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O PASSO MAIOR QUE A PERNA (1)
José Carlos Jacintho de Campos - 11/1/2007

“pedis, e não recebeis, porque pedis mal, para esbanjardes em vossos prazeres”

(Tiago 4:3)

 

Vez por outra, aos sábados pela manhã, assisto aos programas televisivos tidos como evangélicos e não é preciso vê-los com assiduidade, pois geralmente não mudam de conteúdo tendo em vista que o principal apelo existente é o mercantilismo e as mensagens, de fato, são extremamente curtas.

 

Numa manhã dessas, uma moça, que fazia parte da equipe que estava promovendo certo evento evangélico, declarou que havia aceito o desafio do mensageiro de ofertar 100 reais com a convicção que em noventa dias ela receberia bênçãos sem medida e todas as suas dificuldades financeiras seriam solucionadas pelo Senhor.

 

Ela testemunhou que não foi necessário aquele prazo, pois em dois dias obteve a resposta através de uma senhora que a informou que recebera um recado da parte de Deus para que fizesse uma oferta especial para ela. Essa doação não só resolveu todos os seus problemas financeiros, pois pôde liquidar o débito que tinha nos cartões de crédito e o saldo devedor dos seus cheques especiais, mas ainda sobrou o suficiente para comprar um carro novo, todo equipado, além daquilo que ela tinha pedido ao Senhor.

 

Que maravilha, não é mesmo, irmãos? A pessoa se endivida, gasta com tudo que o seu ambicioso coração deseja e depois fica no aguardo que o Senhor providencie o pagamento dessas contas. Essa é a perigosa e equivocada pregação “triunfalista” muito transmitida em nossos dias. É claro que essa moça faltou com a verdade! Esse testemunho fazia parte do contexto do programa para sensibilizar os telespectadores a fazerem as suas doações de 100 reais e ficarem na expectativa de que em noventa dias esse “investimento” teria um retorno sem precedentes.

 

Como bem afirmou o irmão Orlando Arraz Maz, aqui na Senda, vivemos dias difíceis face aos intensos apelos mercadológicos que procuram nos levar para um consumismo desenfreado, e muitos têm sido levados por esse ardil publicitário e acabam se atolando em dívidas que não podem resgatar. Dentre estes, muitos daqueles que se dizem crentes no Senhor Jesus.

 

Sem dúvida, os instrumentos de crédito hoje existentes permitem esse exacerbado consumismo pela facilidade de prazo que oferecem, principalmente pelos atuais cartões de crédito. Movidos por uma campanha publicitária bem elaborada, as pessoas, inclusive os crentes, deixam despertar em si o incontrolável desejo de adquirir um produto que está sendo oferecido. No primeiro momento a pessoa pensa: “Não posso pagar”. Mas é aí que vem o “pulo do gato” dessas campanhas: “Você pode pagar em até tantos meses e sem juros”. Bem, raciocina o consumista, agora dá para pagar e se eu me apertar mais à frente a gente dá um jeito.

 

É esse jeitinho, bem típico de nós brasileiros, que poderá se transformar em uma grande tragédia, pois lares têm sido desestruturados e pessoas têm perdido seus empregos por terem seus nomes negritados pelas instituições de proteção ao crédito; por terem dado um “passo maior que a perna”; por terem contraído uma dívida que não poderiam pagar; por terem deixado se levar pelo desejo de seus corações para esbanjar recursos financeiros em seus deleites e prazeres consumistas.

 

Certa feita uma senhora me telefonou para pedir orientação, pois estava escandalizada pela vergonha que passou pelo fato do seu cartão de crédito ter sido recusado em uma loja sob a alegação que o seu limite de crédito seria ultrapassado com aquela compra. Ela me disse: “Imagine, irmão, estamos com as nossas faturas absolutamente em dia, inclusive acabamos de pagar a última, como então levantam uma infâmia dessas a nosso respeito”. Tentando tranqüilizá-la, disse que eu tentaria ajudá-la verificando o que tinha acontecido, mas antes, gostaria que ela me passasse por fax a última fatura paga.

 

Não havia dúvida, a sua fatura demonstrava que realmente ela estava em dia até aquele mês, porém ela tinha um enorme saldo de compras parceladas que esgotavam o seu limite de crédito. Quando expliquei isso, ela ficou revoltada dizendo: “Onde já se viu isso? O irmão deve estar equivocado! Para que serve então o parcelamento se ele esgota o limite de crédito?”

 

Procurando acalmá-la, expliquei que o limite de crédito contemplava os valores vencidos no mês e aqueles que venceriam nos meses seguintes. Ao finalizar eu recomendei que ela pagasse boa parte das parcelas a vencer se quisesse voltar a fazer uso do cartão. Como resposta recebi o seu silêncio! Por certo ela não teria condições financeiras para fazê-lo. Ela tinha dado “o passo maior que a perna”.

 

Este é o grave equívoco das pessoas. Movidas pelos apelos mercadológicos acabam adquirindo as coisas de forma descomedida por entenderem que o parcelamento que está sendo oferecido cabe no seu orçamento, entretanto o acúmulo dessas parcelas, ao longo de um período, poderá se transformar num tormento.

 

Outro grande equívoco é as pessoas acreditarem que nesses parcelamentos não há juros! É claro que têm e já vêm embutidos nos valores parcelados. Em um dos meus aniversários recebi de presente uma Bíblia de estudos que era muito promovida por um famoso pregador televisivo. O grande “incentivo” para a compra é que aquele inédito lançamento poderia ser pago em 10 parcelas iguais, sem juros, de R$. 11,94, totalizando R$. 119,40.

 

Passados alguns dias, essa mesma pessoa me contou que indo ao supermercado se surpreendeu que aquela mesma Bíblia lá estava sendo vendida por R$. 99,00, ou seja, 17% mais barata que o preço praticado por aquele pregador, sem levar em conta que no preço cobrado pelo supermercado estava incluída a margem de ganho daquele estabelecimento. Portanto, essa variação de 17% no preço corresponde a um juro embutido de 3,56% ao mês. Anualizando-se essa taxa, teremos um juro real de 52,16% ao ano.

 

Como vemos, aquele pregador sabe fazer conta! O parcelamento sem juros, através de cartões de crédito, anunciado pelos programas evangélicos, não passa de uma farsa. Com isso podemos entender um pouco mais o que o apóstolo quis dizer em 2 Pedro 2:3 ... “movidos por avareza, farão comércio de vós, como palavras fictícias”.

 

Na próxima edição irei tratar de uma grande vergonha que há em nosso meio, que é o chamado empresário evangélico. Mas antes, pare agora um instante e pense! As suas dívidas contraídas através dos seus cartões de crédito e cheques especiais não estarão porventura se tornando o senhor de suas vidas? Ouça o que diz Hebreus 13:5 ... “Contentai-vos com as coisas que tendes”. Portanto, evite dar “o passo maior que a perna”. Permita Deus que assim seja!

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