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ROUPAS VELHAS COM ETIQUETA NOVA (3)
José Carlos Jacintho de Campos - 25/8/2008

"Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas"
Jeremias 17:9

Em visita a Israel um casal de americanos entra em um clube noturno de Tel Aviv onde se apresenta um artista judeu. As piadas do humorista fazem grande sucesso com a plateia e quem mais ria naquela oportunidade era o americano causando grande estranheza em sua mulher, tendo em vista que as piadas contadas eram em hebraico e eles não conheciam aquele idioma. Por que então estaria ele rindo tanto? Por quê, não? – respondeu o marido quando indagado pela mulher – Eu confio nessa gente! Se eles estão a rir então vou rir também.

é assim que tem funcionado o cristianismo em nossos dias. Os "evangélicos" estão a aceitar qualquer coisa como se crível fosse desde que tenha uma "etiqueta nova", mas que na verdade não passa de "roupa velha", porém isso é o que menos importa afinal os crentes estão a "confiar nessa gente". Assistimos com tremenda passividade as coisas se desenrolarem ao nosso redor sem qualquer questionamento e ninguém se atreve a perguntar, a exemplo daquele americano: "estão a rir do quê?".

Após a reforma protestante, nunca se viu um cristianismo tão descuidado como nos dias atuais. Não são poucos os pensamentos e as práticas ocultistas que estão sendo introduzidos ao ajuntamento solene. As pessoas não param para pensar: "quem é este que está a trazer essa novidade?" O enorme equívoco, que certamente será desastroso, é o não questionamento se aquele novo rótulo não passa do lado disfarçado, mas fascinante do mal.

Por possuírem grande sucesso de venda, divulga-se hoje literatura de determinados escritores como que seus escritos viessem da parte de Deus, inclusive com devocionais diários divulgados através de sites cristãos pela Internet, pois, para muitos, o que vale é a fama respaldada na premissa que quem consegue vender bem significa que é bom. Essa imprudência trará graves consequências, mas para o cristianismo que se cultua em nossos dias isso não tem muita importância, o que interessa é ser "fashion" e estar na nova onda espiritual.

O questionamento que se levanta é se aqueles que usam de práticas místicas do ocultismo, como a oração centrante ou contemplativa, ao escreverem seus devocionais e livros o fazem pela inspiração do Espírito Santo ou pela sutileza das "entidades" que surgem no pavilhão ou laboratório mental por ocasião dessas meditações que se dá o codinome de "oração"? Por sinal a oração meditativa está sendo largamente usada em certos encontros secretos de "cristãos", fazendo-a por mero plágio sem saberem de fato o que isso envolve e o risco que se corre ao entrar em contato com coisas obscurantistas.

Afinal, como algo tão antigo e sabidamente ocultista foi introduzido tão facilmente no meio cristão, inclusive sendo praticado por escritores "cristãos" tão famosos? A resposta é simples: a malícia do diabo e o ávido desejo dos "cristãos" em nossos dias na busca de uma nova rotulagem, da coisa nova, do novo discurso. Para estes a simplicidade do Evangelho já não lhes traz as mesmas emoções de outrora, logo qualquer nova fantasia, bem escrita, é bem recebida. E quanto à origem dessa inovação? A resposta já virou um jargão: "temos que dar um passo à frente". Resta saber se esse passo à frente é para o alto ou para as coisas aqui debaixo, não é mesmo? Esse descuido por certo terá um alto custo no porvir.

Realmente o diabo é por demais esperto e o ser humano um tolo contumaz! Aquilo que era uma prática eminentemente ocultista, praticada somente por certos "iniciados", passou a ser oferecida como algo relevante para o "controle da mente do cristão", sendo que o inverso é absolutamente verdadeiro. De fato há um descontrole mental ao permitir-se a privação das faculdades mentais pela alteração da frequência das ondas cerebrais a níveis mais baixos levando o praticante a um relaxamento profundo e meditativo. Tais práticas não passam de uma auto-hipnose que torna permissível o acesso de forças estranhas que acabam produzindo fenômenos incomuns que os atuais "profetas" dizem que vêm de Deus. Por definição, jamais Deus usaria uma prática ocultista para inspirar Seus filhos, pensar-se o contrário é sandice.

O ocultismo é definido como a prática de suposta arte divinatória e de fenômenos que parecem não ter explicações nas leis naturais, todavia sabemos, de fato, que o seu autor é o deus do presente século cujo único objetivo é cegar o entendimento dos incrédulos para que não cheguem ao conhecimento da Verdade (2 Coríntios 4:4). Os seguidores dessa prática diabólica afirmam que "a oração contemplativa é um método que leva o cristão para além de uma conversa com Cristo a fim de que tenha experiências inefáveis". Sem dúvida o apelo é irresistível!

Como diretrizes para esse feito, é recomendado que o praticante escolha uma palavra sagrada como símbolo da sua intenção de entrar na presença de Deus. Gente, que coisa mais antiga! Isso é roupa rota de tão gasta que agora está sendo apresentada como algo deslumbrantemente novo. Isso não passa do já carcomido "mantra" que é a base usada para as meditações ocultistas. Segundo esses "mestres", o incauto que tal coisa pratica deverá assentar-se confortavelmente com os olhos fechados e silenciosamente apresentar repetidamente a "palavra sagrada", que é o "mantra", como um símbolo do seu desejo de ir à presença de Deus, quando fluirá toda sorte de "inspirados" (por quem?) pensamentos que incluem sensações corporais, emoções, imagens e reflexões, que de fato são arquétipos fantasiosos que até apresentam uma aparência atraente, mas encobrem terrível malignidade.

O mais absurdo é que para justificarem essa prática pelos cristãos, maliciosamente se lastreiam em Mateus 6:6... "Mas tu, quando orares, entra no teu quarto e, fechando a porta, ora a teu Pai que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará". Entretanto não são citados os versículos que vêm em seguida, dentre eles Mateus 6:7... "E, orando, não usei de vãs repetições, como os incrédulos". Isso derruba de plano qualquer argumento a favor do "mantra" sugerido, que não passa de uma mera repetição para invocar forças ocultas que indiscutivelmente não vêm de Deus.

Ao ler-se todo o capítulo 6 de Mateus, que está dentro do contexto do magnífico sermão do monte, vê-se que o ensino do Senhor Jesus ali contido nada tem a ver com essa prática ocultista. Ao contrário, trata-se de uma oportuna advertência para que o cristão tenha cuidado com a hipocrisia dos "religiosos" e dos "pagãos" que fazem de tudo para aparecer, para serem enaltecidos pelas pessoas: "Guardai-vos de exercer a vossa justiça diante dos homens, com o fim de serdes vistos por eles", diz o Senhor em Mateus 6:1. Portanto, o respaldo bíblico para essa oração mística não passa da velha estratégia do diabo de tirar um texto do seu contexto para apresentar o seu pretexto. A oração contemplativa não tem nenhuma semelhança com a oração ensinada pelo Senhor Jesus por se tratar de uma meditação mística totalmente contrária aos ensinos contidos nas Sagradas Escrituras.

Isto nos remete a outra grave atividade bastante estimulada entre certos "cristãos" que é a prática da "ioga". Dave Hunt já abordou como muita propriedade esse assunto ao asseverar: "A propaganda da ioga no ocidente diz que seus exercícios respiratórios e de flexibilidade melhoram a saúde e ajudam a viver melhor, mas no extremo oriente, onde tal prática se originou, ela é considerada uma forma de morrer". Desnecessário, pois, acrescentar-se qualquer comentário a essa assertiva, que, por si só, é extremamente convincente e conclusiva.

Ainda dentro desse mesmo contexto meditativo há uma terrível mistificação que está sendo praticada por psicólogos tidos como cristãos em alguns encontros secretos: a regressão às vidas passadas. Pode existir maior falta de inteligência do que essa entre os cristãos? O cristão, por definição, crê absolutamente na ressurreição, jamais na reencarnação. Portanto, que estória é essa de "vidas passadas" se a reencarnação não existe? Verdadeiramente, como diz o Senhor, "maldito o homem que confia no homem... enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e desesperadamente corrupto; quem o conhecerá?" (Jeremias 17:5 e 9).

Muito se poderia escrever sobre este assunto, mas creio que aquilo que foi dito ao longo desta série já é o suficiente para que fiquemos atentos a fim de não sermos levados pelas "roupas velhas" que nos chegam com incrível atrativo por causa da "nova etiqueta". O que importa é que nos apeguemos à Palavra de Deus para que sobrevivamos a essa confusão generalizada que está instalada no movimento chamado de evangélico.

Não nos esqueçamos, jamais, daquilo que Paulo disse a Timóteo acerca dos males dos últimos dias, quando "sobrevirão tempos difíceis," para que ele permanecesse naquilo que dele havia aprendido (2 Timóteo 3:1 e 14). Já houve quem disse acerca do atual movimento evangélico brasileiro: "Não embarco nessa proposta positivista do progresso infinito, cumulativo, isso é um mito e muitos evangélicos têm embarcado nele. O dito ‘movimento evangélico’ está no final de um ciclo por estar com sua identidade extremamente fragilizada. O que é ser evangélico hoje? Uma pergunta simples, mas muito difícil de ser respondida".

Que diremos, pois, à vista das coisas que vimos nesta série? Sem dúvida, grande é a inquietude daqueles que querem continuar fiéis ao seu Senhor, pois observam que Laodiceia está às portas. Quem tem o Espírito sabe o que isso significa. Apeguemo-nos, portanto, firmemente, à nossa única esperança que é o Senhor Jesus que nos diz: "Certamente venho sem demora. Amém. Vem, Senhor Jesus" (Apocalipse 22:20). Que esse seja o real sentimento de todo aquele que O tem como Senhor e Salvador. Permita Deus que assim seja!

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