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O PASSO MAIOR QUE A PERNA (3)
José Carlos Jacintho de Campos - 9/7/2007

“O ímpio pede emprestado e não paga”

(Salmo 37:21a)

 

Quando compôs o Salmo 37, Davi deixou manifesto toda a sua contrariedade às práticas dos incrédulos que pervertiam os reais valores morais, dentre eles a prática imoral do “calote”: “O ímpio pede emprestado e não paga” (v. 21a). Isto era algo inconcebível aos olhos daquele que era o “homem segundo o coração de Deus” (Atos 13:22b).

 

O “calote” é algo tão injurioso que jamais deveria ser praticado por aqueles que se declaram crentes no Senhor Jesus. Portanto, os “crentes” que praticam tais coisas não poderão ser considerados “justos”, pois se desqualificam à medida em que se tornam maus cumpridores das obrigações assumidas, igualando-se assim aos mundanos cujo quinhão desta vida é ser contrário aos propósitos de Deus.

 

Nas admoestações e promessas finais contidas em Apocalipse 20:11, é asseverado que o injusto continuará fazendo injustiça e o imundo continuará sendo imundo, mas o justo continuará na prática da justiça, e o santo a santificar-se. Quem toma emprestado e não paga significa o mesmo que roubar, logo não é justo nem santo.

 

No passado já houve quem dissesse: “Um homem temente a Deus tem o mais longo crédito (moral) conforme concordará qualquer banqueiro, pois é verdadeiro que pessoas que cultivam uma fé autêntica, mesmo que tenham pequenas posses, são as que têm os mais rígidos princípios morais”. Quão lamentável é que isso deixou de ser verdadeiro em nossos dias! Já não é assim que pensam os banqueiros a respeito dos “evangélicos” que, de forma pejorativa, os ridicularizam afirmando que “vigarista é tudo igual, só muda de endereço ... e de religião”. Como é triste, irmãos, ouvir um termo tão chulo dirigido para alguém que testemunha ser cristão.

 

Essa afirmação tornou-se uma cruel realidade, pois não está havendo o menor pudor por parte de não poucos “crentes” ao pedirem dinheiro emprestado para fazerem algum tipo de investimento, ou para atenderem seus distorcidos anseios de prosperidade, ou por quererem dar “o passo maior que a perna”, sabendo de antemão que não terão condições de quitarem as dívidas assumidas. O pior é que para isto esses “crentes” não vacilam em faltar com a verdade, adulterar documentos comerciais, ou até prestar declarações cadastrais inverídicas, dentre outras práticas lamentáveis, a fim de alcançarem o que buscam.

 

Tendo em vista a minha longa carreira no segmento financeiro, posso afiançar que tais afirmações não dizem respeito a algumas poucas exceções, ou que estariam concentradas em determinadas denominações evangélicas “triunfalistas”. Não haveria espaço aqui para descrever os muitos casos que vivenciei, ou que chegaram ao meu conhecimento.

 

Dentre esses casos, permita-me citar um como exemplo claro acerca desse doloso procedimento: Os elementos da natureza revelavam todo esplendor da criação de Deus naquela linda manhã, mas tudo isso passaria a ser uma manhã de triste lembrança pela decisão que viria a ser tomada naquele dia. O telefone celular do automóvel toca! Do outro lado surge uma voz que faz uma efusiva manifestação: “Como vai o meu querido amigo ...”. Esse tratamento maneiroso fazia parte do golpe que viria mais à frente. Após uma exaustiva exposição de motivos o “empresário evangélico” pediu um empréstimo de alguns milhares de reais para cumprir com as prementes necessidades em seus negócios.

 

Como se tratava de uma pessoa bastante conhecida e que participava da liderança de uma igreja, não haveria dúvidas em atender aquele pedido que seria feito sem nenhum tipo de correção do valor emprestado por se tratar de uma relação entre “domésticos na fé” (Gálatas 6:10b).

 

O tempo passa, o combinado não é cumprido, o golpe é engendrado, o telefone volta a tocar para agora dizer, com ásperas palavras, que por recomendação dos seus advogados aquele empréstimo não seria pago. Ou seja, o “caloteiro evangélico” tinha recursos para contratar caríssimos advogados, mas não o tinha para pagar o empréstimo pessoal assumido com alguém que seria seu irmão de fé. Ele sabia quem lhe fizera o empréstimo não entraria em uma demanda judicial em respeito aos princípios bíblicos que determinam que um irmão não entre em juízo contra outro irmão (não deixem de ler 1 Coríntios 6:1-11). Diante disto temos que dar razão aos que afirmam que vigarista é tudo igual e, atualmente, só muda de religião.

 

Realmente é muito triste ter-se que narrar acontecimentos nada edificantes como esse, mas devem servir de alerta aos cristãos verdadeiros para certas práticas dolosas que têm se observado de forma até certo ponto exacerbada em nossos dias entre os “crentes” de todos os rótulos. Há que se por fim nessa distorção de que “cada um, e não Deus, elabora suas próprias normas e define a forma de como irá viver”, pois tal coisa não deve ser praticada, em nenhuma hipótese, por aqueles que são cristãos autênticos, pois isso faz parte das práticas imorais dos ímpios que, inclusive, proliferam disfarçados em crentes ou empresários evangélicos.

 

Em nossos dias busca-se uma espiritualidade sem ética, sem moral, e há aqueles que praticam uma ética sem espiritualidade, todavia as duas – a espiritualidade e a ética - precisam caminhar juntas. Não podemos perder a capacidade de nos contentar com o que temos e não desejar nada que não seja nosso. Portanto, reitero o que já escrevi: tomar emprestado e não pagar o que se deve é o mesmo que roubar, pois ficou com aquilo que não é seu, logo estará sob condenação pelo ato imoral, pois quem semeia coisas injustas colhe para si as coisas más (Provérbios 22:7).

 

Em Romanos 14:8, diz Paulo: “A ninguém fiqueis devendo coisa alguma”. Segundo F. E. Stallan, as palavras iniciais deste versículo têm sido mal entendidas. Paulo não quis dizer que é errado ser devedor, o erro está em deixar de pagar a dívida ou pagá-la quando for conveniente ao devedor.

 

Quando no monte, o Senhor Jesus deixou claro em seu sermão: “Seja, porém, a tua palavra sim, sim; não, não. O que disto passar vem do maligno” (Mateus 5:37). Se assumirmos um compromisso ao dizermos “sim”, temos que ir até o fim mantendo a palavra empenhada porque ela é preciosa. Os que prometem e não cumprem, perdem o respeito próprio, e aqueles que o cercam passam vergonha pelos seus atos. A vida das pessoas que praticam o “calote” consiste em fugir; gastam muito mais energia desonrando a palavra do que os honestos gastam para manter os seus compromissos em dia.

 

É totalmente errado o cristão assumir aquilo que não poderá cumprir, pois aí estará dando “o passo maior que a perna”. O cristão deverá, sempre, considerar bem o risco antes de continuar com projetos que incluam a assunção de dívidas, quer sejam financeiras, sociais ou morais, pois deverá agir, sempre, de boa-fé. Permita Deus que assim seja!

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