado por elas deixando-as cada vez mais distantes de você?”. O homem ficou sem ação, o rabino concluiu: “Meu amigo, não estou dizendo que você não deve ganhar o seu sustento, mas me preocupo que, na “obsessão” do seu ganhar, esteja perdendo a sua “vida”.

 

Sobremodo significativo esse diálogo! Ele nos remete à pergunta formulada pelo Senhor Jesus em Marcos 8:36 ... “que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua vida?” (IBB).

 

Do ponto de vista cristão, é algo extremamente equivocado usar essa expressão “ganhar a vida”, tendo em vista que ela já está ganha através do Senhor Jesus. A diferença entre “vida” e “sustento” está no centro das questões dos dias atuais. Fazer a “vida” girar em torno do “ganho” é algo semelhante ao costume popular de se dizer que o “sol nasceu”, pois implica dizer que é o Sol, não a Terra, que executa o movimento de rotação.

 

O mundo de hoje é muitíssimo bem caracterizado por esse homem com uma mão na mala e outra no chapéu. A mala é representativa do “materialismo” desmedido existente neste mundo, já a mão que segura o chapéu simboliza o “individualismo” exacerbado que paira sobre as pessoas, ou seja, o de não abrir mão de nada. O mundo de hoje é regido pelo “ganho”, justificando-se que é para o “sustento”, entretanto essa “lógica do sustento” sobrepõe à “lógica da vida”, e há aqueles que ficam chocados por tamanha insensatez, pois a vida de uma pessoa “não consiste na abundância dos bens que possui” (Lucas 12:15b).

 

Pois bem, é nesse contexto, materialismo e individualismo, que ardilosamente o deus do presente século – o diabo - exerce o seu maléfico fascínio sem que as pessoas se apercebam disso, mesmo aquelas que deveriam estar extremamente atentas, como as que professam sua fé no Senhor Jesus Cristo. Com teorias tolas, porém muito bem engendradas, com evidente interesse material e pessoal, coisas estranhas são introduzidas com absurda facilidade em meio ao ajuntamento solene.

 

Quando os mais atentos ousam pronunciar um alerta logo são silenciados sob o rótulo de que estariam querendo assumir a supremacia do rebanho, ou então por serem retrógrados ou exclusivistas. Aliás, por vezes partem para a agressão verbal alegando que aqueles que não concordam com certas ideias são cristãos acovardados, que não saem do lugar comum por receio de darem um passo à frente, porém não dizem o risco que há no entorno desse passo.

 

Entretanto, o inverso é verdadeiro! De fato os que se preocupam com os casuísmos que cada vez mais penetram no seio das igrejas, estão querendo evitar que o cristianismo autêntico seja contaminado pela aceitação passiva de novas ideias, doutrinas ou princípios que chegam disfarçados como estando em consonância com a Palavra de Deus, todavia não têm nada de novo por serem “roupas velhas com etiqueta nova”, factoides criados por homens intuídos por origem duvidosa.

 

Essas “roupas velhas” nos remetem ao Velho Testamento. A notícia se espalhara por toda Canaã! As espetaculares vitórias de Israel na conquista de Jericó e Ai fizeram com que os povos de várias localidades preparassem uma grande resistência contra a avassaladora ocupação promovida pelo exército israelita sob comando de Josué, um servo de Deus preparadíssimo para o combate e a conquista, consequentes do seu excelente adestramento. Se já não bastasse isso, ele tinha o fundamental, o indispensável, o mais importante: “Não to mandei eu? Sê forte e corajoso; não temas, nem te espantes, porque o Senhor teu Deus, é contigo por onde quer que andares” (Josué 1:9).

 

A situação era indigesta para os inimigos do povo de Deus. A questão era: como derrotar um povo liderado por alguém que era “Salvação” (Oséias) e agora passou a ser Josué, “Deus é Salvação” (Números 13:16). Complicado, não é mesmo? Mas não se deve menosprezar um inimigo ardiloso, sem nenhum escrúpulo, pronto a burlar alguém da forma mais rasteira. Assim é o inimigo das nossas almas que através do logro faz com que o povo de Deus, do passado e do presente, caia em seus estratagemas sem que se aperceba disso. Quando acordar, já é tarde, o estrago é enorme e em muitas das vezes sem retorno face aos cismas provocados.

 

Os habitantes de Gibeom tinham pleno conhecimento do poder de Israel! Sabiam que naquele momento era impossível derrotar o povo de Deus. Foi aí que entrou a antiga artimanha diabólica, traçaram astutamente um plano de engodo. Vestidos com “roupas velhas” para aparentar que estavam vindo de um país distante, mas de fato estavam muito próximos, chegaram ao acampamento israelita manifestando temor ao Deus de Israel e se ofereceram para serem servos se Jeová entrasse em aliança com eles. Como Israel não buscou a orientação divina, como deveria ter sido feito, o povo de Deus foi vítima dessa ficção ao fazerem uma aliança espúria com os gibeonitas. Três dias após descobriram o grave engano, mas já era tarde, eles teriam que carregar o peso daquele pacto para sempre.

 

Pois é, os mesmos trapos velhos de antigamente - o logro -, estão sendo usados em nossos dias para enganar não mais o povo de Deus de outrora, mas a própria Igreja de Deus. A única diferença está na “etiqueta”, que dá uma aparência de coisa “nova” a esses trapos velhos. De pronto alguém poderá contestar alegando que o diabo não poderia enganar a igreja de Deus, pois o Senhor Jesus afirmou que as portas do inferno jamais prevaleceriam contra a Igreja, com base em Mateus 16:18. Entretanto, há um grave equívoco nessa afirmação.

 

De fato o Senhor Jesus asseverou que a “morte” (hades, traduzido como inferno, significa o lugar dos mortos) não prevaleceria contra a Sua igreja, porque a morte já está derrotada por Jesus ser a Vida. Porém, isso não significa que a Igreja não sofreria as investidas do diabo. Nunca é demais lembrar que a Igreja, apesar de edificada sobre a Pessoa do Senhor Jesus, as “pedras” que a formam são de pessoas falíveis que podem permitir a influência satânica mesmo que por ele não sejam tocadas. Se assim não fosse, não veríamos o triste quadro que a Igreja chegará antes do Arrebatamento ao lermos a sétima carta apocalíptica, à igreja em Laodiceia, que é repreendida por estar em desgraça, miserável, pobre, cega e nua, a ponto do Senhor querer vomitá-la (Apocalipse 3:14-22).

 

A exemplo daquele homem do início desta crônica, as pessoas não param para pensar. Correm atrás do vento carregando a pasta do materialismo em uma mão e o chapéu do individualismo na outra, sem darem conta que o destino dessa desembalada carreira os levará ao lamentável estado espiritual de Laodiceia, de uma Igreja completamente desagradável a Deus, apática aos princípios por Ele estabelecidos, complacente com o desenfreado mercantilismo já tão exacerbado em nossos dias e tolerante a qualquer vento de doutrina, desde que represente um passo adiante. Não há dúvida que a permissiva Laodiceia é o resultado desse impensado passo.

 

É importante ressaltar que pelo fato do espírito do “profeta” estar sujeito ao próprio “profeta” o passo rumo a Laodiceia nada tem a ver com a atuação do Espírito Santo (1 Coríntios 14:32). Isso tem que ficar bastante claro, pois muitos dizem que suas decisões são por inspiração do Espírito de Deus e isso não é verdadeiro.

 

Basta olharmos ao redor e veremos que a Igreja que hoje está sendo “construída” é um protótipo daquela que existirá no fim dos tempos, cujos membros desejarão uma igreja poderosamente institucionalizada que entende não precisar de coisa alguma (Apocalipse 3:21). É evidente que os cristãos autênticos irão manifestar que querem estar entre o remanescente fiel e não com essa maioria, todavia devem demonstrar isso agora, pois será hipocrisia pensar de uma forma e praticar outra, ou seja, dizer que não aceitam o ocultismo cristianizado, mas vestem facilmente os trapos velhos que surgem com uma nova aparência.

 

Nas próximas edições serão analisadas as “roupas velhas” que são infiltradas com “etiqueta nova” nas igrejas das mais variadas denominações, tais como a lei da atração, a oração contemplativa, os encontros secretos, dentre outros, pois, lamentavelmente, tudo se copia desde que tenha uma aparência de sucesso ou demonstre ser um passo à frente. Que tenhamos um despertamento verdadeiro acerca dessas coisas muito estranhas. Permita Deus que assim seja!

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