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ROUPAS VELHAS COM ETIQUETA NOVA (2)
José Carlos Jacintho de Campos - 28/5/2008

“Não vos entregueis a inquietações”

Lucas 12:29

 

E agora, Adão? Provavelmente esta foi a primeira indagação que lhe veio à mente quando colocado para fora do Éden. Imagine a expressão do seu rosto no momento que contemplou o lugar de maldição que passaria a habitar por quase um milheiro de anos da sua longa vida.

 

A Terra tornara-se maldita por sua causa, tudo aquilo que lhe era extremamente favorável no Jardim de Deus deixou de ser, agora tinha diante de si toda sorte de antagonismos. Doravante tudo seria conseguido com muita fadiga, o sustento teria que ser obtido de uma terra que produzia somente ervas daninhas e espinhos. Que desgraça! A vida passou a ser tão sofrida que séculos à frente Lameque, ao contemplar o nascimento do seu filho Noé, fez um lamurioso desabafo: “Este nos consolará dos nossos trabalhos, e das fadigas de nossas mãos, nesta terra que o Senhor amaldiçoou” (Gênesis 5:28-29).

 

Se já não bastasse essa enorme dificuldade material, algo ainda muito mais perturbador incomodava os seres humanos, pois, diferentemente dos animais irracionais, eles tinham em si a consciência da eternidade, o suficiente ao menos para comparar o efêmero com o eterno, mas isso lhes estava oculto. Eles percebiam que algo deveria existir além da morte, porque Deus pôs a eternidade no coração do homem sem que ele pudesse descobrir as obras que Ele fez desde o princípio até o fim (Eclesiastes 3:11).

 

Em Eclesiastes 12:13, após o pregador descrever sobre a aspereza da vida debaixo do sol, ele concluiu que de tudo que tinha visto e ouvido somente uma coisa era válida: “Teme a Deus, e guarda os seus mandamentos; porque isto é o dever de todo homem”. Eis aí a enorme dificuldade! Como temer a Deus e guardar os Seus mandamentos se desde o princípio o homem foi desobediente a Deus e, por causa disso, a humanidade continuou carregando sobre si a culpa por um ato tão desprezível de desobediência. Em vez de procurar a Deus, pois Ele Se deixa achar, a humanidade incrédula sempre procurou encontrar a solução em si mesma.

 

Lemos nas Escrituras, que mesmo após o terribilíssimo juízo de Deus que caiu sobre a humanidade, os homens da geração pós-diluviana começaram a se portar como se divindades fossem e chegaram à estupidez de tentar alcançar a Deus através da construção de uma torre. Deus os castigou severamente por causa disso, confundindo a linguagem que usavam e com isso os espalhou pela superfície da terra frustrando assim o enlouquecido desígnio de seus corações de quererem ser deuses.

 

Não é preciso muito esforço para se saber que quem está por detrás de todo esse contexto é o mesmo personagem que surgiu no Éden e levou o primeiro casal à desobediência a Deus, a “serpente”, o diabo, o deus deste mundo que tem cegado o entendimento dos incrédulos para que não cheguem ao conhecimento de Deus. Foi assim desde o princípio e assim será até o findar dos séculos, quando ele será afastado de uma vez por todas para o lugar que já lhe está reservado (Apocalipse 20:11).

 

Enquanto isso, desde a Antiguidade, a sua atuação é percebida pelos mais atentos, por aqueles que não se deixam influenciar por qualquer novidade ou modismos que surgem. Apesar do ardente desejo de se equiparar a Deus, que o torna a mais desprezível das criaturas, na verdade o diabo é um ser limitado e por isso ele fica restrito à sua repetitiva estratégia desde o princípio: a cobiça e a soberba. Os seus feitos são “roupas velhas com etiquetas novas”, somente isso. Pena que as pessoas, mesmo cristãs, estejam desapercebidas dessa realidade e tolamente se deixam enganar como ocorreu com a primeira mulher, todavia essa mesma tática não funcionou na tentação que implacavelmente ele aplicou ao Senhor Jesus (Mateus 4:1-11).

 

Não será preciso descrever aqui toda a história da humanidade para se saber que o ser humano, intuído por forças contrárias a Deus, passou a acreditar que a solução para a sua vida estivesse em si mesmo através da força do seu pensamento. Para não ir tão longe, Buda já dizia isso há 2.500 anos: “Nós somos o que pensamos. Tudo que somos surge com os nossos pensamentos. Com nossos pensamentos nós fazemos o mundo”. Sem dúvida é um enorme desvario achar que o pensamento humano é o verdadeiro Deus que habita em cada criatura.

 

O conceito do “creia em ti, crê naquilo que pensas e faz com que aconteça” está baseado em algo muito antigo praticado pelos ocultistas, cujo “segredo” era privilégio de alguns iniciados. “O segredo” é apresentado em nossos dias como rótulo de “a lei da atração”, que consiste em “pedir, acreditar e receber”, pois, como pequenos deuses que seriam, os seres humanos deveriam exercer o “poder da atração” sobre tudo que acontecesse em suas vidas e, para isso, teriam à sua disposição as forças existentes no universo cujo poder seria ilimitado. Fácil, não!

 

Todavia, esses “mestres” não explicam “como” isso aconteceria; “como” as tais forças do universo fariam para que todas as vontades humanas se realizassem. Segundo eles “isso não é problema de quem pede, mas do universo em fazê-lo”, e caso aquele que pede ficar imaginando como o seu pedido aconteceria, estaria emitindo uma frequência negativa de falta de fé nas forças do universo e aí a lei de atração não funcionaria. Portanto, para eles, tudo que der errado será sempre culpa daquele que pede, jamais das “forças do universo” que nunca falham.

 

E não é que existem muitos que acreditam nisso! Uma única pergunta derruba por completo essa tolice: Se essa lei é infalível porque o ser humano continua morrendo? Bastaria, dentro desse mesmo conceito, que a pessoa pedisse para não morrer, acreditaria nisso de forma inabalável e o universo seria obrigado a atender o seu pedido. Por certo a resposta desses “iluminados” será que as pessoas morrem por não acreditarem de forma suficiente na força do pensamento positivo cuja atração as impediria de envelhecer ou adoecer.

 

Por certo isso seria algo que jamais penetraria na Igreja de Deus, diriam muitos. Mas é justamente aí que entra a esperteza do diabo. Ele pega a “roupa velha” por ele inventada e coloca nela uma “etiqueta nova” e sutilmente intui cristãos incautos para que façam algo parecido, pois aí estaria a solução de todos os problemas materiais da Igreja de Deus. Para isso bastaria substituir o vocábulo “universo” por Deus, e em vez do “peça, acredite e receba” contido na tal lei da atração, agora passaria a ser o “determine, creia e receba” que insidiosamente é proclamado pelos mensageiros da teoria da determinação.

 

Pronto! A fórmula do “sucesso” para a Igreja estaria identificada. Como sempre é preciso inventar um nome e eles têm variado desde a “Confissão Positiva” do século passado até a “Teologia da Prosperidade” efusivamente praticada em nossos dias com todas as ramificações que daí estão a surgir, que vão da saúde perfeita até o enriquecimento e poder sem limites, afinal, segundo esses tais, Deus teria a obrigação de acatar, sem restrições, as determinações emanadas pelo Seu povo como se Ele fosse um títere e se deixasse comandar ao bel-prazer pelos membros da Sua Igreja.

 

Veja a banalidade que isso representa. Suponha alguém a caminho de um shopping que de antemão sabe que encontrará o estacionamento lotado. Que coisa mais desagradável ficar esperando até que surja uma vaga, não é mesmo? Nesse momento ela usa a tal “lei da determinação”: “Senhor, determino a Ti que quero uma vaga à minha espera quando ao estacionamento chegar”. Puft! Como num passe de mágica ela acredita que a vaga estará lá à sua espera e se não estiver é porque ela não soube determinar a Deus como deveria, ou então está com algum pecado oculto ainda não confessado. Pode ser até que ela encontre uma vaga de imediato, mas será por mera coincidência, jamais por Deus sentir-Se obrigado a fazê-lo.

 

Isto faz lembrar certo documentário onde milhares de fiéis de uma determinada denominação evangélica se desfaziam de seus óculos após ouvirem os pastores exigirem que, se tivessem fé, deviam determinar naquele momento a Deus que não precisavam mais de óculos. Ao final do espetáculo, realizado num grande estádio de futebol, viu-se a deprimente cena de muitas pessoas remexendo a pilha de óculos, desesperadas, em busca do seu. Isto é uma das formas mais vis de ridicularizar o nosso Deus Todo-Poderoso, que não Se deixa escarnecer, e por certo esses que ensinam e praticam a mentira da determinação terão que prestar contas a Ele.

 

Por definição, a Deus não se determina absolutamente nada. Como nos ensinou o Senhor Jesus, devemos buscar o Seu reino e a Sua justiça e todas as demais coisas que necessitamos nos serão acrescentadas, pois o Pai celeste sabe de todas as coisas que precisamos e as concederá segundo a Sua soberana vontade, não consoante os caprichos do nosso coração. Não devemos permitir que a ansiedade e as inquietudes desta vida perturbem o nosso bom relacionamento com o nosso Deus que Se agradou em nos dar o Seu Reino (Lucas 12:22-34). Permita Deus que assim seja!

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