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O PASSO MAIOR QUE A PERNA (4)
José Carlos Jacintho de Campos - 3/10/2007

“Seja vossa vida isenta de ganância”

(Hebreus 13:5a)

 

Por definição pobreza e riqueza são termos relativos, de fato o que importa são os efeitos que elas produzem no caráter humano. Quanto à busca desenfreada da riqueza, o Espírito Santo é bastante enfático ao asseverar, de forma imperativa, que a nossa vida seja isenta de ganância, entendendo como tal a nossa forma de ser, o nosso caráter, a nossa conduta social e a nossa postura moral no meio em que vivemos (Hebreus 13:5a).

 

Tendo em vista essa determinação contida na Palavra de Deus, vem-nos a pergunta: Por que os cristãos deixaram de ser pessoas insuspeitas em suas atitudes, como eram outrora, e passaram a contrair dívidas que acabam lhes trazendo grandes transtornos, a praticar o calote, a sonegar tributos e até mesmo extorquir recursos de pessoas de boa-fé, dentre outras mazelas?

 

A resposta que logo vem à mente é que é obra do inimigo das nossas almas! Isso não é totalmente verdadeiro, pois o diabo sempre esteve, está e estará ao redor dos cristãos a fim de fazê-los tropeçar e, como já vimos, essa má reputação dos evangélicos não era tão acentuada no passado não muito distante. A Palavra de Deus é claríssima acerca de como devemos nos comportar diante da influência maligna: “resisti ao diabo, e ele fugirá de vós” (Tiago 4:7). Logo, chega-se à conclusão que hoje não se resiste ao diabo como outrora.

 

O diabo está fazendo a parte que lhe convém. Logo a decadência moral está nos cristãos que tais coisas praticam, deixando-se atrair pelo sistema pecaminoso criado pelo deus do presente século (2 Coríntios 4:4). Todavia, essa atração não deveria ter guarida entre aqueles que afirmam que creem no Senhor Jesus, pois foi justamente para isso que Ele aqui veio, para nos “livrar do presente século mau, segundo a vontade de nosso Deus e Pai” (Gálatas 1:4).

 

A realidade é que os “evangélicos” dos nossos dias estão dando “o passo maior que a perna” por permitirem que sejam influenciados negativamente por outro “evangelho”, o qual os incita à prosperidade a qualquer preço, fazendo-os crer que Deus está para lhes servir. Para isso teriam que determinar que o Senhor lhes desse tudo que os seus enganosos corações desejassem tão ardentemente. Fica a pergunta: Quem somos nós para determinar alguma coisa ao Deus Todo-Poderoso?

 

A má influência no meio cristão não é nenhuma novidade! Há quase dois mil anos Paulo advertia severamente aos Gálatas por se deixarem envolver pela astúcia de homens enganadores que nada tinham a ver com as coisas de Deus: “Estou admirado de que tão depressa estejais desertando daquele que vos chamou na graça de Cristo, para outro evangelho o qual não é outro; senão que há alguns que vos perturbam e querem perverter o evangelho de Cristo... Se alguém vos pregar outro evangelho além do que já recebestes, seja anátema... Mas faço-vos saber, irmãos, que o evangelho que por mim foi anunciado não é segundo os homens; porque não o recebi de homem algum, nem me foi ensinado; mas o recebi por revelação de Jesus Cristo” (Gálatas 1:6-12).

 

Por sua vez, o diabo é extremamente atuante, porém repetitivo! Ele age, hoje, da mesma forma que no passado, desde o princípio. Quando no Éden, ele induziu Eva despertando nela a “cobiça da carne”, a “cobiça dos olhos” e a “soberba da vida”: “Vendo a mulher que aquela árvore era boa para se comer, e agradável aos olhos, e árvore desejável para dar entendimento, tomou do seu fruto e comeu” (Gênesis 3:6). Com o Senhor Jesus ele tentou a mesmíssima estratégia: A cobiça da carne: “Se tu és Filho de Deus manda que estas pedras se tornem em pães”. A soberba da vida: “Se tu és Filho de Deus, lança-te daqui abaixo; porque está escrito: Aos seus anjos dará ordens a teu respeito e eles te susterão nas mãos”. A cobiça dos olhos: “Então o Diabo o levou a um monte muito alto; e mostrou-lhe todos os reinos do mundo, e a glória deles; e disse-lhe: Tudo isto te darei, se, prostrado, me adorares” (Mateus 4:1-11). O apóstolo João deixa expresso a repetitividade do diabo: “porque tudo o que há no mundo, a cobiça da carne, a cobiça dos olhos e a soberba da vida, não procede do Pai” (1 João 2:16).

 

De algumas décadas para cá o movimento chamado evangélico tem sido fortemente impactado pelo ensino que o cristão deve ser materialmente próspero em tudo que faz, dadas certas promessas sutilmente isoladas do contexto bíblico, e se alguém não alcançar a prosperidade “estabelecida” por Deus é sinal que está em pecado ou com algum demônio “encostado”. O apelo é irresistível! O cristão, então, teria que determinar a Deus a sua prosperidade por entender que está enquadrado nestes pré-requisitos: sem pecado e sem demônio.

 

Isso é pano velho com etiqueta nova! Os iniciados nas “irmandades secretas” são discipulados a praticarem certa “lei da atração” que existiria no universo e que seria ativada segundo seus pensamentos e desejos, na base do “peça, acredite e receba”. A “teologia” da prosperidade dos nossos dias é uma cópia modificada desses ensinamentos ocultistas: “determine, creia e receba”. Apenas substituíram a expressão “Universo” por “Deus”. Como isso vem do ocultismo, logo não é de Deus. Estendo o beneplácito da dúvida a quem tais coisas praticam, caso o façam por ignorância, por desconhecerem a origem de “o segredo” dessa lei.

 

Todavia, independentemente dessa má influência, é inconcebível o “mau-caratismo” praticado por alguém que professa ser crente no Senhor Jesus, pois, por definição, boa-fé é o parâmetro de correção e honestidade próprias de um cristão nas suas relações obrigacionais no meio em que vive.

 

Gastar acima das posses, sonegar o que é devido às autoridades, tomar emprestado e não pagar, fazer troca de moedas estrangeiras de forma não oficial (alguns alegam que os fins justificam os meios), dentre outros ilícitos, se caracterizam também como abuso de direito. É fulcro na teoria do Direito que em todos os atos geralmente apontados como de abuso do direito estará presente a violação ao dever de agir de acordo com os padrões de lealdade e confiança.

 

Portanto, o exercício de um direito será irregular e, nesta medida, abusivo, se ficar comprovada a quebra de confiança e frustração de legítimas expectativas daquele que agiu na mais absoluta boa-fé e se vê ludibriado. Justifica-se muito que a contumácia do erro faz parte da falibilidade humana, mas isto nos remete ao dito de Agostinho: “errar é humano, mas perseverar no erro é diabólico”.

 

Não podemos esquecer, em nenhuma hipótese, que a única riqueza duradoura é possuirmos a Deus. Desta forma peçamos a Ele para que haja o retorno ao bom senso por parte dos cristãos; que realmente possamos restaurar o bom conceito que havia outrora na medida em que pratiquemos aquilo que o Senhor Jesus nos deixou estabelecido: “Tende cuidado e guardai-vos de toda e qualquer ganância; porque a vida de um homem não consiste na abundância dos bens que ele possui” (Lucas 12:15). Por certo isso evitará, sempre, “o passo maior que a perna”.

 

Ouçamos a voz do Espírito Santo através do apóstolo Paulo em 1 Timóteo 4:12b ... “torna-te padrão dos fiéis, na palavra, no procedimento, no amor, na fé, na pureza”. Permita Deus que assim seja!

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